Apologia à maconha.
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A Lei Antidrogas já não mais considera criminoso o usuário da cannabis sativa. Qualquer cidadão que queira dar seus pitacos nessa droga poderá fazê-lo, desde que não transporte quantidade acima do considerado nível, digamos, aceitável. A lei, agora, pune o traficante.
A Marcha da Maconha, que realizar-se-á no próximo domingo, quer a legalização da venda dessa erva. Ou seja, o ato deste fim de semana não passa de uma apologia ao tráfico de drogas.
Não me venha os maconheiros quererem me dar lição dos efeitos “zen” e “loko” dessa droga. Tampouco me advertir que o consumo não é prejudicial à saúde.
Primeiro, a saúde do usuário é sim afetada. Pesquisadores da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, constataram que a maconha elimina antioxidantes que o organismo usa para proteger células, o que pode levar a doenças cardíacas e ao desenvolvimento de cânceres.
Segundo, depois de contrair um achaque, para onde vai (imensa) parte desses enfermos? Ora, para o SUS. Isso mesmo, o SUS, que é financiado com dinheiro público. Excetuo os filhos da classe média, pois estes têm convênio e o dinheiro que será gasto no tratamento é da família, não do Estado.
Subscrevo a decisão dos tribunais estaduais que proibiram essa marcha.
Ah. Antes que os defensores do direito à liberdade de expressão venham me torrar a paciência, advirto: a liberdade de expressão não dá direito a fazer apologias baratas. Se assim fosse, não faltariam grupos de homofóbicos, neonazistas, anticristãos, enfim, essa cambada preconceituosa, realizando passeatas e marchas para disseminarem suas idéias racistas por aí.
Outras ponderações
Digamos que a venda da cannabis seja legalizada. Muitas pessoas que gostam da erva passarão a ter acesso mais fácil à droga. Porém, nem todos terão dinheiro para comprá-la. Com isso, os traficantes que operam dentro das favelas levarão uma imensa vantagem.
Explico.
Com a legalização do comércio da droga, impostos incidirão sobre a produção e o consumo. Daí vem o pulo do gato: traficante vai querer pagar impostos?
Métodos para burlar a contribuição ao erário em breve aparecerão. Logo, nas favelas, a droga será comercializada a um custo mais baixo, o que levará muitos maconheiros a comprarem o produto diretamente dos traficantes. Com isso, a disputa por pontos de distribuição de drogas dentro das comunidades carentes será ainda mais acirrada, o que implica no aumento da violência.
Perceberam a bola de neve que isso pode virar?
Mamães e papais, se hoje, seus filhos presenciam na porta das escolas outros alunos fumando cigarro, logo logo, poderão presenciar os colegas fumando maconha, se se concretizar as intenções dos organizadores dessa marcha.
E assim a sociedade vai perdendo a moral, longe do Happy End. Edgar Morin que me perdoe.