Ontem, um grupo de pessoas contrário às cotas raciais para negros em universidades entregou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, uma carta contendo 113 assinaturas. A epístola questiona essa prática, que é alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade naquela corte.
Sim. Eu também sou totalmente contra essa aberração de ação afirmativa. Se o objetivo dessa política é eliminar dessemelhanças historicamente acumuladas, esse meio é um dos mais racistas.
É verdade que os negros foram vítimas de um sistema de trabalho escravo impiedoso e inumano. Ninguém pode negar, também, que os negros sofrem conseqüências desse período até hoje.
A rejeição para com os negros, assim como para com qualquer outra raça, gera uma cadeia de conseqüências que acaba refletindo na própria sociedade. Essas pessoas não conseguem emprego e, por tabela, nem renda para se manterem. Muitas recorrem ao crime para “ganhar” a vida.
Como pagar essa dívida ainda é uma incógnita. Sem alternativas concretas, idéias demagógicas acabam sendo propostas e, o pior, colocadas em prática.
Cota racial em universidade, ao contrário do que pensam muitos, não atenua a discriminação. Ele acentua ainda mais.
O critério de conquistar uma vaga em uma universidade pela cor abre uma margem de interpretação: só está aqui por é negro! Ora, vaga por cota de cor da pele nada mais é do que querer insinuar que os negros são intelectualmente inferiores aos brancos.
Vamos parar e arrazoar juntos, passo a passo:
1- O mesmo vestibular que o branco faz, será feito pelo negro.
2- Se ambos são oriundos de escola pública, portanto, tiveram o mesmo ensino (de péssima qualidade).
3- Na prova, é a inteligência e a capacidade do candidato que é testada.
4- Se o branco passa e o negro não, é porque o branco estudou mais. E vice-versa.
5- Logo, o negro (ou o branco) não se classificou por que o outro candidato pontuou mais, e não por causa da raça ou descendência. O critério foi absolutamente o mesmo para ambos, independentemente da pigmentação da pele.
O cerne da questão não é se o aluno é branco, negro, cafuzo ou índio. O calcanhar de Aquílis é o ensino básico público, que não estrutura o aluno de forma eficaz para conseguir vaga nas universidades públicas.
Alunos de escolas particulares têm mais capacidade para prestarem um vestibular como a Fuvest. Nesse ponto, a condição econômica da família o favorece.
Portanto, se dinheiro também é o problema, então por que não se criam cotas por critério econômico? O aluno pobre, por exemplo, tem “X”% de vagas garantidas. Isso sim é uma justiça social afirmativa. Hoje, se um branco pobre não pontua o suficiente para ingressar em uma universidade, o negro rico, mesmo tendo pontuado igual ao branco, conseguirá a vaga por direito.
Afinal, em casos como esses, onde está a justiça?
Já está disponível no link http://www.petitiononline.com/antiraca/petition.html uma lista de assinaturas que subscrevem a carta entregue ao STF. Eu estou lá. Sou o número 47.