O Banco Central tinha razão

Por Fábio Gimbiagi, no Valor Econômico

Ao longo de boa parte de 2007, o Banco Central (BC) reduziu sucessivamente as taxas de juros, por meio das reuniões do Copom. Dando continuidade ao relaxamento monetário que tinha sido iniciado no terceiro trimestre de 2005, o Copom começou 2007 com a Selic em 13,25% e mediante reduções sucessivas diminuiu a taxa até 11,25%. Entretanto, na reunião de outubro, ele interrompeu o movimento e manteve a taxa naquele mesmo nível. Na ocasião, não faltaram críticas à decisão, a ponto de até mesmo uma autoridade de um órgão oficial de pesquisas ter qualificado a mesma como “absurda”, em incrível artigo de jornal. Pródigos em adjetivos, os críticos não economizaram qualificações, indo desde a tradicional acusação de que a decisão “atenderia aos interesses dos banqueiros”, até a alusão à “insanidade” das autoridades monetárias.

A visão dominante podia ser sintetizada na idéia de que a inflação teria tido um simples “soluço”; as expectativas continuariam muito bem comportadas; o que havia seria apenas um problema localizado nos alimentos; e o BC, ao interromper o ciclo de quedas da Selic, estaria vendo “fantasmas”. Tal visão lembra a famosa frase do empresário grego Stelios Haji-Toannou, fundador da companhia aérea Easyjet: “Se você pensa que segurança custa caro, experimente um acidente”. Àqueles que costumam se queixar do rigor do BC, não custa lembrar: em 1986, para não ter que arcar com os custos de uma política monetária dura, o Brasil experimentou deixar os juros baixos para ver o que acontecia. A experiência nos custou quase 10 anos de planos fracassados de estabilização. É bom não repetir o exemplo.

A pergunta que não quer calar é: ninguém vai pedir desculpas ao BC? Que fique claro: uma taxa de juros real maior tende a apreciar o câmbio real e isso, a médio prazo, não é bom. Entretanto, a idéia de que o BC via apenas fantasmas é uma fantasia retórica: a ameaça da inflação é algo concreto.

Vamos aos números. Em outubro, quando o BC fez uma pausa no processo de redução dos juros – que acabou depois revertido com o novo ciclo de alta – a inflação acumulada em 12 meses, pelo IPCA, estava em 4,1 %, depois de ter fechado em 3,1 % em 2006. A variável fechou 2007 em 4,5 % e nos 12 meses encerrados no mês em curso o IPCA-15 já está em 5,9 %. Mais ainda: o INPC, que capta o impacto do custo de vida no bolso dos mais pobres, tinha aumentado 2,8 % em 2006; esse aumento alcançou 5,2 % em 2007 e provavelmente até junho ultrapassará 7,0 %.

Os críticos da política monetária erraram de forma ampla, diga-se de passagem. Diziam que o que havia em curso era um soluço, quando o fenômeno de alta da inflação já dura um ano e meio. Alegavam que os alimentos ajudariam a conter a inflação em 2008 e nada disso está ocorrendo. Opinavam que as expectativas eram imunes ao que estava acontecendo com a inflação, mas a mediana da expectativa de inflação para 2009 das instituições “top five” de curto prazo que respondem ao Focus era de 4,0 % no começo do ano e já está em 5,0 %, com viés de alta. Julgavam que o problema estava no índice cheio e não nos núcleos, quando a média dos núcleos por médias aparadas e por exclusão, acumulada em 12 meses, que estava em 3,5 % em meados de 2007, atingiu 4,8 % nos 12 meses encerrados em maio, também com tendência de alta.

Não se quer com isso negar a anomalia histórica representada por uma situação na qual, 14 anos depois de um plano de estabilização bem-sucedido, a taxa de juros nominal no fim do ano seja da ordem de 14 %. Nem, muito menos, negligenciar o perigo de que, se a estratégia de combate à inflação centrada na política monetária, com o gasto público crescendo fortemente, se consolidar, o país colha em conseqüência uma continuidade da apreciação do real e o retorno do sinal vermelho associado ao setor externo, daqui a alguns anos. O que se quer frisar é que:

a) É preciso respeitar mais o Banco Central. Não é possível que algumas autoridades dêem entrevistas insinuando que o grande problema do país é o BC, como se ele fosse um corpo de outra galáxia e não um elemento fundamental do governo do qual tais autoridades formam parte;

b) É preciso reconhecer que o BC acumulou crédito. Ele acertou no atacado – independentemente de, como qualquer instituição composta por seres humanos, ter cometido alguns erros nas dezenas de decisões que lhe coube tomar nos últimos anos – e, desde que a meta de inflação foi fixada em 4,5 %, para o ano de 2005, entregou à sociedade brasileira uma taxa média em quatro anos de 4,9 %, supondo uma taxa de 6,3 % no ano em curso – um grau de acerto que a torna talvez a agência oficial mais eficiente do país, em matéria de rigor no cumprimento das metas de desempenho;

c) Há que se ter noção do que seja o processo histórico. Se hoje os EUA são aclamados como exemplo de política antiinflacionária bem-sucedida é porque Volcker, há 30 anos, jogou as taxas de juros “na Lua”, para 20 %. O BC brasileiro não tem a mesma credibilidade que os dos países desenvolvidos, mas certamente o país está melhor do que os EUA em 1979, em matéria de combate à inflação. Daqui a 10 ou 20 anos poderemos ser parecidos nessa matéria com os EUA ou a Europa de hoje e não ter que elevar muito os juros;

d) A coordenação de políticas é fundamental. Se a política fiscal ajudasse mais, as taxas de juros não teriam que subir tanto. Entretanto, se a política fiscal não ajuda, o BC acaba tendo que dar um combate solitário à inflação.

Atacar o BC é um erro. Poderá se converter em um erro muito pior se, como se especula, Meirelles deixar o cargo em 2009 e o ambiente de pressão inflacionária ainda vigorar. Mesmo que seu sucessor seja um técnico competente, um presidente do BC politicamente mais fraco dificilmente teria a força para, se for preciso, conservar uma política monetária austera. Que a oposição ataque o BC, é algo natural. Porém, que ele seja alvo do “fogo amigo”, hoje, é incompreensível – e, em 2009, poderá ser um problema grave.

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O Banco Central tinha razão

Investimento federal cresce, mas ainda é insufuciente

Do Valor Econômico

O governo federal passou a investir com mais força desde o ano passado, quando foi lançado o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas os valores ainda são bastante modestos. De janeiro a maio deste ano, a União investiu R$ 7,431 bilhões, o equivalente a 0,65% do Produto Interno Bruto (PIB), 23,9% a mais que no mesmo período de 2007, quando as inversões corresponderam a 0,6% do PIB. Os números são do Tesouro Nacional. Para analistas, o volume elevado de despesas correntes e a falta de flexibilidade no Orçamento ajudam a explicar o baixo volume de investimentos da União.

Para o economista Celso Toledo, sócio da E2 Economia, dada a atual estrutura fiscal, não há muito o que fazer para elevar o nível do investimento público. “Há uma rigidez muito grande”, diz ele.

Toledo nota que o governo tem três grandes despesas (incluindo aí as financeiras) – juros, aposentadorias e pessoal – que oferecem pouquíssima margem de manobra para o administrador público. Nesse cenário, o PAC pode ajudar a aumentar um pouco as inversões públicas, diz ele, mas não é possível uma elevação significativa. De 2007 até o dia 21 deste mês, os investimentos do PAC com recursos do orçamento federal totalizaram R$ 11,1 bilhões, o equivalente a apenas 34,2% dos recursos já empenhados para esse fim, segundo a ONG Contas Abertas.

O resumo da história é que o consumo do governo deixa pouco espaço para o investimento público, como nota a analista para a América Latina da Economist Intelligence Unit (EIU), Érica Fraga. Ela chama a atenção para o fato de que o consumo público no Brasil – equivalente a 19,7% do PIB em 2007 – é elevado para padrões internacionais. De uma lista de 145 países, o nível de consumo do governo no Brasil é o 34º. Ao mesmo tempo, o investimento (tanto o público como o privado) fechou 2007 em 17,6% do PIB, o que faz o Brasil aparecer na 122ª colocação da lista de 145 países.

É um quadro muito diferente do dos outros Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). A China investe 40,4% do PIB e o consumo do governo é de 14,1% do PIB. Segundo analistas, o nível elevado de investimento é um dos motivos que explicam a sustentabilidade do crescimento da China taxas superiores a 10% por tantos anos seguidos.

Para Érica, como o Brasil tem um governo que consome demais, “o setor público e o setor privado disputam recursos disponíveis na economia”, o que “pressiona o custo do dinheiro”. Uma das conseqüências negativas desse processo é que pioram as condições de financiamento para as empresas, com “impacto negativo sobre as decisões de investimento”.

Joaquim Elói de Cirne de Toledo, diretor de Gestão de Recursos de Terceiros da Nossa Caixa, diz que o consumo do governo no Brasil é de fato elevado e limita o espaço para o investimento público, mas observa que ele tem registrado até ligeiras quedas nos últimos anos. Depois de bater em 19,9% do PIB em 2005, caiu para 19,8% do PIB em 2006 e para 19,7% do PIB em 2007. “No primeiro trimestre deste ano, o consumo do governo cresceu 5,8%, o mesmo ritmo de expansão do PIB (na comparação com o mesmo período de 2007.”

Para Cirne de Toledo, também seria importante uma desaceleração na velocidade de crescimento do consumo privado, que avança a taxas robustas. Com o investimento e o consumo (privado e público) crescendo bastante, as contas externas têm se deteriorado rapidamente – o superávit em transações correntes registrado de 2003 a 2007 tem se transformado em déficits cada vez maiores, principalmente por causa do aumento das importações. Com isso, para preservar a alta do investimento sem deterioração abrupta das contas externas, a saída é fazer uma política fiscal mais restritiva e colocar um freio na expansão do consumo privado, com medidas que façam o crédito crescer menos.

Cristina Reis, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem uma visão diferente do processo. Para ela, o investimento público segue baixo porque está “engessado por um regime macroeconômico baseado em superávit fiscal, câmbio flexível e metas de inflação”. “É importante e necessário que, como na maioria dos países civilizados, o governo discuta política fiscal no sentido amplo e não apenas persiga uma meta de superávit primário isoladamente, que acaba sendo ajustada à custa do investimento”, diz. Segundo ela, a análise do período de 1950 a 1979 mostra que inversões públicas levaram ao crescimento das inversões privadas.

Investimento federal cresce, mas ainda é insufuciente

A mecanização do trabalho nos canaviais. Uma ventura e um pesar.

Do “Bom Dia Brasil”, da TV Globo. Comento depois

Uma rotina perigosa, em que falta o básico: segurança e salário. No rico interior paulista, o cultivo da cana-de-açúcar não pára de crescer, mas antigos problemas persistem. É difícil de acreditar que ainda seja possível encontrar cortadores de cana sem direitos básicos, adquiridos há décadas. Mas o que ainda se vê em muitas plantações, no interior de São Paulo, parece dar razão a quem critica o Brasil, por essas condições precárias do trabalho no campo.

As equipes do Ministério do Trabalho e do Ministério Público percorrem as lavouras de cana de açúcar atrás de irregularidades. A mais encontrada é a falta de equipamentos de segurança, como luvas e óculos de proteção. Em Anhembi, na região de Piracicaba, esses trabalhadores ganham em média R$0,11 por metro de cana cortada e reclamam dos constantes atrasos do pagamento. “Quanto tempo? Sempre dez dias ou doze”, revela um trabalhador.

Eles revelam que direitos trabalhistas não são pagos há dois anos. “Nem férias, nem décimo terceiro, nem abono de cana”, declara outro trabalhador.

Um ônibus transporta 25 trabalhadores, todos os dias, percorre mais de cem quilômetros e está em condições precárias. A começar pelos bancos, com estofamento todo danificado. Alguns assentos nem o encosto têm. O material de trabalho precisa ser deixado em um compartimento. No ônibus, ele é jogado perto da porta, o que poderia provocar um acidente em caso de freada brusca. O assoalho está furado. E placas inteiras do chão do ônibus estão se soltando.  Os pneus estão solados; e o pára-choque amarrado, com uma corda.

Mesmo nesse estado, o ônibus circula sem problemas e sem documentação. “A documentação está vencida. Estamos no despachante para arrumar ele”, afirma o motorista José Campioni.

O Ministério do Trabalho autuou o dono da área e a usina que compra a cana. O ônibus foi interditado. “Não dá para entender o fornecedor de usar e expor o trabalhador ao risco em uma condição tão ruim, como esse ônibus”, declara o coordenador de fiscalização Roberto Figueiredo.

As irregularidades contrastam com o bom momento do setor de cana que deve atingir uma safra recorde este ano com quase 500 milhões de toneladas. Além das multas do Ministério do Trabalho, o Ministério Público vai propor que empresas e fornecedores assinem um termo de compromisso para eliminar as irregularidades.

A Justiça ainda pode mover uma ação coletiva para reparação dos danos aos trabalhadores. A maioria é gente que veio do Nordeste em busca de um futuro melhor. “Não tem muita opção. Então, a gente vem para aqui”, afirma um trabalhador.

O Ministério Público do Trabalho de Campinas fiscalizou sete frentes de corte de cana e, em todas, foram constatadas irregularidades, como falta de equipamentos de segurança, transporte irregular e outras ameaças à saúde do trabalhador.

Voltei

Como sempre, há aquelas questões em que muitos titubeiam em colocar o dedo na ferida. No caso de trabalho braçal nos canaviais, vemos uma ínfima quantidade de pessoas combatendo-o de forma marcial.

Nesta semana, conversei com o diretor da revista Agrimotor. Segundo ele, até 2014 o trabalho nos canaviais do Estado de São Paulo será totalmente mecanizado e a mão-de-obra braçal será descartada.

Esta notícia precisa ser vista por dois pontos de vistas diferentes:

1- A mecanização dos trabalhos no campo acaba com os quefazeres rudes e extremamente sacrificantes. Praticamente um trabalho escravo; porém, assalariado. Dessa ótica, vê-se a necessidade iminente de aumentar a demanda tecnológica no campo. O custo para o produtor será mais alto, mas a sua produção será mais qualificada e mais ágil. O retorno será garantido.

2- Por outro lado, adotar o uso de máquinas onde antes se empregava mão-de-obra humana, terá um custo alto: o desemprego dos atuais trabalhadores. Embora levem uma vida difícil e dura, a sobrevivência de várias famílias depende da colheita manual da cana. Repor uma enorme quantidade de pessoas no mercado trabalho é uma tarefa não exeqüível em curto prazo.

A mecanização do trabalho nos canaviais. Uma ventura e um pesar.

Silas Malafaia. O deturpador da causa evangélica.

(Ler primeiro post abaixo)

Depois de ler este post, favor, clique aqui
Texto mais recente sobre o assunto, de 04/03/2010, clique aqui

Impressiona-me a capacidade de certos pastores de manipularem o pensamento crítico dos fiéis de suas igrejas. Silas Malafaia é um exemplo emblemático. Com sua oratória claramente parcial e com um viés soante ao fanatismo religioso, levanta multidões que lotam os templos de sua igreja.

Não me impressiona somente o poder persuasivo do pastor, mas também da falta de discernimento lógico dos fiéis.

O mundo da religião é perigoso. Há pessoas que se servem dos atributos ditos dogmáticos para difundirem ideais que vão de encontro com interesses de toda uma sociedade. Respeito muito a diversidade de religiões proliferadas nos últimos tempos. Há histórias e mais histórias de pessoas que mudaram de vida após ingressarem no meio carola – seja mudança material ou espiritual. Mas também há histórias em que o extremismo da crença provocou intolerância entre povos. Vide o Oriente Médio.

Quero deixar bem claro meu posicionamento: não sou contra Deus; pelo contrário, acredito em Deus e em todos os preceitos relacionados a ele. Sou contra a exacerbação do uso de seu nome para promover fanatismo e intransigência social. Deus não tem culpa disso, a culpa deve ser atribuída aos facínoras da religião, que interpretam as Sagradas Escrituras ao seu bel-prazer.

Graças a Deus, o Brasil é um país democrático. Manifestações são constitucionais e não violam nenhum preceito estabelecido. Se um dia, eu achar por bem reunir um monte de pessoas objetivando manifestarmo-nos pela obrigatoriedade de se lecionar Direito Civil nas escolas, podemos, claro. Se for acatado ou não é uma outra história.

Agora, milhares de evangélicos, que pregam a ordem e decência, que zelam pela prudência em todos os sentidos, apartam-se de toda a aparência maligna e maléfica – ou pelo menos deveria assim fazê-lo – ameacem invadir o Congresso Nacional; desculpem, isso eu não tolero.

O motivo do escarcéu: o Projeto de Lei 122, que torna crime a discriminação contra homossexuais. Está certo que o PL tem alguns exageros, como, por exemplo, não contratar um gay pode ser interpretado como discriminação. De certa forma, o PL em questão abre um precedente para a discriminação de tudo. Mas esse não é o tema deste post.

Prossigo.

O que há de ser sopesado é o interesse de toda uma sociedade em decisões tomadas dentro do Congresso Nacional. A comunidade GLBT é vítima de pré-acepção. Uma lei específica para proteger os integrantes dessa comunidade – em constante expansão – gera na meio cristão (incluo a católica) uma certa ansiedade. A Igreja, que só realiza união heterossexual, ver-se-á em um conflito inédito: o constrangimento de realizar uma cerimônia matrimonial entre duas pessoas do mesmo sexo.

Para os mais conservadores – como eu – é um espanto.

Não há dúvidas de que a causa é polêmica. Se aprovada, a lei baterá de frente com um dos discursos mais antigos da Igreja, a união heterossexual – uma determinação de Deus.

Eu, particularmente, não vejo com bons olhos esse PL. Para mim soa como uma hipérbole protecionista. Mas nem por isso uso os meus costumes, as minhas crenças, os textos bíblicos e a minha oratória para convocar fiéis a promoverem quebra-quebra no Congresso Nacional.

O senhor Silas Malafaia parece se esquecer que vivemos em um país democrático. Se há interesse da Igreja no indeferimento do Projeto de Lei, há uma outra parte da sociedade que vê com bons olhos sua aprovação.

Repudio o uso da religião e principalmente o nome de Deus para promover arruaça.

Repudio o uso indevido da Bíblia afim de romper com a regra social.

Repudio quem se acha profundo conhecedor de tudo só porque conhece os textos da Sagrada Escritura. Em um país laico, a lei maior é a Constituição, não a Bíblia.

Silas Malafaia. O deturpador da causa evangélica.

Evangélicos invadem Congresso contra projeto que criminaliza homofobia

Da Folha Online. Comento no post seguinte.

Um grupo de evangélicos tentou invadir o Congresso Nacional nesta quarta-feira em protesto contra a aprovação do projeto que criminaliza a homofobia (discriminação contra homossexuais) no país. Cerca de mil evangélicos fizeram uma manifestação em frente à sede do Legislativo para evitar a votação do projeto. Os manifestantes querem ter o direito de criticar a homossexualidade, sem punições estabelecidas na legislação.

O projeto está em discussão na CAS (Comissão de Assuntos Sociais) do Senado, sem previsão de entrar na pauta de votações do plenário. “Achamos que o problema da discriminação não atinge só os homossexuais, mas também os negros, as mulheres, até mesmo nós evangélicos. O projeto de lei dá poderes ditatoriais a uma minoria. Se um funcionário for dispensado de uma empresa, por exemplo, pode alegar homofobia e o dono da empresa vai ser preso por crime hediondo, inafiançável. Queremos trazer um projeto para proteger todas as minorias”, disse o deputado Rodovalho (DEM-DF), da Igreja Sara Nossa Terra.

Parte dos manifestantes pressionou seguranças do Senado para ingressarem na Casa. Houve empurra-empurra e princípio de tumulto em frente à entrada principal do Legislativo. O grupo fez orações contra a aprovação do projeto, conduzidos pelo pastor Jabes de Alencar, da Assembléia de Deus.

“Senhor, sabemos que há uma maquinação para que esse país seja transformado numa Sodoma e Gomorra [cidades bíblicas que teriam sido destruídas pelos excessos cometidos por seus moradores]. Um projeto desses vai abrir as portas do inferno”, disse o pastor.

Alguns dos manifestantes conseguiram ingressar no Senado e foram recebidos na presidência pelo senador Magno Malta (PR-ES). Evangélico, Malta ocupa interinamente a presidência uma vez que o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) está fora de Brasília. O pastor Silas Malafaia, da Assembléia de Deus, entregou um documento para Malta contra a aprovação do projeto. “Esse projeto de livre expressão sexual abre as portas para a pedofilia. É uma afronta à Constituição e à família”, disse o pastor.

O deputado Miguel Martini (PHS-MG), que integra a frente parlamentar em defesa da família e da vida, disse que o projeto quer “calar a boca” dos cristãos contrários à homossexualidade. “Nós amamos os homossexuais, porque são nossos irmãos, mas não amamos o “homossexualismo’. É um grande combate que estamos enfrentando entre luz e trevas. Não aceitamos discriminação de ninguém, mas não aceitamos sermos discriminados em nossas convicções religiosas.”

Críticas

Relatora do projeto no Senado, a senadora Fátima Cleide (PT-RO) criticou a mobilização dos evangélicos contrário à criminalização da homofobia. “Infelizmente alguns religiosos utilizam discurso político para tentar ludibriar as pessoas crentes e tementes a Deus. Há que se observar aí mais uma postura de intolerância, pois em qualquer religião há diversidade dos seres humanos”, afirmou.

O projeto, de autoria da ex-deputada Iara Bernardi (PT-SP), considera crime o preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. O texto foi aprovado pela Câmara no ano passado e tramita no Senado.

Evangélicos invadem Congresso contra projeto que criminaliza homofobia

Bando de cristãos protesta em Brasília

Neste momento (16h30), milhares de evangélicos estão no gramado do Congresso Nacional protestando contra o Projeto de Lei n.122, que torna crime a discriminação contra homossexuais.

Aquele pastor escandaloso – Silas Malafaia – foi quem organizou tudo isso.

Voltarei mais tarde para comentar. Agora estou sem tempo.

Bando de cristãos protesta em Brasília

O “proselitismo” do palavrório de Obama

Ontem, publiquei um post sobre o motivo que leva o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, manter restrição ao modelo brasileiro de produção de etanol e proteger mercado interno americano de álcool.  Os dois principais assessores de Obama em sua campanha têm relações muito próximas com indústria do setor. Ou seja, os lobistas do estão (in)diretamente ligados com o candidato.

A ligação de Obama com o setor de produção de álcool através do milho vai muito além de seus contatos nos bastidores. Coincidência ou não, Iowa, o maior produtor de milho do país, foi o primeiro estado onde ocorreram as prévias. Como Obama sabe que a agricultura do milho é importante naquele estado, não deixou por menos; apoiou abertamente a produção do álcool derivado do grão e, com isso, conquistou os votos daquela região e levou as primárias.

Tudo bem que ser estrategista em uma eleição não prática passível de maledicência. O discurso protecionista de Obama ao se referir à indústria local soa nacionalista e coerente com os propósitos da manufatura milho-alcooleira. É passível de reprovação a falta de propostas do candidato democrata no que tange ao combate à fome.

O que ele tem de plano concreto? Quais são as metas estabelecidas?

O discurso de “Change” e “Yes, we can” é massivo. Agita as pessoas e provoca aplausos demorados. Grande coisa!

Obama defende a produção americana de etanol através do milho, mas não explica como vai combater a inflação alimentícia, que é conseqüência clara do excesso de subsídios aos produtores locais e restrição ao modelo internacional – como o brasileiro, por exemplo. O modelo estadunidense compromete o abastecimento de grão de milho para o mercado consumidor. Também afeta certeiramente a produção de ração bovina, que aumenta o preço da carne. Daí vem a inflação.

Essa é mais uma prova de que os discursos de Obama não passam de palavrórios fúteis e de extrema mesquinhez. Eu já disso isso aqui. Leia abaixo (em azul) coluna publicada aqui no blog, no dia 5 deste mês.

Obama não me engana

Eu não gosto de nada que seja demasiadamente popular e exaurientemente revolucionário. E quem, no cenário atual, representa de forma simultânea esses dois aspectos? Respondo: Barack Obama. Sim, eu NÃO gosto dele.

O candidato democrata tem uma boa oratória. A faz em linguagem simples, direta e objetiva, tipo de discurso ideal para ignorantes em política. Mas, se analisar as palavras de Obama de uma forma sucinta, percebe-se que não passa de palavrórios superficiais e sem nenhum conteúdo interessante e relevante.

Levantar a bandeira populista de “mudança” atrai voto e chama a tenção dos eleitores exaustos dos oito anos da administração Bush e, num cenário recente, da recessão econômica.

Na última terça-feira, Obama alcançou o número máximo de delegados, o que lhe garante a disputa pela Casa Branca como o candidato oficial do partido Democrata. No mesmo dia, Hillary discursou a Valsa da Desistência. Quando todo mundo esperava uma despedida da corrida eleitoral, discorreu sobre os apoios obtidos por ela, agradeceu seu público e exasperou Obama. Na verdade, Hillary não quer ser vista como a pessoa que dividiu o partido em um momento em que os Democratas precisam de unidade e mobilização.

Não há dúvidas de que o cenário atual reflete os holofotes no “DEM” americano. Todavia, subestimar os Republicanos pode ser um erro crucial. John McCain (meu velhinho “tá” com tudo!) conseguiu descolar sua imagem da administração Bush e basear sua plataforma eleitoral de uma forma uníssona aos eleitores conservadores.

Frente a esse cenário, é extremamente vantajoso uma união entre Hillary e Obama. É a chamada “chapa dos sonhos”. Caso essa aliança concretize-se, os 18 milhões de eleitores de Hillary poderão migrar para a base de Obama. É um número que candidato nenhum pode desprezar.

Apesar dessa aparente lua-de-mel, o processo para unir os dois democratas é complexo. Só para exemplificar; enquanto Obama apresentava-se como o pós-racial, Hillary referia-se a ele como o candidato do gueto. Unificar o discurso depois das farpas trocadas não um artifício pueril.

Cientistas políticos norte-americanos ouvidos pelo jornal The New York Times apontam outra futura baixa: o estrelismo dos Clinton. Se a chapa dos sonhos sair, Hillary não contentar-se-ia em ter a imagem de uma mera vice, o que a levaria a buscar espaço na mídia de uma forma intensa. Com isso, um conflito de, digamos, espaço, seria mais um problema a ser considerado.

Impropérios de lado, cabe uma reflexão: quem é o candidato Obama? O homem e o senador Obama já conhecemos. Mas nesse processo eleitoral, quem é?

Especialistas o apontam como o “fenômeno” com a capacidade de se colocar como o candidato além do padrão americano.

Isso me remete ao fenômeno Lula. Populista, demagogo e revolucionário tão quanto.

O “proselitismo” do palavrório de Obama