Deputados americanos reprovam pacote. Bolsas desabam.

Da Folha de S.Paulo

A rejeição ao pacote do governo Bush de socorro aos mercados derrubou as Bolsas pelo mundo e revelou um fracasso de liderança política de dimensões quase tão grandes quanto a crise econômica. Apesar do apoio do governo, dos líderes democratas e republicanos no Congresso e dos principais candidatos à Presidência, o projeto com ajuda de até US$ 700 bilhões às instituições financeiras caiu na Câmara com 228 votos contra e só 205 a favor.
O histórico fracasso político aconteceu mesmo após um acordo entre as cúpulas dos partidos Democrata e Republicano, costurado durante o final da semana e que recebeu o apoio expresso dos candidatos democrata Barack Obama e republicano John McCain.
O índice Dow Jones da Bolsa de Nova York recuou 6,98% e teve a pior queda de sua história em pontos num único dia.
No Brasil, a baixa foi de 9,36% na Bovespa, após a Bolsa desabar 10,16% e acionar o “circuit break”, sistema que interrompe os negócio por meia hora. Foi a primeira vez que isso ocorreu desde 14 de janeiro de 1999, época da desvalorização do real. O dólar quase bateu em R$ 2,00, mas fechou a R$ 1,966, com alta de 6,21%.

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Deputados americanos reprovam pacote. Bolsas desabam.

Incra é o maior desmatador do país

Da Folha de S.Paulo

Assentamentos federais de reforma agrária ocupam os seis primeiros lugares do ranking dos cem maiores desmatadores da Amazônia Legal. A lista foi divulgada ontem pelo Ministério do Meio Ambiente em resposta a um novo aumento no ritmo de abate da floresta, registrado em agosto.
De acordo com a lista, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, autarquia vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário) foi multado em R$ 265,6 milhões por desmatamento em oito assentamentos diferentes, todos localizados no Estado do Mato Grosso.
O valor equivale a 35% do total de multas aplicadas aos maiores desmatadores pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
Com R$ 32,3 milhões em multas, Léo Andrade Gomes aparece na lista logo depois do Incra, como responsável pelo corte de floresta em fazendas em dois municípios do Estado do Pará: Santa Maria das Barreiras e Santana do Araguaia.

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Incra é o maior desmatador do país

Petróleo e economia elevam aprovação a Lula, diz Ibope

Da Folha de S.Paulo

O impacto da descoberta de petróleo na camada do pré-sal e o desempenho da economia brasileira fizeram subir a avaliação positiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu governo, revela pesquisa do Ibope realizada para a CNI (Confederação Nacional da Indústria) e divulgada ontem.
No levantamento, 69% consideraram o governo Lula “ótimo/bom”. É a segunda melhor avaliação até hoje no histórico da pesquisa -em setembro de 1986, o governo do ex-presidente José Sarney conquistou 72% de “ótimo/bom”, no auge do Plano Cruzado.
A aprovação pessoal de Lula é ainda mais alta, chegando a 80%, o maior patamar desde março de 2003. Em setembro, o Datafolha registrou que 64% da população brasileira consideravam o governo Lula “ótimo ou bom”, também um recorde em sua avaliação positiva.
O Ibope fez 2.002 entrevistas em 141 municípios, no período de 19 a 22 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
A pesquisa mostrou que os brasileiros ainda não sentiram os reflexos da crise econômica mundial. Vale ressalvar que o sinal mais claro do impacto da crise no Brasil apareceu dia 24 de setembro, quando o Banco Central tornou mais flexíveis duas regras sobre recolhimento compulsório.
De acordo com o levantamento do Ibope, houve melhora na avaliação da atuação do governo em nove áreas, da taxa de juros à política de impostos. No total, 60% disseram aprovar a política de combate ao desemprego, índice mais alto desde março de 2006, segundo a pesquisa divulgada ontem.

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Petróleo e economia elevam aprovação a Lula, diz Ibope

Marta diz que PSDB maltrata Alckmin

Da Folha de S.Paulo

A seis dias do primeiro turno das eleições, a candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, iniciou ontem uma ofensiva sobre o eleitorado tucano ao dizer que o “peessedebista de coração” estaria contrariado com a, segundo ela, “fritura” da candidatura de Geraldo Alckmin pelo PSDB.
“Eles estão fritando o candidato antes da hora. Eu nem sei quem eu vou enfrentar no segundo turno, mas parece que o PSDB já tem o prato feito. Isso provavelmente pode agradar ao [governador José] Serra e ao [Gilberto] Kassab, mas certamente vai desagradar, e muito, aos peessedebistas de coração”, disse Marta durante evento em São Miguel Paulista (extremo leste da cidade).
Embora afirme respeitar os dois candidatos e desautorizar declarações de seus aliados sobre quem ela espera enfrentar no segundo turno, a fala de Marta sobre o suposto “descontentamento” do eleitorado de Alckmin reflete o que, nos bastidores da campanha petista, é visto como o cenário mais provável: a ida de Gilberto Kassab (DEM) ao segundo turno.
“O que está acontecendo [no PSDB] não é digno. Eu acho que o que está acontecendo não me parece uma coisa de compostura. Se eu, que não tenho nada a ver com a história, acho isso, imagina o que estão pensando os eleitores. Surpreende-me que o PSDB frite seu candidato sem ter razão para fazê-lo”, acrescentou a petista.

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Marta diz que PSDB maltrata Alckmin

Não me deixem só

Da Folha de S.Paulo

Coluna Painel

Para Geraldo Alckmin, o dia seguinte ao debate da Record foi de cobranças ao PSDB -nacional, estadual e paulistano. Ao exigir manifestações de apoio de seu partido, o candidato, atrás de Gilberto Kassab (DEM) nas pesquisas, chegou a dizer que “vencer é secundário, o que importa é a coerência”. Até a noite de ontem, tal esforço havia resultado numa nota morna do presidente da sigla, Sérgio Guerra, e numa declaração de Aécio Neves (“acredito ainda na sua possibilidade de ir ao segundo turno e também nas suas melhores condições de vencer as eleições”.)
O provável cancelamento do debate da Globo, na quinta, foi recebido como má notícia por Alckmin, que contava com o evento para reverter sua situação.

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Não me deixem só

Balé Romeu e Julieta – Prokofiev

Balé Romeu e Julieta é a obra mais conhecida do compositor russo Sergei Sergeievich Prokofiev.

Um enfant terrible. Era assim que Sergei Sergeievich Prokofiev era conhecido pelo exagero em suas composições. Pianista e compositor do modernismo clássico, ganhou fama por suas obras muitas vezes incompreensíveis.
Natural de Sontsovka, cidade localizada na atual Ucrânia (antigo Império Russo), nasceu no dia 23 de abril de 1891. Filho único, era mimado pelos pais, o engenheiro agrônomo Sergei Alekseevitch e a pianista amadora Maria Grigoryevna.
Demonstrando, ainda criança, um grande fascínio pela música, foi levado pela mãe a estudar no Conservatório de São Petersburgo, onde conheceu o compositor russo Rimsky-Korsakov, principal mentor de seu carreira.
Ainda pequeno, já era uma promessa na música e com apenas 16 anos produzia sua Sonata para piano n. 1. Sempre dedicado aos estudos, foi homenageado em 1911 com o Prêmio Anton Rubinstein como melhor aluno do conservatório.
Em 1914, o coreógrafo russo Diaghilev, impressionado com seu trabalho ultra-moderno, encomenda uma peça para ballet a Prokofiev. A obra, intitulada Ala e Lolli, foi rejeitada, mas uma segunda chance lhe foi dada. Compõe então O Bufão, encenada em 1921. Mais tarde, modificou a obra recusada e a transformou na suíte orquestral Suíte Scythian, que estreou na Rússia em 1916. Execrada pela crítica, que a considerou muito extravagante, a composição foi diversas vezes aplaudida pelo público.
Já muito famoso, em 1915, Prokofiev é solicitado pelo Teatro Maryinsky a realizar uma ópera. O resultado foi O Jogador, baseado em uma história de Dostoievsky. Com a Revolução Russa de 1917, deixa o país e passa a viver entre os Estados Unidos e a França.

Leia mais sobre Prokofiev aqui.

Balé Romeu e Julieta – Prokofiev

Obama, McCain, Marcelo Coelho e eu.

Na Folha deste domingo, Marcelo Coelho – colunista do jornal – resolveu escrever besteiras. E, por sinal, muitas besteiras. Para ele, Obama venceu o debate realizado na noite de sexta-feira na universidade do Mississipi.

Pois bem. Para mim, não houve um vencedor claro, mas, McCain foi o , digamos, menos pior.

Abaixo farei um ritual que os leitores habituais do blog já conhecem.

Marcelo Coelho em azul e, eu, em vermelho.

Uma coisa é ter visto a Convenção Republicana e a Convenção Democrata. Outra coisa é ver McCain e Obama, um ao lado do outro, no debate de anteontem: o contraste entre os dois, que já parecia grande, torna-se gigantesco.
McCain tem uma voz de vovó Donalda. O timbre de Obama é sonoro e incisivo. McCain carrega nas costas os oito anos de fracasso do governo Bush. Obama está leve e ágil para criticar tudo o que aconteceu. McCain não parece acreditar que será o próximo presidente; Obama, sim.

Marcelo Coelho, como poucos sabem, é petista. Huuumm, talvez seja por isso que nunca o vi criticando o tom de voz borracho de Lula, não é mesmo?

Agora, sobre os “oito anos de fracasso do governo Bush” um esclarecimento faz-se necessário: enorme parte da culpa de tudo isso que vemos hoje é de Bill Clinton. Foi ele quem se omitiu perante a emergência do mercado especulador e não preparou as instituições financeiras para o que adviria. Talvez seja por isso que Obama não tenha criticado de forma tão ferrenha a administração do Jórjibúxi (by Reinaldo Azevedo) no que concerne à economia.

A crise dos mercados, no debate, não teve o destaque que merecia. Apesar de os candidatos discutirem o tema por quarenta minutos, ambos não apresentaram definitivamente nada de concreto sobre o que farão no futuro. Comportaram-se feitos dois atoleimados. McCain prometeu cortar gastos, rever contratos e toda a agência governamental para acabar com as que não funcionam. Já Obama, pasmem!, falou novamente a asneira de livrar os EUA da dependência energética do Oriente Médio – só não explicou como, pra variar –, prometeu fortalecer o sistema de saúde (!), tornar as faculdades mais acessíveis (!) e reconstruir a infra-estrutura (!). Entenderam? O mediador perguntou como os candidatos lidariam com a crise e o democrata fala de projetos que gerarão mais gastos. Foi necessária uma intervenção do mediador para que Obama falasse que ia…cortar gastos!!!!!!!,

Apesar da voz de Donalda, McCain mostrou mais coerência que o Obama – que, por sinal, estava com uma gravata com o nó mais torto que já vi em toda a minha vida.

O republicano sorri encabulado e está longe de representar a agressividade militarista de muitos de seus correligionários.
O democrata sorri apenas para sinalizar alguma distorção ou truque na retórica de seu adversário; seu olhar, sua postura e, para dizer tudo, sua juventude transmitem uma segurança muito maior.
Dá para imaginar que mesmo um republicano ultraconservador possa ter saído decepcionado com o desempenho de Mc Cain; o imaginário “durão”, pelo menos no visual da coisa, foi arrebatado por Obama.

Essa, sinceramente, não entendi. Coelho é contra guerra e critica McCain pelo o fato de ele não ter apresentado…agressividade militarista!!!! Ou seja, se o republicano se comportasse como homem de guerra, o acusaria de ser o futuro Cavaleiro do Apocalipse. Mas, como não se portou assim, passou a ser o republicano-que-sorri-encabulado. 

O problema é que McCain tinha de se distanciar do impopularíssimo governo Bush, sem parecer “mole” ou esquerdista.
McCain se pôs a criticar o excesso de gastos governamentais da plataforma democrata. Mas foi o primeiro a sugerir que, no poder, Bush gastou irresponsavelmente. Obama criticou a desregulamentação financeira patrocinada por Bush; McCain teve de dizer que nunca foi a favor dessa política.
O candidato republicano também ficou conhecido por se opor às práticas de tortura adotadas no governo Bush. Obama só tinha a repetir, sobre o assunto, uma frase que empregou várias vezes no debate: “Concordo com McCain”. O republicano era, assim, conduzido sem protesto a um campo ideológico onde Obama reina soberanamente.

Sim, em assuntos de política externa Obama foi um DE-SAS-TRE. Enquanto McCain afirmou que a expansão nuclear do Irã é intolerável e que imporá – caso eleito – sanções pesadas contra o país, Obama voltou a sustentar o desejo de sentar-se numa mesa de diálogo com Almadinejad – simplesmente o patrocinador do terror. No fim, sabem o que disse Obama? “Senator McCain absolutedy right, we cannot tolerate a nuclear Iran”.

E não foi só nisso em que Obama concordou com McCain. Veja:

“Well, I think Senator McCain’s absolutely right that we need more responsibility, but we need it not just when there’s a crisis.”
“Not willing to give up the need to do it but there may be individual components that we can’t do. But John is right we have to make cuts. We right now give $15 billion every year as subsidies to private insurers under the Medicare system. Doesn’t work any better through the private insurers. They just skim off $15 billion.”
“Well, Senator McCain is absolutely right that the earmarks process has been abused, which is why I suspended any requests for my home state, whether it was for senior centers or what have you, until we cleaned it up.”
“He’s also right that oftentimes lobbyists and special interests are the ones that are introducing these kinds of requests, although that wasn’t the case with me.”
“Now, John mentioned the fact that business taxes on paper are high in this country, and he’s absolutely right.”
“Senator McCain is absolutely right that the violence has been reduced as a consequence of the extraordinary sacrifice of our troops and our military families.”
“And, John, I — you’re absolutely right that presidents have to be prudent in what they say.”
“Now, Senator McCain is also right that it’s difficult. This is not an easy situation.”

Agora, eu pergunto a Marcelo Coelho: qual é o campo ideológico em que Obama reina soberanamente?

Apesar da linha dura que adota a respeito do Iraque ou do Irã, McCain saiu do debate como um tipo de velhote meio enfraquecido, nada ansioso para bombardear o mundo e bem pouco capaz de bombardear Obama.
Para um observador brasileiro -para este observador, em todo caso-, o debate foi sofisticado demais. Por aqui, seria de esperar que McCain fosse questionado por sua tentativa de adiar o encontro, e que Obama viesse com uma frase bombástica, do tipo “o nome da crise é George W. Bush”.
Os dois candidatos foram mais vagos e cavalheiros do que o momento pede; mas em matéria de firmeza, nitidez de resposta e sede ao pote, o nome do vencedor é Barack Obama.
Marcelo Coelho também é um adepto da era pós-racial dos EUA. Ou seja, atacar Obama pela cor, para Coelho, nem pensar! Mas ele o faz contra McCain ao chamar-lhe de “velhote”. Se Coelho define McCain dessa forma, eu poderia avocar Obama como o candidato negro, de cabelo ruim, de dente amarelado, do nó de gravata torno e de terno completamente desalinhado, mas não, não o farei. Não sou preconceituoso e, para mim, esse conceito é piso para tratar com todos, inclusive com os que não estão no meu enlace de afabilidade. 

Obama, McCain, Marcelo Coelho e eu.