O Brasil adora mostrar sua pobreza

Ennio Morricone, um renomado maestro e compositor italiano de trilhas sonoras, veio ao Brasil em maio para se apresentar no teatro Alfa – onde conduziu um coral com mais de 80 componentes e uma orquestra com mais de 100 músicos.

Durante sua estada no país, Morricone foi convidado a assistir, também, à apresentação de uma orquestra. Não, essa orquestra não era a Osesp nem a Municipal. Era a orquestra da favela de Heliópolis, coordenada pelo projeto Baccarelli. 

O mesmo ocorreu quando Zubin Metha – um dos mais importantes maestros do mundo e regente da filarmônica de Israel. Ele também foi apresentado à fatídica orquestra.

O que isso tem de ruim? NADA. É bom que projetos como esses sejam alvos de divulgação. Mas ninguém os levou para assistir Quadros de uma exposição – de Mussorgsky – na época, em execução na Sala São Paulo.

Em Roma, Lula – Nossa Alice [no país das maravilhas] – deu para o Papa um presente que retrata a vida de retirantes nordestinos. Ou seja: uma imagem de parte da miséria que assola certas partes do Brasil. Por que Nossa Alice não presenteou o Papa com um livro de Machado de Assis?, com algo que remeta às riquezas de nossa flora e fauna? Só faltou a Lula dar ao Sumo Pontífice uma foto com uma morena a sacudir os glúteos para lá e para cá. Vocês sabem: futebol e mulher são os nossos orgulhos nacionais. Já, na França, os brios são o Louvre, o Arco do Triunfo, aquela torrezinha…

Já dizia Arthur Schopenhauer: o pobre é limitado pela sua pobreza e pela sua necessidade; as suas realizações substituem a instrução e ocupam seus pensamentos.

O problema, na realidade, não é ser pobre; mas, sim, pensar como pobre.

No concerto assistido por Zubin Metha em Heliópolis, por exemplo, um contra-baixista acabou indo parar em Israel, tocar juntamente com o maestro. Por quê? Simples: porque pensou alto e valorizou suas aptidões. Seguindo esse exemplo, o país deveria pensar de forma una no que se refere ao nosso potencial e exibi-lo para o mundo todo.

Mas que nada!!!! O Brasil gosta mesmo é de mostrar sua miséria, pobreza e mesquinhez.

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O Brasil adora mostrar sua pobreza

Um pensamento sobre “O Brasil adora mostrar sua pobreza

  1. Flávia diz:

    Como de costume: bravo! bravíssimo!
    Vc não se lembrou mas eu sim: além de tudo q vc falou, existem também aqueles que vem ao nosso país para andar de jipe na favela da Rocinha, o chamado Favela Tour!

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