Neschling e injustiça

Já vi um monte de engraçadinhos criticando a apresentação da Osesp realizada na semana passada. O repertório trouxe Variações sobre um tema de Haydn, Concerto para Violino e Orquestra e Sinfonia n.2; todas de Brahms. A solista convidada foi Sarah Chang, uma jovem virtuosíssima de apenas 28 anos; mas, que aos 8, já começava a surpreender grandes maestros como Zubin Metha.

Recebi e-mail de um amigo em que várias pessoas que assistiram ao concerto opinam sobre o desempenho da Osesp. Um deles diz: “a orquestra estava sem brilho, não se empolgava. Dava a impressão de que eu ouvia a uma gravação, e não uma orquestra ao vivo”. Outro: “John Neschling parecia um corcunda, cansado. A Osesp não merece isso”. Mais um: “os tuttis não saíam bons. Houve falhas no Variações de Haydn e principalmente no segundo movimento do concerto”.

Primeiro lugar: eu assisti ao concerto. A Osesp tocou como sempre. Nada de diferente. Até concordo que em certos momentos, quando espera-se algo grandioso/vivo, a orquestra mostra-se tímida. Foi o que ocorreu em Março, quando a pianista Olga Kern foi a convidada para executar o 1º Concerto para Piano e Orquestra em Si bemol menor, de Tchaikovsky. Após a cadência do piano, o tutti da orquestra mostrou-se acanhado, especialmente as cordas. Fora isso, a orquestra teve um desempenho brilhante, como sempre; espelhando a aptidão de seus músicos e refletindo o trabalho árduo de Neschling à frente da Osesp.

Que história é essa de que Neschling parecia um corcunda? Ora, faça-me um favor! Isso já é argumento da tropa que deseja expulsá-lo da direção e regência da orquestra. O sucesso incomoda, eu sei. Por isso mesmo o colocaram em um processo de fritura, de desgaste… Por tudo o que ele vem passando, sua presença e desempenho foram formidáveis; tanto que, ao fim do concerto da semana passada, a platéia da Sala São Paulo o aplaudia e clamava: “Fica, fica, fica!” (há um erro de conjugação, eu sei. Mas, no contexto, isso se tornou irrelevante).

Neschling fez da Osesp uma orquestra de projeção internacional. A orquestra tornou-se símbolo da alta cultura paulista, resultado de mais de 12 anos de trabalho. Agora, com a saída de Neschling (em 2010), há o temor de que o nível da Osesp despenque e todo o resultado de anos de dedicação desmorone.

Quem imaginaria uma Sala São Paulo há anos atrás?

Quem imaginaria Sarah Chang em São Paulo há anos atrás?

Quem pensava em ter, no Brasil, uma orquestra aclamada em toda a Europa?

Quem imaginava uma orquestra transmitindo um concerto de gala de fim de ano para a Europa, direto da Sala São Paulo?

O legado que Neschling deixa é enorme. Mas parecem querer apequenar tudo isso. 

Apenas uma pergunta: qual a causa, motivo, razão e circunstância?

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Neschling e injustiça

10 pensamentos sobre “Neschling e injustiça

  1. Lucas diz:

    O Sucesso sempre traz consigo a inveja, quando uma coisa no Brasil está indo certo eles querem derrubar, é nessas horas que eu me envergonho de ser Brasileiro !
    Fica Neschling !

  2. Daniel Bezerra diz:

    Assisti a um ensaio da Osesp.
    Neschling em momento nenhum demonstrou a arrogância que dizem que ele tem. Ao contrário, ele era muito competente em corrigir os erros de execução dos músicos.
    Não o conheço pessoalmente. Mas passei a admirá-lo desde então.
    Se o perdemos, será algo irreparável a curto prazo.
    Isso só demonstra a ignorância do governo Serra (vc é tucano?, leandro).
    E FHC – presidente do Conselho da Fund. Osesp -? Pq está tão omisso nessa história?

  3. anonimp diz:

    Nessa história da OSESP e John Neschling resta um clima de velório antecipado, que vai acontecer. Não conheço pessoalmente o maestro, não sei se ele é chato, turrão, se os músicos estão ou não satisfeitos e outros quesitos mais. O que se lê é a interferência política. A OSESP não é independente e fica à mercê do poder eventual. Eu apenas sei que a OSESP, ainda, toca bem, faz sucesso efetivamente. E vai deixar isso para trás. Pena que os grandes empresários brasileiros não tenham o espírito de seus similares mais avançados de outras nações, que adotam iniciativas artísticas de bom nível. Essa história vai acabar em algo previsível: um sepultamento nada digno de um projeto que deu certo. Estamos no Brasil varonil, de imbecis mil!!!

  4. Danilo Vieira diz:

    Blz, primo?
    Você me chamou para ir ao concerto mas não deu. Vendo seu relato do “Fica, fica, fica”, imagino como VOCÊ (fã num 0 do Neschling) ficou na hora.
    Mas, tudo tem um lado positivo. Se ele sair, pense que o Lorin Maazel poderá vir (utopia). Se não, o Kurt Mazur (sonho). Há também o Seiji Osawa (tbm utopia).
    Se não, a Osesp fica sem maestro e acaba de vez (muito provável, infelizmente)
    Abração!

  5. ANDRE SOARES diz:

    LI QUE QUEREM TRAZER O BAREMBOIN. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
    COM r$100MI POR MÊS, NÃO LEVAM NEM O FLORÊNCIO DA MUNICIPAL (COM TODO RESPEITO, CLARO)

  6. Robert diz:

    eu não estava´lá, mas faço côro
    FICA, FICA, FICA, FICA,
    FICA, FICA, FICA, FICA, FICA
    FICA, FICA, FICA, FICA, FICA
    FICA, FICA, FICA, FICA, FICA
    FICA, FICA, FICA, FICA, FICA

  7. Pedro diz:

    O projeto Osesp é do Neschling.
    Serra e Sayad querem tomar todo o triunfo desse sucesso para o governo do Estado, como se isso tudo (o sucesso) fosse mérito único e exclusivo do Governo. E vc sabe que não é.
    Quando Eleazar de Carvalho regia a Osesp, ninguém esperava mais do que aquelas apresentações tacanhas. Neschling ousou, e conseguiu esse exuberante resultado.
    Que ele fique Ele e a Osesp merecem

  8. Estela diz:

    Oi, Leandro
    Eu tbm estava na Sala no dia da apresentação e do “Fica”.
    Confesso que me emocionei muito. Quando fui à loja Clássicos pegar um autógrafo de Neschling, ele ainda estava meio comovido. Ninguém esperava esse “Fica, fica, fica”.
    Seu texto está brilhante!
    Parabéns!

  9. Ma Bego diz:

    Olá Leandro…

    estive na sala… foi emocionante o “FICA”, e claro! me juntei à ele!

    certo ou errado:

    FICA NESCHLING!!!!!!!!!!!

  10. Mauricio diz:

    Olá Leandro… eu estava no concerto onde o Fica! Fica! Fica! foi gritado pelo publico. Estamos indignados por ter um projeto fantástico arriscado simplesmente pq. existe pressão política nisso. Como é que podem fazer uma sucessão sem que se justifique essa necessidade e o pior, depois de uma porção de absurdos como um concurso publico para maestro ou a contratação irreal para a realidade brasileira de nomes como Daniel Barenboim.

    Enfim, isso é um absurdo e por isso o publico gritou com toda a força, Fica! (Sei que seria mais correto, mas acho que não tão forte o Fique!)

    Esse momento está registrado no youtube:

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