Ai, que preguiça!
Em um momento de insanidade, entrei no Observatório da Imprensa e dei de cara com um texto de Alberto Dines. Ele se acha o Castilho do jornalismo. Não sei porque razão, Dines se auto-conferiu competência para ser o grande puxador de orelhas da imprensa.
Abaixo, reproduzo o artigo desse gigante do jornalismo. No texto, vê-se uma pobre e vil tentativa de construir uma filosofia sobre a cobertura do caso Universal.
É de dar um dó (isso mesmo, no masculino).
Faço algumas intervenções em vermelho.
Novo round na guerra santa
Qualquer guerra é perversa, mas a guerra em nome de Deus é coisa do Diabo.
A dosagem de besteiras já começa por aqui. Exijo que Dines me aponte em que o Diabo esteve envolvido na queda das muralhas de Jericó, por exemplo. A tempo: sim, essa guerra era em nome de Deus.
Denunciar as eventuais falcatruas dos líderes de uma seita religiosa é uma obrigação das autoridades, também da imprensa, mas é impiedoso ignorar as convicções dos seus fiéis.
Em que momento a convicção religiosa de alguém foi ignorada? Em nenhum momento vi algum jornal criticando a santíssima trindade. Em nenhum momento vi apologia ao ateísmo ou crítica a quem professa qualquer tipo de fé.
Pobre dissertação!
Na terça-feira (11/8), a Folha de S.Paulo noticiou com grande destaque: “Universal é acusada de lavar dinheiro”. A pedido do Ministério Público de São Paulo, a Justiça abriu na véspera uma ação criminal por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha contra dez dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), entre eles o seu dirigente máximo, bispo Edir Macedo.
A IURD, enquanto confissão religiosa, não estava sendo denunciada, nem os seus oito milhões de devotos e crentes – a manchete da Folha foi formulada de maneira preconceituosa.
Pelo amor de Deus!!!
Se o líder máximo da igreja usa dinheiro da instituição para benefício próprio, a igreja, indiretamente, tem participação no processo. A manchete da Folha não foi preconceituosa, foi lógica.
Partindo do pensamento bocó de Dines, nenhum jornal mais poderá noticiar que o Banco Central reduz juros, uma vez que quem decide a política monetária são o presidente da instituição mais alguns diretores. Para Dines, o correto seria noticiar Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, mais conselho de diretores reduzem juros.
Naquela mesma noite, o Jornal Nacional da TV Globo dedicou 11 minutos – na TV, uma eternidade! – à repercussão do noticiário daquela manhã.
Da quarta-feira (12/8) até domingo (16), toda a grande mídia aderiu com gosto ao pesado bombardeio contra o bispo Macedo e o seu conglomerado que inclui 23 emissoras de TV, entre elas a Rede Record, 78 rádios (próprias e arrendadas), três jornais e outras 16 empresas em diversos segmentos.
O que seria “grande mídia”? Um disco de CD enorme? Um DVD virgem com cinco metros de diâmetro?
Por favor, grande mídia, não; grande imprensa, sim.
Não é a primeira vez que o grupo empresarial é alvo de investigações relacionadas com o recolhimento dos dízimos pagos pelos fiéis e indevidamente embolsados por Edir Macedo e seus parceiros, a maioria destacados dirigentes da Igreja Universal. Mas aqueles que freqüentam os templos, participam dos cultos e seguem a sua Teologia da Prosperidade não deveriam ser misturados às supostas trapaças de seus sacerdotes.
Aponte-me em que reportagem da TV Globo um fiel foi exposto indevidamente, arrolando-o no processo de falcatruas de Edir Macedo.
É preciso não esquecer que o grupo ligado à Igreja Universal criou um partido, o PRB (Partido Republicano Brasileiro; antes chamava-se PMR), cujo membro mais destacado é o vice-presidente da República, José Alencar. O PRB faz parte da base aliada do governo e todas as suas concessões de radiodifusão são tão legais – ou tão ilegais – quanto a maioria das outras. A religião é o ópio do povo, mas Karl Marx ao criar a máxima não diferenciou os credos.
????????
Sem transparência
A ofensiva contra a Igreja Universal do Reino de Deus não parece espontânea, sugere alguns indícios de orquestração. É certo que as evidências são gritantes, parece irrepreensível o trabalho investigativo do Ministério Público baseado na quebra do sigilo fiscal e bancário dos envolvidos. O que causa alguma estranheza é a rapidez da formação da bola de neve midiática.
Ah, não! Eu não li isso.
Dines sugere que a imprensa entrou em comum acordo afim de veicular simultaneamente reportagens sobre o escândalo da Universal.
É… Quando os argumentos faltam, sobra a ignorância.
Vamos, então, rememorar algumas recentes “bolas de neve midiáticas”.
- Favorecimento de familiares em cargos públicos pelo senador José Sarney
- Possível conversa de Dilma Rousseff com Lina Vieira afim de acelerar as investigações contra Fernando Sarney
- Atos secretos do Senado Federal
- Lei de exploração do pré-sal
- Aumento das taxas de concessão de crédito dos bancos públicos
Enfim, tudo “bola de neve”. Assuntos que foram repercutidos – e ainda são – em diversos veículos de comunicação. Se seguirmos o raciocínio de Dines, chegaremos à conclusão de que as coberturas citadas acima configuram uma “orquestração” da “grande mídia”.
A Folha tinha legitimas razões para vingar-se das 107 ações quase simultâneas impetradas por fieis da Universal contra um primoroso levantamento conduzido pela repórter Elvira Lobato
Os grupos Globo e Edir Macedo são inimigos históricos, seus conflitos transcendem o âmbito empresarial e situam-se também no explosivo terreno religioso.
Como assim? A família Marinho também é dona de alguma seita que faz concorrência à Record? Quero provas.
Mas o resto da veiculação foi com muita sede ao pote: não levou em conta os interesses dos anunciantes e do próprio público, ambos interessados em manter o atual leque de opções.
Como é que é? Alberto Dines está crucificando a Globo porque não levou em contra os interesses dos anunciantes ao veicular matérias sobre a Universal? Ora, meu senhor, rasgue seu diploma de jornalista –se é que o tem – e vai cursar marketing. Desde quando uma reportagem deve ser submetida a interesses de anunciantes para ser veiculada?
E arrogantemente desconsiderou o enorme rebanho evangélico ao qual não foi oferecida qualquer compensação informativa, como se os oito milhões de crentes não importassem já que não lêem jornalões, revistões e a mídia nacional.
Então quer dizer que nenhum veículo pode noticiar qualquer coisa sobre qualquer religião por causa dos fiéis?
Logo, não poderemos mais noticiar nada sobre a Chevrolet em respeito aos proprietários de Vectra!
Eis a lógica Dines.
A criação de um escândalo alternativo ao de José Sarney convém a muitos grupos políticos. E, como sabemos, a mídia não consegue manter duas ofensivas simultâneas. O caso de Edir Macedo tem mais apelo popular.
A imprensa pode, sim, manter dois – ou mais –assuntos em evidência. Vá catar coquinho, sr. Dines. Três assuntos dominam a pauta dos grandes jornais de forma simultânea: Sarney, Universal e gripe suína. Que história é essa de questionar a capacidade da imprensa de conciliar assuntos?
Há quanto tempo Dines não abre um jornal? Há quanto tempo não toma uma boa dose de bom senso?