A avalanche de fatos relevantes e o trabalho da imprensa. Uma lástima!

Ontem aconteceram muitos fatos relevantes. Fatos esses que o jornalismo, de uma maneira geral, não deve deixar de apreciar e noticiar para seus leitores, ouvintes e telespectadores. A função do jornalista é informar. Como diria Heródoto Barbeiro: é contar a uma parte da sociedade o que a outra está fazendo.

Veja abaixo algumas das principais manchetes do dia.

Lula tira Executivo de debate da Lei da Anistia – trata-se de um tema atual e de extrema relevância histórica. Se, por acaso, a pretensão de Tarso Genro (de rever a Lei de Anistia, de 1979) ganhar coro, vários anistiados ver-se-ão frente a possibilidade de se tornarem réu em uma ação que, a princípio, já foi devidamente julgada;

Obama e McCain alertam Rússia para conseqüência do conflitoum conflito internacional de grande relevância foi comentado pelos dois presidenciáveis americanos. O que tem de importante nisso? Ora. Tudo! Analisando os discursos de McCain e Obama sobre um cotejo internacional, tem-se base para captar a visão de diretrizes para resolução de conflitos de ambos; que são, repito, candidatos à presidência da maior potência mundial – só isso!;

Petrobrás deve ampliar produção em 460 mil barris/diano momento em que o Governo Federal preocupa-se com um hipotético monopólio petrolífero da Petrobrás e ao mesmo tempo cogita a criação de uma nova estatal do setor; uma notícia como essa merece pelo menos uma nota pelada;

TCU falhou em fiscalização de obras em aeroportos, diz Infraero   Lembram-se no auge do caos aéreo, quando rumores de que verbas da Infraero para construção e ampliação de aeroportos estavam sendo desviadas? Pois bem. Tal conclusão partiu de um relatório do TCU. E agora, diz-se que o documento contém erros. Desimportante, não?;

Gmail sai do ar e deixa milhares de usuários sem acessoem tempos em que respira-se Internet, a falta de um correio eletrônico equipara-se à ausência de um telefone fixo, mesmo sabendo que existe o celular, entenderam?;

Na ONU, Rússia diz que não votará por cessar fogoo leste-europeu sempre esteve em chamuscas. Agora, a coisa está começando a tomar proporção ligeiramente maior;

Enfim, se eu fosse listar aqui todos os fatos de destaque, levaria algumas horas.

Diante de todos esses acontecimentos, como deveria ser a edição do maior jornal da televisão brasileira?

Veja abaixo os destaques de ontem do Jornal Nacional

Famílias de judocas vibram com bronzes em Pequim,

Angolano João Tyamba disputa sexta Olimpíada,

Bate-papo com dois heróis olímpicos do Brasil – Leandro Guilheiro e Ketleyn Quadros,

Temporais deixam o Sul do Brasil em alerta,

Bush exige retirada de tropas russas da Geórgia,

São do judô as primeiras medalhas do Brasil,

Outros atletas brasileiros vivem fortes emoções olímpicas,

Fátima Bernardes faz entrevista exclusiva com Bernardinho e Bruno,

Uma prova para entrar na história da natação,

Duplas brasileiras vencem no vôlei de praia,

Seleção masculina de futebol se muda para Qinhuangdao,

Animador de torcida cai e se machuca no intervalo de uma partida de basquete,

Mercado financeiro: Bolsa cai, dólar sobe e Petrobrás anuncia lucro recorde.

Sim, estas são as manchetes – fatos mais importantes do dia – do Jornal Nacional. Você pode consulta-las aqui.

Engraçado é ver parte da própria imprensa criticar a falta de informação do povo brasileiro. Ler jornais e revistas, como se sabe, não é hábito do grande público. Os motivos: a abordagem, apesar de relevante, na maioria das vezes traz temas de difícil compreensão. Por fim, os preços de serviços de assinaturas não são acessíveis para a maioria. As alternativas que sobram resumem-se ao rádio e TV. Nessa dupla, a televisão leva a vantagem pelo o fato de ter imagem.

Sendo o telejornalismo o meio mais acessível ao grande público, por conseguinte, deveria ser o canal pelo qual o público deveria ter o maior número de informações relevantes possível.

Jornalismo também é cultura e educação.

Mas deixa pra lá. né! O judô ganhou bronze. Isso sim é muitíssimo importante!

É lamentável ter de confessar isso, mas vejo que a imprensa, de uma forma geral, é coadjuvante no processo de bestificação do homem.

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