ASSUME OBAMA. A COISA É MAIS SÉRIA DO QUE CONCRETIZAR A ERA PÓS-RACIAL

 

Obama e familia em cerimônia de posseÉ… enquanto Obama concretizava-se como o presidente dos píncaros da glória os mercados caíam. Só há um viés positivo nisso: a certeza de que o messianismo-around-Obama não o concretiza como Messias. Ele é só mais um presidente na história dos Estados Unidos.

A mística surrealista extremou-se quando um repórter brasileiro, ao cobrir ao vivo o evento da posse, disparou para os telespectadores: “cheguei a me beliscar pra ter certeza de que isso não é um sonho!”.

Outra jornalista brasileira, não contente em repetir mais de mil vezes que a posse era um “evento histórico”, decidiu ir além: “é um dia histórico para a história do mundo!”.

É formidável assistir um negro assumindo a presidência dos EUA? Sim, claro. A consolidação do “I have a dream” é fantástica, mas nada de sobrenatural. Até onde sei, o fato de o presidente ser negro ou branco não vai atenuar os conflitos incessantes no Oriente Médio. Também não vai ajudar em nada o Brasil na luta de reduzir os subsídios ao etanol nacional nos EUA. Superação de conflito racial não é um fator-chave quando se fala em assumir um governo que tem duas guerras para administrar e uma crise econômica para dar solução.

O discurso de posse de Obama não trouxe elementos arrebatadores à semelhança do texto lido por ele na Alemanha. Novamente preferiu ser genérico e manter um tom anti-Bush. Não faltaram referências à crise econômica e às guerras em andamento. Chega ser engraçado: no começo, a crise era culpa dos benditos créditos subprime; depois, era do capitalismo; de repente, passou a ser exclusivamente “culpa do Jórjibúxi”. No que concerne às guerras, outra observação: o atentado contra as torres – em 11 de setembro de 2001 – ocorreu depois de apenas oito meses do governo Bush. Ao contrário do que pregam alguns deturpadores, o ônus dessa fatalidade não é resultado das sementes da política externa plantada pelos republicanos, mas, sim, conseqüência de negligências inerentes à segurança nacional estadunidense dos democratas. Bill Clinton ignorou – ou, quiçá, subestimou – o perigo das organizações terroristas. Bush não cometeu essa falha. A prova incontestável de que sua política de segurança foi corrta pode ser resumida em uma constatação: depois do 11 de setembro, NUNCA MAIS houve ataque terrorista contra os EUA. Hoje, no Iraque e Afeganistão os governos são constitucionais; A Al Qaeda sofreu baixas significantes e Bin Laden encontra-se definhado. Esses méritos são de Bush e de sua, como é mesmo?, política externa fracassada!

O primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos vai ter de representar muito mais do que uma era pós-racial. No dia 5 de novembro, escrevi aqui no blog:

Há quem diga que o senador de Illinois foi eleito porque representa, mais do que ninguém, a necessidade de mudança – essa onda do yes, we can. Todavia, em nenhum momento ficou bem claro qual será o caminho das pedras pelo qual esse can será concretizado.

Obama não vai resolver a crise financeira. Não vai retirar as tropas do Iraque em 100 dias coisa nenhuma. Para tal façanha é preciso, primeiro, combinar com os russos – e entre esses russos está ninguém menos que Colin Powell. Obama também não vai aumentar presença americana no Afeganistão. Se assim fizer, entrará em contradição no que tange aos orçamentos militares, cujos gastos ele prometeu reduzir drasticamente.

A verdade pura é que a retórica de Obama – sempre coerente, bem escrita – não tem nada do “novo” tão esperado por todos. Sua nata habilidade em discursar lhe personificou a “mudança” que, escrevam: NÃO OCORRERÁ À PROPORÇÃO AGUARDADA PELO MUNDO INTEIRO. E tem mais: brilho, carisma e simpatia não resolvem as agruras de uma guerra nem dão liquidez a um mercado em crise.

 Uma coisa é certa, se Obama fracassar – e notem: não torço para que isso ocorra; pelo contrário, quero mais é que ele tenha sucesso e seja o melhor presidente da história – o abalo será global. Não por fatos inerentes à política  e economia; mas, sim, por uma frustração pessoal. O onda Obama despertou nas pessoas um sentimento que faz dele uma espécie de Messias, cujos feitos são de onipotência. Apesar dos incessantes recados enviados por Obama sobre o ritmo de adágio a ser impresso nas articulações que trarão resultados concretos aos cenários político e econômico, o povo insiste que tudo resolver-se-á ao mais puro estilo de Cristo: com uma simples determinação.

Sucesso a Obama e a toda sua equipe.

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