Haroldo Lima, diretor da Agência Nacional do Petróleo, negou peremptoriamente que fez qualquer anúncio público com relação ao achado da Bacia de Santos. Ele teria feito uma cogitação embasada por artigos que foram publicados por uma revista americana especializada. Acontece que diretor de um órgão regulador tem palavra de peso não somente no segmento em que atua, mas também no mercado financeiro. Logo, não lhe cabe fazer ilação alguma. O peso da palavra de um gestor na área petrolífera é muito maior que a opinião ou matéria de um jornalista.
Só para deixar claro o resultado da repercussão da infeliz especulação de Haroldo Lima. Ontem, o barril de petróleo bateu a casa dos U$ 114. O olhar dos consumidores de energia se voltou para o Brasil, pois a Rússia, paulatinamente, está esfriando sua capacidade petrolífera. Se se confirmar a especulação de Haroldo, o novo campo de exploração de Petróleo poderá ter 33 bilhões de barris de petróleo, o que faria do Brasil o terceiro maior produtor mundial do “ouro negro”, ficando penas atrás da Arábia Saudita e do Kwait. As repercussões não elevaram apenas a cotação do barril de petróleo. Hoje, o jornal O Estado de S.Paulo traz:
As ações da portuguesa Galp valorizaram-se 7,9% na Bolsa de Lisboa. A companhia é parceira da Petrobrás em Tupi. Os papéis da fornecedora francesa de equipamentos Vallourec tiveram alta de 2,54% na Bolsa de Paris. Segundo analistas, o desempenho deveu-se à expectativa de que a empresa consiga novos contratos de venda para exploração no litoral brasileiro.
Os papéis da Petrobrás mantiveram a tendência de alta iniciada na segunda-feira. As ações ordinárias (ON) avançaram 0,68% e as preferenciais (PN), 1,17%, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os recibos de ações (ADRs) da estatal brasileira na Bolsa de Nova York seguiram o mesmo caminho. Os ordinários subiram 0,75% e os preferenciais, 1,12%.
As ações da Petrobrás também avançaram no mercado Latibex, que reúne empresas latino-americanas cotadas na Bolsa de Madri. Os papéis da estatal brasileira dispararam 10%, e fecharam cotados por 38,60.
Embora Haroldo Lima tenha cometido essa imensa irresponsabilidade, que tomou repercussões no mercado financeiro do mundo todo; o diretor não será responsabilizado nem punido. Ele tem um excelente padrinho político no Palácio do Planalto: o presidente Lula, que foi quem o colocou na ANP.
Espera-se que a resposta (a altura) venha do Ministério Público Federal, que investiga o caso.