Na contramão dos próprios objetivos

Hoje, no programa de rádio “Café com o Presidente”, Lula afirmou que a economia brasileira está no caminho para enfrentar a crise financeira. Também sustentou que os preços sofrerão queda. “Podemos esperar que os preços dos produtos vão cair, que a taxa de juros vai cair e que povo vai ter mais facilidade para comprar”, afirmou.  Ainda no programa, de forma soante ao imperativo, Lula também disse esperar uma solução de Obama para a economia americana e, por conseguinte, a amenização dos efeitos da turbulência nos mercados do mundo todo. “Temos um problema, que é o vazio de poder, na medida em que o presidente Obama só tomará posse dia 20 de janeiro. Esperamos que assim que ele tome posse possa tomar todas as medidas para incentivar o setor produtivo americano, para que a economia volte a funcionar normalmente”.

Entre as medidas anunciadas por Lula para incentivar o consumo, está o objetivo de irrigar o mercado com dinheiro através de algumas isenções tributárias e concessões de fundos do BNDES a bancos públicos e privados afim de motivá-los a conceder crédito.“Nós tivemos que colocar à disposição as reservas do Tesouro para irrigar o crédito no Brasil. Permitimos que bancos como a Caixa Econômica e o Banco do Brasil pudessem comprar carteiras de bancos menores. Tomamos medidas para ajudar as empresas brasileiras que têm dívida lá fora. Mas sabíamos que precisávamos tomar outras medidas, por exemplo, a isenção IPI do automóvel, para que o povo pudesse comprar. Depois fizemos uma redução no Imposto de Renda (IR); reduzimos o IOF de 3% para 1,5% ao ano”. Para arrematar no melhor estilo lulístico – e, vale lembrar, nos píncaros da glória, com 70% de aprovação do povo –, Nossa Alice [no país das maravilhas] declarou que trabalha com a idéia de que “a economia brasileira precisa girar como se fosse uma roda-gigante” (oh, quão profunda é essa tese; que formidável observação!) e, para completar, afirmou estar certo “de que o Brasil sairá vitorioso dessa crise”.

As predições de Lula no que diz respeito à queda dos preços e à redução da Selic não podem ser escritas por um simples motivo: quem disse que o consumidor vai, de fato às compras?

Ah, dir-me-ão alguns, mas quem é você para confrontar as palavras do Presidente da República? Hehe, simples: sou um atrevido, um pouco herético mesmo…

O raciocínio é simples: se o consumidor está desconfiado, tende, portanto, a poupar dinheiro, e não gastá-lo. E, sendo assim, se o consumidor opta por poupar dinheiro, é sinal de que não está propenso a tomar qualquer espécie de financiamento – como o de automóvel e imóvel, por exemplo. Logo, vemos a, digamos, opacidade das medidas adotadas pelo governo.

Em um ambiente em que as pessoas deixam de consumir, o governo vê suas receitas caindo por causa do baixo arrecadamento. Na contramão, as despesas do Estado não caem, pelo contrário, aumentam. (Vide o projeto aprovado no Congresso, cujo objetivo é conceder aumento para dezenas de milhares de servidores). Se Se aumentam as despesas, diminuem os investimentos – tão necessários em momentos de desconfiança.

Baixar impostos nada resolve se, junto com essa medida, o governo não usa de parcimônia com os próprios gastos. É estar na contramão dos próprios objetivos.

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Na contramão dos próprios objetivos

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