Pra tudo há limite. Inclusive pra reivindicação de índio.

O debate em torno da demarcação indígena da reserva Raposa Serra do Sol é mais uma das demagogias baratas do governo Lula. Como disse o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, se a política da ocupação pretérita se exceder, em breve, a cidade do Rio de Janeiro terá de ser entregue aos índios.

A velha teoria de querer recompensar etnias castigadas pela história do país em tempos presentes mostra-se, mais uma vez, ineficiente. Com a chegada do homem branco à Pindorama (atual República Federativa do Brasil, hehehe) a cultura, a religião e a sociedade indígena sofreram expressivas mudanças. O que era somente deles passou a ser dos europeus e hoje é de todos os brasileiros.

É triste? Sim. Por causa disso, os índios deveriam ser recompensados? Sim. Mas para tudo há limite, inclusive para recompensas.

Arrozeiros invadiram o território de propriedade indígena? Sim. Mas um fato não pode ser negado. A região prosperou economicamente favorecendo inclusive aos índios. E outra, essas ocupações aconteceram há muito tempo atrás. Se até agora a questão não foi solucionada, a culpa não é dos índios e rizicultores. O ônus é da ineficiência da política indígena do governo.

O fato é que desde aqueles tempos, a área sofreu mudanças significativas. Querer, agora,  depois de muito tempo, desocupar fazendas produtivas de arroz para que os “injustiçados pela história” a tomem é comprometer toda uma região responsável pela maior produção de arroz no estado de Roraima. Sempre é bom lembrar também que a demarcação sugerida pela Presidência da República foi feita baseada em um levantamento antropológico fraudado.

Tratamentos distintos

Outra coisa. Quando detiveram Quartiero, os policiais federais apreenderam na casa dele várias armas e bombas. Beleza. Sendo assim, por que também não apreenderam as armas brancas dos índios? Só porque são “pobres” índios? Ora, arma branca também mata!

Ontem, garimpeiros e integrantes do MST bloquearam e danificaram parte da ferrovia Carajás, no Pará. A manifestação desses quase, digamos, trotskystas; paralisou a circulação de trens da Vale na região. Alguém foi preso? Claro que não.

Se para Tarso Genro, os rizicultores são terroristas porque usaram de armas contra índios, então, seguindo essa lógica, o MST também é um movimento terrorista, pois utiliza-se de armas para dominar terras alheias e, quando bem entendem, bloqueiam estradas, invadem edifícios públicos e promovem a desordem geral.

Me desperta curiosidade os métodos de classificação pelo governo dos movimentos ditos sociais. Fazendeiros que defendem sua plantação são terroistas, mas as Farc, por exemplo, não são.

Ontem, em uma audiência na Câmara dos Deputados sobre a reserva Raposa Serra do Sol, o índio Jecinaldo Sateré Maué, dirigente da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), tentou jogar um copo de água contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Insatisfeito por não ter acertado seu alvo, o indígena lamentou não estar com uma flecha.

Vejam, tal ato não justificaria o camarada ser repreendido e levado imediatamente pela Polícia Legislativa? Mas não foi o que ocorreu.

Até onde essas pessoas “vítimas da história” prosseguirão para requerer a restituição de tudo que julgam terem perdido? E o pior, com uma condescendência exagerada do governo. Um governo com viés populista e demagogo.

Se o Estado foi severo com o arrozeiro que lutou para defender sua plantação, parece-me injusto não agir com semelhante rigor com o MST e demais arruaceiros que vivem a incomodar a ordem pública.

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