513 novos Cartões Corporativos.

Você deve saber que nossos nobres parlamentares dispõem de generosos R$ 15 mil mensais de verba indenizatória. Esse dinheiro serve ressarcir despesas com aluguel, manutenção de escritórios, locomoção, hospedagem, alimentação em visita oficial, entre outras coisas. O uso dessa verba está condicionado à prestação de contas com notas fiscais de tudo o que fora gasto. Embora a maioria da população não ligue nem um pouco para fiscalizá-las, nunca é demais lembrar que tanto o Senado quanto a Câmara Federais disponibilizam em suas páginas, na internet, as informações desses gastos. Às vezes xereto por lá. Xerete você também.

Bem, até aqui nenhuma novidade. Mas, imagine se ao invés dessas verbas, deputados e senadores tivessem um cartão corporativo?

Vou relembrar alguns casos emblemáticos envolvendo esse meio de pagamento.

Na Folha Online (em azul)

No dia 1º de fevereiro, o desgaste provocado pela denúncia de irregularidades no uso do cartão corporativo derrubou a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Ela decidiu deixar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após ser acusada de usar irregularmente o cartão. Em 2007, as despesas de Matilde com o cartão somaram R$ 171 mil. Desse total, ela gastou R$ 110 mil com o aluguel de carros e mais de R$ 5.000 em restaurantes.

Um dos gastos considerados suspeitos foi o pagamento de uma conta de R$ 461,16 em um free shop.

Os ministros Orlando Silva (Esportes) e Altemir Gregolin (Pesca) também estão sob suspeita. Silva anunciou que devolverá cerca de R$ 30 mil por gastos em seu cartão. Esse seria o valor equivalente ao que foi gasto desde que ele assumiu o ministério, em março de 2006.

Já a fatura do cartão de Gregolin registra o pagamento de uma conta de R$ 512,60 de um almoço com uma comitiva chinesa em uma churrascaria de Brasília.

Com a crise envolvendo os cartões, novas denúncias foram aparecendo, entre elas as de que um segurança pessoal de Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha do presidente Lula, gastou quase R$ 55 mil nos últimos nove meses usando o cartão; as agências reguladoras gastaram mais de R$ 1 milhão nos cartões em 2007; e ao menos dois seguranças da equipe que protege a família do presidente em São Bernardo do Campo (ABC paulista) gastaram nos últimos três anos R$ 149,2 mil com os cartões.

Os cartões corporativos atendem apenas ao Poder Executivo e raros integrantes do Judiciário. Pelo menos atendiam.

Corre nos corredores da Câmara Federal que deputados governistas têm a intenção estender o benefício dos cartões corporativos aos parlamentares. Isso mesmo. Eu não fiquei louco e nem você leu errado. Vou repetir: deputados governistas têm a intenção estender o benefício dos cartões corporativos aos parlamentares.

Essa insinuação pode ser apresentada pelo relator da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Cartões Corporativos, o deputado Luís Sérgio (PT-RJ). Para ele, o instrumento é de fácil controle social e mais transparente. Sua excelência vai mais além. Afirma que, com o Portal da Transparência, a utilização é automaticamente exposta.

Ora senhor deputado…Se todo esse escarcéu de gastos irregulares deu-se apenas com integrantes do Executivo utilizando esses cartões, imagine se, de repente, surgem 513 novos portadores com esse meio de pagamento?

Afinal, o querem os deputados?

Não me venha com essa conversa de que a cristalinidade dos gastos seria mais ampla. Isso é história para petista acreditar. Eu não acredito! Se o problema é a divulgação, isso já ocorre, como já disse, no site da Câmara.

A oposição, até agora (13h17), não sabe desse plano da base aliada.

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