Primeiro de maio é o Dia do Trabalho. Ironicamente, a data foi usada para pedir…menos trabalho.
Em diversos Estados brasileiros, dirigentes de centrais sindicais mobilizaram milhares de pessoas para que se unam na luta pela redução da jornada de trabalho, de 44 para 40 horas semanais.
A legislação trabalhista brasileira já é benevolente demais com o trabalhador e rude em demasia com o empregador. Temos um exemplo das conseqüências desse cenário.
O mercado de trabalho francês é um dos mais amarrados da Europa. O salário mínimo é generoso, 1.450 dólares; férias anuais de 45 dias, aposentadoria aos 60 anos e demissões onerosas, pois o empregador é obrigado, por lei, a indenizar o funcionário demitido em 12 a 24 meses de trabalho. Com tantas mordomias, as empresas não encontram incentivo para contratar, o que aumenta a informalidade e, por tabela, reduz a arrecadação de impostos.
No final de 2006, o governo da França propôs uma mini reforma trabalhista. Os jovens seriam os maiores afetados. O resultado foi uma verdadeira revolta que quase culminou em uma guerra civil nos bairros mais humildes.
O Brasil pode, claro, conceder benefícios aos trabalhadores. Mas o empregador, por outro lado, não pode sair lesado. Arrefecimento da jornada de trabalho obrigará as empresas a contratarem mais. Porém, o governo vai desonerar os impostos do empregador? Vai subsidiar essas novas contratações? Segundo o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, haverão mecanismos para que as empresas não fiquem lesadas. Mas e as horas extras? Ficam mais caras?
Fazer cortesia com o chapéu alheio é fácil.