Do Correio Braziliense
Em meio a uma crise administrativa e outra econômica mundial, os servidores do Senado esperam receber uma boa notícia em breve. O sindicato dos funcionários apresentará nesta semana ao primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), uma proposta de reajuste salarial para compensar a recente perda das chefias. “Queremos que haja uma acomodação dessa lógica numa outra estrutura”, disse ontem ao Correio o presidente do Sindicato dos Servidores Legislativos (Sindilegis), Magno Mello.
O presidente do Sindilegis diz que essa seria uma forma de “reestruturar” a carreira dos funcionários. Segundo ele, a Casa pode parar caso os servidores não sejam compensados pelas perdas das gratificações. “Se a gente aderir ao discurso de que a crise econômica impede a solução, o sofrimento dos colegas perdurará. Se queremos um Senado produtivo, isso é necessário”, ressalta. “A Mesa Diretora tem que enfrentar um dilema: ou se desgasta com a sociedade discutindo esse problema conosco ou se desgasta ainda mais deixando o Senado à deriva.”
O sindicalista argumenta que o último aumento linear dado aos servidores foi em 2004. A média salarial dos 3,3 mil funcionários efetivos do Senado é de R$ 12 mil, cerca de 25 salários mínimos. Com o bônus dado a quem ocupa uma função diretiva, o valor beira os R$ 15 mil. Para Magno Mello, os servidores do Senado não ganham à altura da responsabilidade que assumem. “O Senado trabalha com um mercado muito específico, dos servidores que desempenham atividades essenciais ao Estado. O Senado não pode se comparar a uma padaria, mercearia e supermercado”, explica.
A Casa gasta, por ano, R$ 2,1 bilhões com sua folha de pagamento, incluindo os efetivos, os 2,2 mil aposentados e os 2,8 mil de confiança. O argumento do sindicato para o reajuste é o de que o crescimento desenfreado de diretorias nos últimos anos ocorreu para dar gratificações nos salários e suprir a ausência de aumentos oficiais. Isso criou um efeito cascata para os demais cargos.
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