Da Folha de S.Paulo
Um detalhado memorando interno do Partido Republicano sobre o estado da campanha presidencial indica ter sido acertada a estratégia de John McCain ao elevar o tom dos ataques contra o democrata Barack Obama. Por conta dessa fase mais virulenta, McCain estaria conquistando posições em alguns Estados vitais para a eleição da próxima terça-feira.
O documento republicano foi preparado por Bill McInturff, responsável por pesquisas dentro da legenda. Ele relata haver levantamentos reservados com sinais de fortalecimento de McCain entre eleitores em zonas rurais e entre simpatizantes democratas que ainda não decidiram em quem votar.
É importante notar que as pesquisas de opinião na maioria dos Estados mais relevantes mostram ainda Obama à frente de McCain, embora muitas vezes dentro da margem de erro. A Flórida é um caso. Na semana passada, o “Miami Herald” divulgou um levantamento dando 49% para o democrata e 42% ao republicano. A diferença parece grande, mas a margem de erro era de 3,5 pontos -ou seja, havia empate técnico.
A eleição nos EUA é indireta. É o Colégio Eleitoral que escolhe o presidente. Nele votam delegações de cada Estado, proporcionais à sua população, de acordo com o vitorioso local. Em muitos, o voto já está definido segundo o partido. Os que ainda estão em dúvida são chamados de “Estados-pêndulo”.
Joe, o encanador
No relatório republicano, a interpretação do partido é que parece ter colado no eleitorado dos “Estados-pêndulo” a história de Joe, o encanador. Trata-se de um eleitor escolhido por McCain para sintetizar o americano médio, empreendedor, que supostamente seria prejudicado com a eleição de um “liberal” -o que, nos EUA, tem a conotação de “político gastador” que aumenta impostos.
Outro sucesso da campanha foi colar em Obama a pecha de liberal, no sentido americano do termo. McInturff comemorou: “Agora, 59% dos eleitores em Estados-pêndulo descrevem o senador Obama como um “liberal”, percentual superior aos dos [democratas] derrotados [Al] Gore e [John] Kerry, e significativamente maior do que os dos presidentes [democratas Bill] Clinton e [Jimmy] Carter”.
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