Disputa com o Brasil é só comercial, afirma Rafael Correa

De O Estado de S,Paulo

Em Salvador, depois de participar da reunião de cúpula na Costa do Sauípe, o presidente do Equador disse ter apresentado ao seu colega brasileiro a “perspectiva equatoriana” da crise que envolve a construtora Odebrecht e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Como foi a reunião com o presidente Lula?

Fraternal como sempre. Temos uma relação de amizade muito profunda e Lula é um dos grandes presidentes da História e um exemplo para o Brasil e toda a América Latina. Ele se mostrou muito preocupado com algo que pudesse afetar uma instituição tão importante como o BNDES. Mas expusemos a ele a perspectiva equatoriana. Esse empréstimo financiou uma obra que foi mal construída (a Usina Hidrelétrica de San Francisco, levada adiante pela construtora brasileira Odebrecht, expulsa do Equador em setembro). E causou um prejuízo ao Equador de cerca de US$ 100 milhões, de acordo com auditoria da Controladoria do Estado. E o que estamos fazendo é manter o estrito apego ao contrato, pedindo uma arbitragem para que se revisem alguns detalhes sobre características do empréstimo. Nunca dissemos que suspenderíamos o pagamento. Ou seja, atuaremos com base na decisão da arbitragem que, insisto, está prevista no contrato com o BNDES. Há uma cláusula que especifica que controvérsias seriam apresentadas a essa comissão de arbitragem de Paris.

E a parcela que vence dia 29?

Será paga normalmente. Não tomaremos nenhuma ação até que a arbitragem se manifeste. Pode ser que haja um pouco de temor por parte do Brasil, mas o Equador está atuando com total transparência e boa-fé. Tomara que, com esses esclarecimentos e esse pagamento, possa regressar o embaixador (brasileiro em Quito, chamado para consultas após anúncio do Equador de que apresentaria o contrato à arbitragem). Foi uma lástima isso. Respeitamos a decisão brasileira, mas não concordamos com ela. Sinceramente, nos doeu muitíssimo.

O sr. tratou disso com Lula?

Claro. Conversaremos sobre isso depois que fizermos o pagamento dia 29. Não quero fazer comentários sobre o mérito da decisão. O Brasil não chama um embaixador desde a Guerra do Paraguai. Para o Equador, essa é uma questão estritamente comercial e financeira. Não consideramos nenhum problema diplomático com o Brasil. Há, claramente, boa vontade entre as partes para superar esse pequeno impasse.

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