Questão palestina impõe escolhas difíceis

Da Folha de S.Paulo

Com o domínio do Hamas em Gaza aparentemente incontestado, e sua popularidade crescendo na Cisjordânia, o governo Obama terá que fazer uma escolha: apoiar um governo palestino de união, como querem o Egito e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, ou continuar a isolar o Hamas e a concentrar-se em reforçar a Cisjordânia como alternativa política ao islã radical.
A questão é urgente devido ao esforço internacional para reconstruir Gaza e ao mesmo tempo tentar evitar que o Hamas fique com o crédito pela reconstrução, como fez o Hizbollah no sul do Líbano após a guerra de 2006. Mas a escolha é mais fundamental que isso. Ela vai ao cerne do que o presidente Barack Obama poderá realizar num processo de paz israelo-palestino quando o lado palestino continua dividido.
Em telefonemas a líderes do Oriente Médio, na quarta, Obama não revelou para qual lado pende. [No pronunciamento de ontem à tarde, ele pareceu mais inclinado a prosseguir no isolamento do Hamas, como quer Israel, embora tenha pedido que o país aliado abra as fronteiras de Gaza à ajuda humanitária e ao comércio].
Mas especialistas no Oriente Médio estão ansiosos para ouvir se o governo Obama vai tentar criar um governo palestino unificado e digno de crédito que possa negociar e implementar um relacionamento de Estado para Estado com Israel, a essência da chamada solução de dois Estados que vem dominando as negociações de paz.
“Este é um momento de escolhas difíceis, em que nenhuma das abordagem dominantes apresenta vantagens evidentes”, disse Gidi Grinstein, do Instituto Reut, em Tel Aviv. “Obama está sendo pressionado a optar por um governo palestino de união nacional e um acordo abrangente. Mas seria um erro empurrar a solução de dois Estados a um momento da verdade quando, do lado palestino, estão ocorrendo tanto uma guerra civil quanto uma crise constitucional profunda.”

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