Aumento dos preços de matéria-prima eleva custos da indústria.

De O Correio Braziliense

indústria brasileira vai repassar, de maneira um pouco mais agressiva, o aumento dos custos de produção ao consumidor nos próximos meses. A justificativa é que os desembolsos com insumos e matérias-primas como petróleo, produtos siderúrgicos, resinas e elastômeros (leia quadro) não param de crescer e isso elevará os preços de automóveis, geladeiras, eletroeletrônicos e brinquedos. Ontem, por exemplo, o barril do petróleo bateu um novo recorde, ao ser vendido por US$ 123,63 em Nova York.
Apesar da perspectiva de reajustes, economistas ouvidos pelo Correio não acreditam em uma disparada dos preços semelhante à que está sendo verificada nos alimentos. Isso porque a competição entre as grandes redes do varejo impede elevações abruptas ao consumidor. Além disso, o câmbio tem amortecido a alta de preços dos insumos e das matérias-primas. Além disso, o Banco Central pode elevar ainda mais os juros para conter o consumo desenfreado. “Os produtos industrializados também devem ser pressionados pela alta do diesel (frete). Existe um cenário de aumento, mas não é equiparado à pressão que vemos nos alimentos”, afirmou o economista Paulo Piquetti, da Fundação Getúlio Vargas.
Segundo Synésio Batista da Costa, presidente da Associação de Fabricantes de Embalagens Laminadas Flexíveis (Abraflex), o setor deve gastar entre 8% e 12% a mais para adquirir resinas. Para compensar, seria necessário repasse de 12% aos preços de embalagens para biscoitos, café e chocolate. “Se houver aumento de 8% nos preços das embalagens, o repasse ao consumidor seria de 0,3%. Como é muito baixo, a cadeia produtiva acaba absorvendo. Não acredito em forte alta de preços ao consumidor”, destacou. Costa, que também é presidente da Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), admite, no entanto, que os brinquedos de plásticos poderão ter uma alta nos preços de 8,5%.

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