A astúcia decadente

Sabem o que significa a visita de Dmitri Medvedev – presidente da Rússia — à Colômbia? Nada! Absolutamente nada! Chega a ser patético contemplar a ocasião como um triunfo de Hugo Chávez em sua mais cega obstinação: enfraquecer a influência norte-americana na América do Sul. Condoleezza Rice já descartou, de primeira, qualquer motivo para “confusão sobre o equilíbrio de poder no Hemisfério Ocidental”.

Tanto Chávez quanto Medvedev se encontram em um cenário econômico precário para tentarem qualquer tipo de arrojo político. O petróleo, produto financiador da maioria das venturas desses valentes, sofre quedas de preços consecutivas e abissais.

A aliança entre Rússia e Venezuela é ainda mais burlesca se observarmos o foco russo: barrar, a qualquer custo, a construção do escudo antimíssil no leste-europeu. A empáfia russa não suportaria mais essa humilhante baixa política em seu próprio território.

Apesar de improvável – pelo menos no momento –, o projeto de Medvedev de endurecer a retórica antiamericana se concretiza em um ponto: ganhar visibilidade de quem está próximo a Washington.  Na quarta-feira, o presidente russo se reuniu em Caracas com outros presidentes esquerdistas da região, como Evo Morales, Daniel Ortega  e Rafael Correa.

Tenho a impressão de que nem Medvedev nem Chávez já deram  pelo menos uma bisbilhotada em Os Anacletos, de Confúcio. Se se quer ter influência, há de se estabelecer quatro critérios-chave: sinceridade (em falta, posto que o acordo entre Rússia e Venezuela não visa uma relação de parceria bélica para objetivos restritos às suas políticas individuais, mas, sim, com um olho nos EUA, procurando, sempre, tentar sair do, como é mesmo?, manto do imperialismo), veracidade (que não há. Chávez declarou: “nossa missão é uma missão de paz,…guiando para um mundo equilibrado e multipolar. Tudo mentira!!! Onde já se viu  ditadores como Chávez defendendo o multipolarismo?), prudência (Medvedev não age com nenhum cuidado ao reunir apenas as esquerdas da América do Sul. Repito: apenas as ESQUERDAS. Huumm, justo aquelas que não simpatizam com Washington) e circunspecção – ou sensatez – (basta somar tudo o que eu disse até agora para se ter noção de parte da falta de clarividência).

Oh, que astúcia decadente!

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