Alemanha assina acordo de cooperação energética com o Brasil

De O Correio Braziliense

A Alemanha vai cooperar com o Brasil no desenvolvimento dos biocombustíveis e na promoção mundial do etanol, mas exige em contrapartida garantias de que a produção será balizada pelos “três pilares do desenvolvimento sustentável: ambiental, econômico e social”. É o que diz o texto do acordo de cooperação energética assinado ontem no Planalto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela primeira-ministra Angela Merkel, que iniciou por Brasília sua primeira visita oficial à América Latina. Sob o impacto da saída da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, considerada pelos alemães (e pelos europeus em geral) a principal avalista da preservação da Amazônia no governo Lula, Merkel reiterou o endosso ao programa brasileiro de biocombustíveis, mas cobrou compromissos.
“Os biocombustíveis são uma forma de substituir as fontes clássicas de energia fóssil, mas desde que sejam produzidos de maneira sustentável”, disse a chefe de governo durante encontro com jornalistas alemães, pela manhã. “Devemos cuidar para que eles não substituam os cultivos para produção de alimentos”, concluiu. Durante entrevista coletiva conjunta, ao final do encontro que mantiveram no Planalto, Lula repetiu o argumento de que o Brasil “produz etanol há 30 anos e não deixou de aumentar a produção de alimentos, de aumentar a exportação de grãos”.
O presidente insistiu também que “a humanidade não pode continuar dependente do petróleo” e exaltou as recentes descobertas feitas pelo país. “Se vocês voltarem daqui a 10 anos, vão dizer que o presidente brasileiro é um xeque, tamanha a quantidade de petróleo que vamos estar produzindo”, exagerou, parafraseando o colega venezuelano, Hugo Chávez — que se referiu a Lula, meses atrás, como “novo magnata do petróleo”. “Mesmo assim”, continuou Lula, “eu insisto nos biocombustíveis porque acredito que são uma alternativa para conter as mudanças climáticas.”

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