O Apocalipse e um novo(?) Anticristo

Um dos livros mais fascinantes que já li foi o Apocalipse, de João. Inspirado por grandiosas revelações lho feitas em um arrebatamento celeste, o escrevinhador consegue usar uma linguagem na qual a lógica simbólica transcende a realidade humana e remete-nos a cenários futuros com a certeza de uma coisa: o fim de tudo!

Talvez por trazer em seus textos essa imposição do horror psicológico, a palavra apocalipse tenha tido seu verdadeiro sentido deturpado. Em ipsis litteris, significa “revelação”, e não “o fim” – ou, até mesmo, “o-fim”.

João consegue nos envolver de uma maneira fausta, sempre levando-nos a reflexão. É um livro para todos os tipos de hermeneutas, literatos, curiosos, intelectuais e cientistas. A mensagem abordada por João nem parece ter sido escrita há mais de dois mil anos. Ela se revigora cotidianamente, abrindo um leque de interpretações para todos os tipos de povos, culturas e religiões. Talvez, por isso, depois dos Quatro Evangelhos seja o livro mais importante (não que os demais não tenham sua importância) do Cânon bíblico.

O mais interessante do livro Apocalipse é a capacidade de ser adaptado em diferentes períodos da história e sempre permanecendo coevo. Quando surgiu Hittler, na Alemanha nazista, há quem dissesse que ele seria o Anticristo. Todas as retóricas hitllerianas beiravam a perfeição humanística e a paz mundial. Vimos no que deu e, nem por isso, ficou provado que ele era o Anticristo. A mesma coisa aconteceu com Mussolini, na Itália. Há até quem defendia a corrente de pensamento de que a Rússia constituiria o reino do Anticristo – e, admitamos, há uma dialética causal nisso –, porém, vimos ruir mais essa teoria.

Agora, penso cá com meus botões, o repentino aparecimento de um homem que prega um governo mundial, que promete mudar o mundo, que tem um ar messiânico e uma capacidade invejável de enlevar multidões aos milhões ao redor do globo em translação de palavrórios fúteis – mas com uma potência discursiva inegável -, que utiliza o discurso massivo de “mudança” mesmo sem especificar os rumos pelos quais será viabilizada essa tal de “mudança” – ou Change – …huummm…Tudo isso me faz colocar as barbas de molho, hehe

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