Brasil pode ter papel fundamental em cenário de efeito estufa

Dados divulgados no final do mês de novembro no Inventário anual da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – Unfccc – dão conta de que o aumento da emissão dos gases do efeito estufa no conjunto dos países signatários do Protocolo de Kyoto, atingindo mais de 6% no centro e no leste da Europa, frustra as expectativas quanto à capacidade de o acordo conter ou atenuar as mudanças climáticas. “As informações contidas no relatório referem-se ao período de 2000 a 2006, mas são um prenúncio do insucesso no cumprimento das metas de redução previstas para 2012”, afirma João Guilherme Sabino Ometto, vice-presidente da Fiesp e presidente do grupo sucroalcooeiro São Martinho.

Esse documento da agência da ONU põe um padrão às negociações sobre controle de emissão de gases na Conferência Internacional sobre Mudanças Climáticas, de 1 a 12 de dezembro, em Poznam, na Polônia. “Sua análise isolada já é muito preocupante. No entanto, cruzando suas informações com o Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), também divulgado recentemente, depara-se com um quadro mais alarmante, que precisa ser enfrentado com maior determinação”, sustenta Ometto. De acordo com o estudo, nuvens marrons geradas em conseqüência do aumento da emissão de gases e da queima de biomassa e combustíveis fósseis já contribuem de forma significativa para o degelo acelerado do Himalaia e condições climáticas extremas em diversos pontos do planeta.

Além de todas essas conseqüências, o fenômeno também provoca a formação de fuligem e gás carbônico negro. Estes absorvem os raios solares e provocam um aumento expressivo da temperatura do ar através do efeito estufa. “O mais grave, conforme afirma o Pnuma, é que as nuvens marrons estão afetando a qualidade do ar e a agricultura na Ásia, aumentando os riscos à saúde pública e à produção de alimentos para três bilhões de pessoas”, diz Ometto.

Na avaliação de Ometto, o etanol e o biodiesel deverão desempenhar papel relevante no sentido de reduzir a queima mundial de combustíveis fosseis. “O Brasil é a nação com as melhores condições para isso, levando-se em conta a extensão de suas áreas agricultáveis, clima,  solo e tecnologia”, complementa.

No entanto, se, porventura, essa pauta não for cumprida com todo o rigor da sustentabilidade, o fornecimento de energia limpa tornar-se-á inútil, uma vez que a produção dessa energia polui o ar e o território.

O Grupo São Martinho, um dos maiores produtores mundiais de álcool e açúcar, já investe há tempos em uma série de atividades e ações de preservação e educação ambiental. Dentre elas, inclui-se o Centro de Educação Ambiental da Usina São Martinho, no Interior paulista. Trata-se de unidade destinada a atender estudantes e disponibilizar informações sobre o uso da água, reciclagem de lixo e plantio de árvores nativas. Estas são produzidas em viveiros de mudas, dos quais já saíram 200 mil espécimes. A organização também vem investindo em projetos para diminuir o uso da água na produção, bem como para reaproveitar resíduos. “O bagaço da cana, por exemplo, é processado nas caldeiras para gerar energia elétrica. A vinhaça, rica em potássio, e a torta de filtro e fuligem são utilizadas na lavoura para adubação”, explica Ometto. “Ante o presumível fracasso das iniciativas multilaterais voltadas à preservação ambiental e à redução dos gases do efeito estufa, cresce muito o significado da ação voluntária dos indivíduos, empresas e da sociedade de cada país”, conclui.

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