Da Reuters. Volto depois
O Exército vai desocupar o Morro da Providência, anunciou nesta terça-feira o ministro da Defesa, Nelson Jobim, pouco depois de a Justiça Eleitoral do Rio ter embargado uma obra social na comunidade, feita com acompanhamento do Exército.
“Fomos surpreendidos, porque a Justiça Eleitoral determinou a suspensão das obras. A presença do Exército faz sentido apenas se as obras forem realizadas”, afirmou o ministro a jornalistas. Segundo Jobim, se as obras forem retomadas os militares voltarão.
A Justiça Eleitoral decidiu embargar as obras do projeto Cimento Social, do senador Marcelo Crivella (PRB), candidato à Prefeitura do Rio em 2008, sob argumento de que o convênio entre os Ministérios da Defesa e das Cidades só foi firmado em 2008, ano de eleições municipais, apesar de as obras terem começado em 2007.
Segundo o juiz Fábio Uchôa, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), a obra tem caráter eleitoral e poderia trazer benefícios eleitoreiros ao senador.
A polêmica sobre a presença do Exército na favela veio à tona depois da morte de três jovens, detidos no morro por militares que integravam a tropa que cuidava do projeto.
A Justiça Federal do Rio havia ordenado a saída das tropas na semana passada, mas o Tribunal Regional Federal acatou recurso da Advocacia Geral da União (AGU), autorizando a permanência temporária dos militares em uma área restrita.
A Justiça Eleitoral também recebeu uma denúncia de que material do senador faria menção à obra na Providência, assim como o site do parlamentar na Internet citava o projeto social.
“No ano em que se realizar eleição, fica proibida a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da Administração Pública, exceto nos casos de calamidade pública, de estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior …”, afirmou o juiz na decisão.
Os 11 militares acusados de envolvimento na morte dos jovens foram indiciados por homicídio triplamente qualificado e podem pegar uma pena de 90 anos de prisão. Eles estão presos administrativamente, sendo que quatro tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça Militar.
Voltei
Da mesma forma que Voltaire defendia o direito da liberdade de expressão – “Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la”, eu defendo o direito de as pessoas optarem em seguir suas religiões. O que questiono – e com veemência – é o uso indevido da religião para fins extremamente pessoais e, por que não(?), políticos!
O fato de o projeto Cimento Social estar sob coordenação de um bispo da Igreja Universal, o senador Marcelo Crivella (PRB), seria o suficiente para crermos que o projeto seria um verdadeiro paraíso? Vimos que não! Está mais para Apocalipse, no sentido literal da palavra.
Ao contrário do que muitos pensam, Apocalipse não significa “o fim das coisas”, mas sim “revelação”.
Para dar andamento nas obras do projeto, o bispo conseguiu apoio dos ministérios da Defesa e Cidades, justo em ano eleitoral. Até aqui, parece tudo bem.
Mas vejam que interessante. Depois da morte dos três jovens do morro da Providência, com participação direta de 11 militares do Exército, a Justiça decide que as Forças Armadas devem sair do morro e que o projeto é de caráter eleitoreiro. Então, faço uma pergunta capciosa: se acaso esses jovens não tivessem morrido, será que a Justiça Eleitoral paralisaria as obras como fez agora? Creio que não. Infelizmente, há verdades que aparecem somente depois de uma tragédia.
Quanto ao senador e bispo Marcelo Crivella, leia abaixo (em azul) uma matéria da Folha Online.
Documento do serviço reservado do Exército afirma que um assessor do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) negociou com traficantes do morro da Providência uma espécie de política de não-agressão durante a ocupação da favela para o projeto Cimento Social, defendido pelo parlamentar.
Segundo o relatório, os locais de obra foram escolhidos pela associação de moradores local, em comum acordo com os assessores de Crivella –”Eduardo de tal” e “Gilmar de tal”. Essa informação reforça o componente político da obra, que teve parecer contrário do Comando Militar do Leste para o Ministério da Defesa.
A assessoria do senador Marcelo Crivella, pré-candidato à Prefeitura do Rio, nega a negociação e que haja assessores com esses nomes lotados em seu gabinetes. Crivella não quis dar entrevistas.
Por meio da assessoria de imprensa, a Presidência da República confirmou que o senador Crivella discutiu o projeto com o presidente Lula, que gostou da idéia, mas não respondeu sobre os trâmites da decisão de fazer a obra por meio do Ministério das Cidades e do Exército.
De acordo com o documento, revelado pelo jornal “Extra” em 6 de abril, o assessor descrito como “Eduardo de tal [por desconhecimento do sobrenome]” afirmou ter conversado com “a cúpula dos traficantes na comunidade” e garantido a segurança dos operários durante as obras, em encontro em outubro na Providência com três militares.
“Estes [traficantes] garantiram que não haveria qualquer tipo de retaliação, desde que não fossem incomodados. Segundo o assessor, os traficantes querem as obras, pois também são moradores da comunidade e se comprometeram, inclusive, a desmobilizar as “bocas-de-fumo” que estiverem próximas ao locais de execução [de obras]“, descreve o documento.
A reunião, no dia 5 de novembro, foi monitorada todo o tempo, segundo o Exército, por “seis elementos pertencentes à facção criminosa Comando Vermelho, que domina o tráfico de drogas na comunidade”.
De acordo com o documento, o representante da associação de moradores, conhecido como Nelson, “dirigiu-se aos elementos que mobiliavam [sic] a “Boca do Barão” para que fosse autorizado o deslocamento dos visitantes na rua Bento Teixeira, uma vez que o canteiro de obras passa no local da boca-de-fumo. A solicitação foi aceita pelos traficantes e estes não causaram problemas à comitiva, embora tenham permanecido todo o tempo no local”.
As 80 casas da primeira etapa do “Cimento Social” ficam na localidade conhecida como “Laje”, justamente onde fica a boca-de-fumo “Boca do Barão”.
Durante toda a visita, ainda segundo o documento, a comitiva foi observada por um olheiro em uma guarita, usada como ponto de observação para as ruas de acesso ao morro.
O representante dos moradores pediu a um dos oficiais que o apresentasse ao responsável pela segurança da obra, com o objetivo de “inteirar-se do esquema de segurança e acertar detalhes de relacionamento com os traficantes locais” na execução das obras.
O bispo sabe muito bem que Deus não ama ao pecado, mas sim o pecador. E o bispo que me perdoe, mas negociar com traficante é um pecado. Ah, desrespeitar as leis dos homens também pode configurar pecado. E uso eleitoreiro do Exército é crime eleitoral. Mais um pecado.
E do pecado só pode sair mais pecado. Nesse caso, a morte dos três jovens.
Como diz o famoso bordão: o que começa errado, termina errado.
Sr. Leandro Vieira, julgar alguém sem que haja provas concretas de seu envolvimento com qualquer deliquente, primeiramente é uma função do magistrado, depois de ser feita uma investigação criteriosa pelos meios de investigação, pegar uma informação ali e outra ali e afirmar que quem esta envolvido em um projeto social é um pecador e mais, é alguém que comete crime, é muito perigoso, não só para a nossa legislação mas também para a lei de Deus, aprenda um coisa tudo o que nós plantamos, um dia colheremos!!!