Ontem, publiquei um post sobre o motivo que leva o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, manter restrição ao modelo brasileiro de produção de etanol e proteger mercado interno americano de álcool. Os dois principais assessores de Obama em sua campanha têm relações muito próximas com indústria do setor. Ou seja, os lobistas do estão (in)diretamente ligados com o candidato.
A ligação de Obama com o setor de produção de álcool através do milho vai muito além de seus contatos nos bastidores. Coincidência ou não, Iowa, o maior produtor de milho do país, foi o primeiro estado onde ocorreram as prévias. Como Obama sabe que a agricultura do milho é importante naquele estado, não deixou por menos; apoiou abertamente a produção do álcool derivado do grão e, com isso, conquistou os votos daquela região e levou as primárias.
Tudo bem que ser estrategista em uma eleição não prática passível de maledicência. O discurso protecionista de Obama ao se referir à indústria local soa nacionalista e coerente com os propósitos da manufatura milho-alcooleira. É passível de reprovação a falta de propostas do candidato democrata no que tange ao combate à fome.
O que ele tem de plano concreto? Quais são as metas estabelecidas?
O discurso de “Change” e “Yes, we can” é massivo. Agita as pessoas e provoca aplausos demorados. Grande coisa!
Obama defende a produção americana de etanol através do milho, mas não explica como vai combater a inflação alimentícia, que é conseqüência clara do excesso de subsídios aos produtores locais e restrição ao modelo internacional – como o brasileiro, por exemplo. O modelo estadunidense compromete o abastecimento de grão de milho para o mercado consumidor. Também afeta certeiramente a produção de ração bovina, que aumenta o preço da carne. Daí vem a inflação.
Essa é mais uma prova de que os discursos de Obama não passam de palavrórios fúteis e de extrema mesquinhez. Eu já disso isso aqui. Leia abaixo (em azul) coluna publicada aqui no blog, no dia 5 deste mês.
Obama não me engana
Eu não gosto de nada que seja demasiadamente popular e exaurientemente revolucionário. E quem, no cenário atual, representa de forma simultânea esses dois aspectos? Respondo: Barack Obama. Sim, eu NÃO gosto dele.
O candidato democrata tem uma boa oratória. A faz em linguagem simples, direta e objetiva, tipo de discurso ideal para ignorantes em política. Mas, se analisar as palavras de Obama de uma forma sucinta, percebe-se que não passa de palavrórios superficiais e sem nenhum conteúdo interessante e relevante.
Levantar a bandeira populista de “mudança” atrai voto e chama a tenção dos eleitores exaustos dos oito anos da administração Bush e, num cenário recente, da recessão econômica.
Na última terça-feira, Obama alcançou o número máximo de delegados, o que lhe garante a disputa pela Casa Branca como o candidato oficial do partido Democrata. No mesmo dia, Hillary discursou a Valsa da Desistência. Quando todo mundo esperava uma despedida da corrida eleitoral, discorreu sobre os apoios obtidos por ela, agradeceu seu público e exasperou Obama. Na verdade, Hillary não quer ser vista como a pessoa que dividiu o partido em um momento em que os Democratas precisam de unidade e mobilização.
Não há dúvidas de que o cenário atual reflete os holofotes no “DEM” americano. Todavia, subestimar os Republicanos pode ser um erro crucial. John McCain (meu velhinho “tá” com tudo!) conseguiu descolar sua imagem da administração Bush e basear sua plataforma eleitoral de uma forma uníssona aos eleitores conservadores.
Frente a esse cenário, é extremamente vantajoso uma união entre Hillary e Obama. É a chamada “chapa dos sonhos”. Caso essa aliança concretize-se, os 18 milhões de eleitores de Hillary poderão migrar para a base de Obama. É um número que candidato nenhum pode desprezar.
Apesar dessa aparente lua-de-mel, o processo para unir os dois democratas é complexo. Só para exemplificar; enquanto Obama apresentava-se como o pós-racial, Hillary referia-se a ele como o candidato do gueto. Unificar o discurso depois das farpas trocadas não um artifício pueril.
Cientistas políticos norte-americanos ouvidos pelo jornal The New York Times apontam outra futura baixa: o estrelismo dos Clinton. Se a chapa dos sonhos sair, Hillary não contentar-se-ia em ter a imagem de uma mera vice, o que a levaria a buscar espaço na mídia de uma forma intensa. Com isso, um conflito de, digamos, espaço, seria mais um problema a ser considerado.
Impropérios de lado, cabe uma reflexão: quem é o candidato Obama? O homem e o senador Obama já conhecemos. Mas nesse processo eleitoral, quem é?
Especialistas o apontam como o “fenômeno” com a capacidade de se colocar como o candidato além do padrão americano.
Isso me remete ao fenômeno Lula. Populista, demagogo e revolucionário tão quanto.
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