A primeira manifestação pública de um integrante do Governo Federal com relação à Ingrid Betancourt, refém das Farc, foi feita ontem, na tribuna do Senado Federal. Eduardo Suplicy (PT-SP) se dispôs a ir negociar pessoalmente a libertação da ex-senadora colombiana.
“Posso atravessar a fronteira do Brasil com a Colômbia e entrar na floresta, desde que indiquem o local”, afirmou o senador.
Suplicy fez esse discurso após ser informado pela senadora colombiana Piedad Córdoba que desde a morte de Raul Reyes, não há mais abertura para negociação com as Farc.
Oratória como essa pode soar como demagógica. Mas ao menos houve alguma manifestação digna de ser aplaudida.
Desde que começaram a circular as notícias sobre o precário estado de saúde de Betancourt, Nicolas Sarkozy anunciou o envio de um grande aparato para resgatar a ex-senadora. Sabe o que fez o governo brasileiro? Redigiu uma carta em solidariedade a… Sarkozy. E pra Ingrid, nada. Não estou dizendo que o Brasil deveria disponibilizar seu aparato aéreo para prestar apoio à Betancourt, mas, ao menos, que desejassem à ela um “estimas melhoras”.
Repúdio.
Já passou da hora de o governo brasileiro repudiar publicamente os atos cometidos pelas Farc. Se Lula concorda com Hugo Chávez, que essa organização não passa de uma “força beligerante” com inspiração comunista, auto-proclamada guerrilha revolucionária marxista-leninista; para mim e para 93% da população colombiana, essa guerrilha constitui uma força terrorista e abominável.
Uma organização que é financiada pelo narcotráfico e se utiliza de meios cruéis e desleais para tentar derrubar um governo eleito democraticamente merece repúdio público. Só nos últimos dez anos, seqüestraram dez mil pessoas. Atualmente, estima-se que oitocentos reféns estão sob seu domínio.
Viva Eduardo Suplicy!
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