Eis Obama

A vitória de Obama não é surpresa para nessuno. A mim, apenas surpreendeu a esmagadora quantidade de delegados que votaram no democrata – índice completamente diferente de todas as pesquisas divulgadas até ontem.

Em todo esse processo eleitoral, ficou evidente que o grande cabo eleitoral de Obama foi George Bush. E isso não implica que McCain também simbolize os erros nefastos da atual administração. Wall Street também foi fator decisivo para a imensa anuência à “Era Obama”.

Há quem diga que o senador de Illinois foi eleito porque representa, mais do que ninguém, a necessidade de mudança – essa onda do yes, we can. Todavia, em nenhum momento ficou bem claro qual será o caminho das pedras pelo qual esse can será concretizado.

Obama não vai resolver a crise financeira. Não vai retirar as tropas do Iraque em 100 dias coisa nenhuma. Para tal façanha é preciso, primeiro, combinar com os russos – e entre esses russos está ninguém menos que Colin Powell. Obama também não vai aumentar presença americana no Afeganistão. Se assim fizer, entrará em contradição no que tange aos orçamentos militares, cujos gastos ele prometeu reduzir drasticamente.

A verdade pura é que a retórica de Obama – sempre coerente, bem escrita – não tem nada do “novo” tão esperado por todos. Sua nata habilidade em discursar lhe personificou a “mudança” que, escrevam: NÃO OCORRERÁ À PROPORÇÃO AGUARDADA PELO MUNDO INTEIRO. E tem mais: brilho, carisma e simpatia não resolvem as agruras de uma guerra nem dão liquidez a um mercado em crise.

O debate político durante a campanha foi relativamente pobre. A crise econômica tomou conta de todas as pautas, implicando que outros assuntos importantes – meio ambiente, Rússia, Oriente Médio, relações comerciais com a China e Índia…– não fossem debatidos à altura. Mesmo assim, eu sei como McCain pretendia conduzir sua política externa para a América Latina; já, Obama, é uma incógnita. Tenho absoluta ciência dos planos de McCain contra o exibicionismo tolo da Rússia. Já, os de Obama, nem sequer foram discutidos. Inclusive, cabe, aqui, uma lembrança: durante os ataques da Rússia à Geórgia, Obama resolveu tirar férias e não fez nenhum pronunciamento sobre o fato.

Torço para que Obama seja o melhor presidente da história dos Estados Unidos. Mas, se me permitem parafrasear a Cristo: nem só de discurso viverá o homem…

Leia também: A eleição de Obama e motivos para preocupação

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