Obama deve declarar vitória dia 20.

De O Estado de S.Paulo

O senador Barack Obama prepara-se para declarar vitória na disputa pela indicação do Partido Democrata no dia 20, logo após as primárias nos Estados de Kentucky e Oregon. Ele não alcançará os 2.025 delegados necessários para assegurara nomeação, mas fontes da campanha de Obama acreditam que nessa data ele alcance a maioria de 1.627 delegados escolhidos nas urnas e terá assegurada a liderança no voto popular.
Em entrevista à rede NBC, Obama afirmou ontem que o dia 20 será uma data crucial. “Se até lá tivermos a maioria dos delegados eleitos, o que é provável, poderemos dizer que o jogo chegou ao fim”, disse o senador. Um importante assessor de Obama, que pediu para não ser identificado, foi ainda mais claro. “Em 20 de maio, nós anunciaremos a vitória”, afirmou em entrevista ao jornal Político.
Alguns analistas também apontam para a necessidade de Obama realizar o anúncio após uma vitória convincente, o que só deve voltar a acontecer em Oregon. O próprio candidato reconhece que Hillary Clinton sairá vencedora nas primárias de Virgínia Ocidental, na terça-feira, e Kentucky, também no dia 20. De acordo com pesquisas, ela lidera em ambos os Estados com uma vantagem de 30 pontos porcentuais.
Por isso, de acordo com muitos democratas, não seria um bom negócio para Obama que Hillary se retirasse agora da disputa. Se isso acontecesse, o nome da senadora constaria nas cédulas, tanto em Virgínia Ocidental quanto em Kentucky, e Obama correria o risco de um vexame: perder para uma candidata que não está mais na disputa.
Enquanto isso, Hillary continua a campanha como se nada tivesse acontecido, embora sua vitória seja matematicamente impossível. Para isso, ela teria de conquistar mais de 80% dos votos nas próximas seis primárias. Ontem, em duas ocasiões diferentes, a senadora causou mal-estar entre os democratas.
Primeiro, ao declarar que conta com a maioria dos votos dos eleitores brancos, essenciais para a eleição em novembro. Em seguida, ela disse que conta com o apoio das mulheres para reverter o quadro.
Por causa disso, ela foi acusada de querer polarizar o partido em torno de dois tema: raça e gênero.
Embora Hilary diga que não vai desistir, seus correligionários dão sinais de desânimo. “Não vejo a campanha se estendendo até a convenção em agosto”, afirmou ontem Terry McAuliffe, coordenador da campanha da senadora. “Acho que os superdelegados vão se mexer rapidamente e a disputa termina em junho.”
De acordo com pessoas ligadas a Hillary, se a senadora quiser ter ainda algum futuro político precisa saber retirar-se com dignidade da corrida presidencial. Segundo alguns assessores, ela poderia tentar a reeleição ao Senado ou candidatar-se ao governo de Nova York, em 2010. Caso Obama perca as eleições para o republicano John McCain, em novembro, ela seria a candidata natural do partido em 2012, já que dificilmente os democratas repetem uma indicação derrotada nas eleições gerais – a última vez que isso ocorreu foi em 1959.

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