Lacuna nem tão imperceptível.

O governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva sempre se vangloriou de não jogar para debaixo do tapete as mazelas que políticos aprontam por aí.

Ao que parece, tal teoria não vem sendo aplicada na prática dentro do Palácio do Planalto. O fato de os governistas buscarem uma saída honrosa para José Aparecido Nunes Pires, o vazador do dossiê anti FHC, ao invés responsabilizá-lo por crime de responsabilidade e quebra de sigilo funcional espelha bem a arenga antagônica.

O que se pretende cobrir com esse desfecho é óbvio: que Aparecido não revele o topo de comando da operação dossiê.

Recordar é viver. Em 2005, no auge do escândalo do Mensalão, Lula disse que, no governo dele, se denunciam práticas ilegais. Só faltou esclarecer algo: o governo não denunciou nada. Se o caso veio ao conhecimento público, o ode é de Roberto Jéferson.

A tempo

A questão do vazamento do dossiê foi e está sendo discutida exaustivamente. O problema é que estão deixando uma informação importante de lado.

Dilma Rousseff, em depoimento na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, disse que os dados de FHC que saíram da Casa Civil não eram mais sigilosos. Isso porque, de acordo com a ministra, todas as informações contidas no “bando de dados” são antigas, com mais de cinco anos de existência. Portanto, a publicação desses documentos não configuraria crime algum.

 Com essa interpretação da Casa Civil, pode-se cobrar, então, a imediata divulgação de todas as informações referentes aos gastos da Presidência da República do ano de 2003. Afinal, assim como os gastos de FHC, esses dados são considerados antigos.

Engraçado que nenhum tucano ou democrata se atentou para essa brecha.

Vou repetir aqui o que já disse antes: Que desastre de oposição!

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