UMA CULTURA EMERGENTE. MAS, POR FAVOR, NADA DE IMPÔ-LA

Há muito tempo se fala de algo emergente na sociedade: a cultura da periferia.  As demonstrações do que esse “fenômeno” produz ainda não são amplamente divulgadas nem conhecidas, mas, do pouco que vi, confesso que devo dar graças a Deus por todo esse conteúdo ainda não ser de conhecimento geral. 

Quero me ater especificamente em uma das correntes dessa neocultura: a literatura.  Os frutos dessa tal literatura já começam a abrochar e soltar suas corrosões intelectuais e, pasmem!, filosóficas para tudo quanto é lado. Um exemplo disso é um escritor chamado Ferréz. 

Em suas obras, Ferréz procura exaltar os valores culturais da periferia e, sem nenhum tipo de cerimônia, desmerecer a tal da elite, como se essa elite não tivesse sua importância na sociedade. Abaixo, posto um prólogo escrito por ele para o livro “Literatura Marginal” – uma coletânea de contos e poesias feitos por toda aquela gente pobre. Não alterei uma vírgula do texto. Vai como o li. 

Ele, em azul; eu, em vermelho.  

A capoeira não vem mais, agora reagimos com a palavra, porque pouca coisa mudou, principalmente para nós.

Não somos movimento, não somos os novos, não somos nada, nem pobres, porque pobre segundo os poetas da rua, é quem não tem as coisas.

Cala a boca, negro e pobre aqui não tem vez! Cala a boca!

Cala a boca uma porra, agora agente fala, agora agente canta, e na moral agora agente escreve.

Quem inventou o barato não separou entre literatura boa/feita com caneta de ouro e literatura ruim/escrita com carvão, a regra é só uma, mostrar as caras. Não somos o retrato, pelo contrário, mudamos o foco e tiramos nós mesmos a nossa foto.

Repararam na forma como o galante escreve “a gente”? Repararam no rico uso de palavras, no léxico do rapaz? Pois bem. E isso que vocês leram (e lerão ainda mais neste post) foi escrito por um escritor (!!!) da periferia, o mesmo que proclama a riqueza cultural de seu círculo de convivência.

A própria linguagem margeando e não os da margem, marginalizando e não us marginalizados, rocha na areia do capitalismo.

O sonho não é seguir o padrão, Não é ser o empregado que virou o patrão, não isso não, aqui ninguém quer humilhar, pagar migalhas nem pensar, nós sabemos a dor por recebe-las.

Somos o contra sua opinião, não viveremos ou morreremos se não tivermos o selo da aceitação, na verdade tudo vai continuar, muitos querendo ou não.

Um dia a chama capitalista fez mal a nossos avós, agora faz mal a nossos pais e no futuro vai fazer a nossos filhos, o ideal é mudar a fita, quebrar o ciclo da mentira dos “direitos iguais”, da farsa dos “todos são livres” agente sabe que não é assim, vivemos isso nas ruas, sob os olhares dos novos capitães do mato, policiais que são pagos para nos lembrar que somos classificados por três letras classes: C,D,E.

Oh, quão cruel é o sistema capitalista, não? Esse maldito princípio econômico que tirou 400 milhões de pessoas da miséria só na China. Graças a esse sistema, também, os moradores da periferia andam de Metrô, afinal, só foi possível à Alstom chegar ao Brasil graças à abertura dos mercados.

Mas você, meu nobre leitor, sabe que o capitalismo é muito, mas muito mais perverso do que isso. Vejam só: a periferia, hoje, tem milhares de pessoas usando um Nike, assistindo à novela em uma Semp Toshiba de 29 polegadas, recebendo ligações em um celular Motorola V3…Ah, mas o capitalismo é muito inumano mesmo, não?                         

Literatura de rua o sentido sim, com um principio sim, e com um ideal sim, trazer melhoras para o povo que constrói esse pais mas não recebe sua parte.

O jogo é objetivo, compre, ostente, e tenha minutos de felicidade, seja igual ao melhor, use o que ele usa.

Mas nós não precisamos disso, isso traz morte, dor, cadeia, mães sem filhos, lágrimas demais no rio de sangue da periferia.

Que a periferia ajude a construir o país, concordo de forma peremptória. Mas, deixemos de lado a hipocrisia e admitamos uma coisa: quem, de fato, constrói esse país são as classes média e média-alta, que financiam todas as obras do Governo contribuindo com impostos estratosféricos. Gente da periferia, em geral, não paga Imposto de Renda nem Imposto sobre Serviço à mesma proporção da, como é mesmo?, elite! Logo, o SUS, o recapeamento da rua e o sistema de saneamento básico – tão necessários em áreas carentes – é sim financiado pelos impostos pagos pelos ricos, tão demonizados por Ferréz. 

Somos mais, somos aquele que faz a cultura, falem que não somos marginais, nos tirem o pouco que sobrou, até o nome, já não escolhemos o sobrenome, deixamos para os donos da casa grande escolher por nós, deixamos eles marcarem nossas peles, porque teríamos espaço para um movimento literário? Sabe duma coisa, o mais louco é que não precisamos de sua legitimação, porque não batemos na porta para alguém abrir, nós arrombamos a porta e entramos.

Sua negação não é novidade, você não entendeu? Não é o quanto vendemos, é o que falamos, não é por onde nem como publicamos, é que sobrevivemos.

Estamos na rua loco, estamos na favela, no campo, no bar, nos viadutos, e somos marginais mas antes somos literatura, e isso vocês podem negar, podem fechar os olhos, virarem as costas, mas como já disse, continuaremos aqui, assim como o muro social invisível que divide esse pais.

Perceberam que o escrevinhador nos faz sentir um tanto quanto culpados pelas condições sofríveis de vida que levam os habitantes da periferia? Que história é essa de “donos da casa grande”, “eles marcarem nossas peles”? Recorrer a fotos que a história já aboliu beira a cretinice e a vigarice intelectual.

E essa história de “nós arrombamos a porta e entramos”? Então quer dizer que eu sou obrigado a aceitar tudo o que a periferia produz? Então estou coagido a aderir ao que a indústria cultural da Cidade Tiradentes, do Capão Redondo e assemelhados produzem? 

A tempo: Disso tudo, exclua-se a favela de Heliópolis e o projeto Baccareli, um exemplo fiel de que a cultura extra-periferia também pode ensinar muito a muitos. 

O significado do que colocamos [o livro Literatura Marginal] em suas mãos hoje, é nada mais do que a realização de um sonho que infelizmente não foi visto por centenas de escritores marginalizados desse país.

Ao contrário do bandeirante que avançou com as mãos sujas de sangue nosso território, e arrancou a fé verdadeira, doutrinando nossos antepassados índios, ao contrário dos senhores das casas grandes que escravizaram nossos irmãos africanos e tentaram dominar e apagar toda a cultura de um povo massacrado mas não derrotado.

Uma coisa é certa, queimaram nossos documentos, mentiram sobre nossa história, mataram nossos antepassados.

Outra coisa também é certa, mentirão no futuro, esconderão e queimarão tudo que prove que um dia a classe menos beneficiada com o dinheiro fez arte.

Jogando contra a massificação que domina e aliena cada vez mais os assim chamados por eles de “excluídos sociais” e para nos certificar que o povo da periferia/favela/gueto tenha sua colocação na história, e que não fique mais 500 anos jogado no limbo cultural de um país que cultura de um povo, composto de minorias, mas em seu todo uma maioria.

Novamente o discurso de que a arte da periferia teria sua importância histórica e, só não ganhou o merecido destaque porque o país a rejeitou. E ele tem razão. Desprezou sabe por quê? Porque, fatidicamente, a periferia, até agora, não conseguiu produzir nada que seja relativamente relevante no campo literário. E isso não se deve à condição social de ninguém. Machado de Assis era descendente de escravos alforriados e filho de lavadeira. Mas nem por isso deixou de ter a importância que tem hoje. Talento não depende de classe social. Ou a pessoa nasce com ele ou, se não, que se esforce para não ficar à margem da insignificância existencial e choramingando um reconhecimento não-merecido. 

E temos muito a proteger e a mostrar, temos nosso próprio vocabulário que é muito precioso, principalmente num país colonizado até os dias de hoje, onde a maioria não tem representatividade cultural e social, na real negô o povo num tem nem o básico pra comer, e mesmo assim meu tio, agente faz por onde ter us barato para agüentar mais um dia.

Uma pausa para uma risada prolongadíssima (lol). “…temos nosso próprio vocabulário que é muito precioso”. Precioso ??? KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK 

Mas estamos na área, e já somos vários, estamos lutando pelo espaço para que no futuro, os autores do gueto sejam também lembrados e eternizados, mostramos a várias faces da caneta que se faz presente na favela, e pra representar o grito do verdadeiro povo brasileiro, nada mais que os autenticos, e como a pergunta do menino numa certa palestra.

– como é essa literatura marginal publicada em livros.

Ela é honrada, ela é autentica e nem por morarmos perto do lixo, fazemos parte dele, merecemos o melhor, pois já sofremos demais.

Não torço para que o gueto não tenha pessoas brilhantes em todos os campos de atuação cultural. Pelo contrário, admiro trajetórias de pessoas humildes, que, mesmo sem um tostão, conseguem superar todas as dificuldades e chegam lá, no auge, no lugar que lhes é merecido. Que queiram trazer a realidade da periferia para os livros, tudo bem. Mas, por gentileza, não façam que essas publicações se transformem em cartas de falácia recheadas de textos contra uma suposta elite inventada – essa, que seria responsável pela miséria dos outros. Também não encarem como um ato de repúdio às comunidades e favelas (no fundo, é tudo a mesma coisa) o fato de as pessoas não consumirem livros cheios de expressões e palavras que ofendem o bom português. Eu não suporto Bartók, mas nem por isso acho as pessoas que apreciam sua música um bando de “alienados” que são contra Beethoven. Eu aceito outras culturas, mas, nem por isso, consumi-las-ei. Eu recomendo leituras e compositores, mas não imponho meu gosto e minhas preferências a nessuno. 

O mimiógrafo foi útil, mas a guerra é maior agora, os grandes meios de comunicação estão ai, com mais de 50% de anunciantes por edição, bancando a ilusão que você terá que ter em sua mente.

A maior satisfação está em agredir os inimigos novamente, e em trazer o sorriso na boca da Dona Maria quando ver o livro que o filho trouxe para casa.

Vindo com muita mais gente e com grande prazer de apresentar novos talentos da escrita periférica.

Prus aliados o banquete está servido, pode degustar, porque esse tipo de literatura viveu muito na rua e por fim está aqui no livro.

Depois do lançamento dos três atos que fizemos juntamente com a revista Caros Amigos, edições especiais chamadas Caros amigos/literatura marginal ao qual a Casa Amarela desde o principio acreditou e apoiou, a forma agora chega em livro.

Mas como sempre todos falam tudo e não dizem nada, vamos dar uma explicada: A revista é feita para e por pessoas que foram postas a margem da sociedade.

Ganhamos até prêmios, como o da A.P.C.A.(Academia Paulista de Críticos de Arte) melhor projeto especial do ano.

Muitas são as perguntas, e pouco o espaço para respostas, um exemplo para se guardar é o de Kafka, a crítica convencionou que aquela era uma literatura menor. Ou seja, literatura feita pela minoria dos judeus em Praga, numa língua maior o Alemão.

A Literatura Marginal sempre é bom frisar é uma literatura feita por minorias, sejam elas raciais ou sócio-econômicas. Literatura feita a margem dos núcleos centrais do saber e da grande cultura nacional, ou seja os de grande poder aquisitivo. Mas alguns dizem que sua principal característica é a linguagem, é o jeito que falamos, que contamos a história, bom isso fica para os estudiosos, o que agente faz é tentar explicar, mas agente fica na tentativa, pois aqui não reina nem o começo da verdade absoluta.

Hoje não somos uma literatura menor, nem nos deixemos taxar assim, somos uma literatura maior, feita por maiorias, numa linguagem maior, pois temos as raízes e as mantemos.

Não vou apresentar os convidados um a um porque eles falarão por sim mesmos, é ler e verificar, só sei que com muitos deles eu tenho lindas histórias, várias caminhadas tentando fazer uma única coisa, o povo ler.

Cansei de ouvir.

– mas o que cês tão fazendo é separar a literatura, a do gueto e a do centro.

E nunca cansarei de responder.

– o barato já tá separado a muito tempo, só que do lado de cá ninguém deu um gritão, ninguém chegou com a nossa parte, foi feito todo um mundo de teses e de estudos do lado de lá, e do cá mal terminamos o ensino dito básico.

Viram só. É admitido com um soslaio de orgulho o fato de os escritores da periferia nem terem concluído o ensino básico! Isso, talvez, explique parte do lixo textual recorrente. E nem me venham dizer que estou sendo muito maldoso. Ora, já existem cursos de supletivo. “Mais o povo é trabaiadô e não tem tempo”. Sim, concordo. Mas basta abrir mão de assistir à novela das oito e aos jogos de quarta-feira que sempre haverá um tempinho hábil para se empenhar em aumentar os conhecimentos. E, creiam, um dos bens mais importantes que o homem pode ter é sim o conhecimento. Ninguém o rouba, é próprio, intransferível e compõe a identidade – esta, também, una. 

Sabe o que é mais louco, nesse pais você tem que sofrer boicote de tudo que é lado, mas nunca pode fazer o seu, o seu é errado, por mais que você tenha sofrido você tem que fazer por todos, principalmente pela classe que quase conseguiu te matar, fazendo você nascer na favela e te dando a miséria como herança.

“O seu” não é errado. Simplesmente não queira fazer “do seu” uma verdade absoluta à qual todos nós devemos aderir imediatamente. E que culpa eu tenho se você nasceu na favela? 

Afinal um dia o povo ia ter que se valorizar, então é nóis nas linhas da cultura, chegando de vagar, sem querer agredir ninguém, mas também não aceitando desaforo nem compactuando com hipocrisia alheia, bom vamos deixar de ladainha e na bola de meia tocar o barco.

Só me resta desejar sorte a todos nessa lida e que façam o sucesso. Mas claro, um sucesso à altura de todo o conteúdo produzido por vocês; se é que me entendem.

Lins relacionados

O plantão dos tolos

 

Ainda a literatura marginal

Fala o povo

Uma cultura emergente, mas, por favor, nada de impo-la.

Anúncios
UMA CULTURA EMERGENTE. MAS, POR FAVOR, NADA DE IMPÔ-LA

6 pensamentos sobre “UMA CULTURA EMERGENTE. MAS, POR FAVOR, NADA DE IMPÔ-LA

  1. A? diz:

    Ridículo seus comentários, deveria se aprofundar mais. “Os escritores tem a sua língua; os medíocres a sua gramática”. [2]

    Você é um preconceituoso, como que não devemos dar importância a cultura da periferia? Ou dar menos? Acho que esse site deveria, deve e vai ser fruto de um boletim.

    Pelo amor de Deus, aposto 1barão que o dono do testo e o dom devem morrer de medo de andar na rua. Ficando presos ao seu dinheirinho. Vou te dizer algo rico, o pobre é livre.

  2. O Walber Nery se pronunciou muito bem, e, felizmente, as observações dele são distintas das minhas.

    Esse “dom” devia ao menos argumentar.

    Minhas observações:
    Você julgou os escritos do ponto de vista unicamente literário, sem levar em conta as razões sociais, ideológicas. A periferia só busca ter uma voz e grita da forma que acha melhor. Se não há escola de verdade pra quem é da periferia, não espere “mesóclises” e “ênclises” nos texos vindos da periferia. Aliás, a mesóclise e a êclise já foram abolidas da fala corrente majoritária no Brasil, e a primeira nem na escrita costuma ser usada. Geralmente se a usa no que gosto de chamar “masturbação intelectual” (“onanismo intelectual” pra você, que adora léxicos ricos). Os erros de português, os vejo mesmo em livros filosóficos, sendo a maior parte resultado de péssimas edições e não de péssimos escritores. Talvez (não conheço a obra citada) os erros sejam devidos à redação.

    É ilusão querer defender o capitalismo com base na evolução tecnológica, pois antes de haver o consumo das “maravilhas da tecnologia”, há uma forte geração de necessidades em toda a população,mesmo a mais carente, o que acarreta o alto índice de criminalidade entre jovens. Além disso, existem mil problemas gerados pelo ciclo de produção de que você deve ter conhecimento, como milhares de pessoas que dedicam a vida a uma função em uma empresa e de uma hora pra outra se vêem na rua, tendo que se virar com bicos (às vezes proibidos) ou mesmo desempregadas.

    A burguesia paga impostos com o dinheiro arrecadado na venda de mercadorias, estas produzidas pelos trabalhadores. Ou seja, quem paga
    seus impostos são os trabalhadores. O imposto nunca será superior ao que o empresário ganha com sua produção (produção dos trabalhadores). Isto sem falar nas isenções de impostos e perdões a dívidas, que não são poucos! Só um adendo: saneamento básico é um sonho tolo em grande parte das áreas periféricas, e o SUS… Sem comentários.

    As elites podem não ter cometido crimes (suposição aplicável a pouquíssimos), mas é herdeira de quem os cometeu!

    Não te parece estranho que dos talentos que “independem de classes sociais”, a maioria arrasadora venha das elites. Exceções sempre
    existem e, como dizem, confirmam a regra. Pessoas especiais e/ou que tiveram de aprender a dar duro desde cedo, inclusive nos estudos, obviamente “poderão” superar as condições oferecidas pelo ambiente da periferia. Mas esperar isso de todos, inclusive de garotos que cedo conhecem a realidade do crime, da vingança, do tráfico. Peraí, né? (Perdoa este “pecado contra a língua”?)

    O português (idioma) não é bom. O próprio português ofendeu o português, se é que me entende. Basta ver sua história!

    “Nessuno”… Onanismo…

    Não vi orgulho na frase “e do cá [sic] mal terminamos o ensino dito básico”. Ele só dá o porquê de se escrever uma literatura marginal, à parte da oficial. Dá pra entender bem no contexto. E esse conhecimento
    pode ser uma maravilha aos olhos de quem vê nele boas expectativas. Mas, quando, desde criança, não se tem costume de estudar – se quer saber os motivos, tente dar aula a crianças de zonas pobres – e não se vê nenhum proveito que se possa tirar do estudo, é um delírio deixar de ter um descanso prazeroso pra estudar. Infelizmente, é difícil explicar
    isto. É mais questão de vivência. Apenas leve em conta as distintas visões de mundo. O ser humano não é A Razão. Se fosse, nem sequer haveria discussões, pois todos saberiam a verdade – que é só uma – e concordariam, seria a Paz Universal. Você sabe que isso não existe!

    Se quer ver uma afronta maior ao português, confira meu blog:
    http://grouchocarao.blogspot.com
    É todo escrito numa codificação ideal que fiz do “Brasilêro”.

    Axé.

  3. dom diz:

    Favelado escritor?
    há-há-há. Supervalorização do sofrimento. Só é pobre quem quer hoje em dia. Graças à elite a “favela” tem emprego e pode comprar o par de hawaianas e comer sua feijoada.

  4. Walber Nery diz:

    Errei na digitação ao citar Josué de Castro. Então aqui vai a frase exata: “Metade da humanidade não dorme porque tem fome e a outra metade não dorme porque tem medo dos que tem fome”.
    Bons sonhos!!!

  5. Walber Nery diz:

    “Viram só. É admitido com um soslaio de orgulho o fato de os escritores da periferia nem terem concluído o ensino básico! Isso, talvez, explique parte do lixo textual recorrente.”

    Bom… Tem uma frase de Lima Barreto que acho interessante: ” Os escritores tem a sua língua; os medíocres a sua gramática”. Se existe uma palavra criada ou um acento nada convencional numa palavra escrita por Guimarães Rosa garanto que pessoas como você vais se levantar, bater palmas e limpar uma lágrima de tanta emoção. Mas se uma pessoa da periferia escreve “nóis” ou “mermão” com certeza levantarão as mãos com pedras – como o seu texto.
    Para pessoas como você “o mundo é”; para pessoas como Ferréz “o mundo está sendo”. Qual a diferença? Novamente, para pessoas como você o favelado é pobre porque “é” pobre e pronto, nasceu pobre e pronto; para pessoas como Ferréz, a pessoa está sendo pobre porque o colocaram nessa situação não de hoje, e sim desde que se começou a construir o Brasil – o próprio Ariano Suassuna falou certa vez que o Brasil começou a pagar a sua dívida externa quando os portugueses aqui chegaram e colocaram os índios para carregar o pau-brasil para os navios. É essa a importância de recorrer a fatos históricos. A importância da Históoria está em relacionar o passado com o presente, e não olhar para o passado de forma contemplativa.
    E você falou em Machado de Assis. Então você deve saber que naquela época uma forma de conseguir o seu lugar na sociedade era negar a sua cor – uma negra que casava com um mulato, ou um mulato que casava com uma branca tinha a sua felicidade quando o seu filho nascia um pouquinho mais claro, leia O Mulato e o Bacharel no livro Sobrados & Mucambos, mesmo sendo conservador como você garanto que Gilberto Freyre explica muito sobre isso. Você já se perguntou porque Machado de Assis usava roupas que só mostravam as mãos e o rosto? Tem livro que fala sobre isso; e na vasta obra de Machado quantos negros tinham como personagem de destaque?
    E, sim… aboliram a escravidão, mas nada fizeram para incluir os negros na sociedade – basta ler José Lins do Rego para ver que a abolição foi apenas um dia de festa, depois todos voltaram ao trabalho, produzindo o açúcar. Nos anos 1950-60, o abandono e a repressão contra o camponês aumentou e, nos 1970, houve o maior êxodo rural da história do Brasil, aumentando inúmeras vezes as favelas por todo país. E você vem dizer que “Recorrer a fotos que a história já aboliu beira a cretinice e a vigarice intelectual”!?
    Leio Machado de Assis, mas também leio Férrez; leio Sartre, mas também leio Miró; Leio José Lins do Rego, mas também leio Zé da Luz. A questão é o que cada um tem a dizer, em vez de se preocupar com o “bom português”.
    Mas eu até te entendo. Josué de Castro disse uma vez que “enquanto metade do mundo não dorme por causa da foma, a outra metade não domer com medo daqueles que dormem com fome”. Vá dormir que é melhor. Quem sabe um favelado sem o ensino básico aparece no seu sonho!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s