Da Folha de S.Paulo
Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Jatobá, 24, pai e madrasta de Isabella, 5, voltaram ontem a ser presos.
O juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri (Santana), aceitou a denúncia contra o casal, apresentada pelo Ministério Público na terça, e decretou a prisão preventiva dos dois, que agora são réus no processo pela morte da menina.
Nardoni e Anna Jatobá deixaram o prédio da família da madrasta de Isabella, em Guarulhos (Grande SP), pouco depois das 22h30, em carros policiais separados. Algemados, foram colocados no compartimento para presos e seguiram sob forte esquema policial até o 9º DP, para assinar o mandado de prisão. Houve tentativa de agressão. Anna Jatobá chorava.
À 0h30 eles chegaram ao IML, para o exame de corpo de delito. Desta vez ocupavam o mesmo camburão.
“Missão cumprida”, afirmou o delegado Calixto Calil Filho, titular do 9º DP, depois que o casal seguiu rumo ao IML.
A delegada Renata Pontes, do 9º DP, que investigou o caso, disse que o casal decidiu se entregar por volta das 20h, após negociar com os policiais que tinham chegado ao apartamento pouco antes das 18h.
Nardoni e Anna Jatobá pediram tempo para aguardar a chegada dos advogados e para arrumar as malas com roupas.
Logo após a divulgação da ordem de prisão, por volta das 18h30, a frente do prédio foi tomada por centenas de pessoas, que gritavam “justiça” e “assassina”. Quando o pai de Alexandre Nardoni chegou ao prédio, por volta das 20h30, uma mulher bateu na lataria do carro. A polícia então isolou a rua.
A delegada disse que Nardoni seria levado ao 13º DP (Casa Verde). Anna Jatobá passaria a noite no 97º DP (Americanópolis), de onde deve ser transferida hoje para o presídio feminino de Sant’Ana, no Carandiru.
Foi marcado para o próximo dia 28 o primeiro interrogatório do casal.
Nardoni e Anna Jatobá negam o crime, ocorrido no dia 29 de março, e alegam que alguém entrou no apartamento e atirou Isabella pela janela de um dos quartos, no sexto andar do edifício London, na vila Isolina Mazzei (zona norte de São Paulo), onde o casal vivia com seus dois filhos, de 3 anos e 1 ano.
Isabella, filha de uma relação anterior de Nardoni, morava com a mãe, Ana Carolina Oliveira, e visitava a família do pai periodicamente.
Polícia usa até gás pimenta para conter a multidão.
Foi só a notícia da prisão preventiva de Alexandre Nardoni e Anna Jatobá se espalhar para os primeiros curiosos aparecerem em frente ao apartamento onde estavam, em Guarulhos. Às 22h, a Polícia Militar calculava em cerca de mil o número de pessoas que esperava no frio a saída dos acusados.
Alguns avançaram o cordão de isolamento no momento da saída e foram contidos por gás pimenta. Um motoqueiro que estourou o escapamento foi detido. “Cadê meu direito de ir e vir? Sou contra esta parafernalha”, exclamava.
Às 20h30, o pai do acusado, Antonio Nardoni, chegou ao local. Uma mulher avançou sobre o carro, xingou, cuspiu e bateu na lataria. Depois disto, o “público recorde” do caso Isabella foi separado em dois nas esquinas do quarteirão e a movimentada rua Timoteo Penteado foi interditada.
Enquanto um grupo pedia em coro “justiça”, outro gritava o nome de um apresentador de TV. Quando um garoto levantou um caderno com o símbolo do Corinthians, outro do Palmeiras apareceu em poucos minutos. Entre os 20 veículos policiais, até um caminhão de bombeiros apareceu para ajudar no isolamento.
A maioria das pessoas que aguardaram a prisão mora ou trabalha perto do prédio. É o caso da costureira Áurea Custódia de Oliveira, 56, que deixou uma roupa na máquina assim que soube do que chamou de “desfecho do caso”. “Se não prendesse, iria virar festa. Todo mundo ia começar a matar pensando que pode.”
Outras pessoas tiraram o carro da garagem só para ver a cena. Nesse grupo estava a funcionária pública Marcela Duarte, 27, que estudou direito com Nardoni. “Ele era discreto, não dava para desconfiar que pudesse fazer uma coisa dessas.”
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Leia comentário do caso em “Verdades distintas do Caso Isabella” – post do dia 20/04/2008.
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