Sobre Neschling. E uma utopia

José Serra e João Sayd já podem soltar fogos de artifício. Conseguiram: Neschling, finalmente, foi demitido. O homem responsável pela formidável reestruturação da Osesp, pela projeção internacional – fazendo, inclusive, com que a orquestra fosse destaque na revista Gramophone como umas das três orquestras em expansão mais importantes do mundo –, pela realização de grandes concertos com grandes solistas de renome internacional, pela idealização da Sala São Paulo e o aumento expressivo nas vendas do serviço de assinaturas…enfim, só isso; quase nada!

Acusam Neschling de ter um temperamento difícil, beirando a intransigência. Sim, é verdade; ele tem. Mas nem por isso todo o seu feito à frente da orquestra deve ser desconsiderado e sua brilhante gestão ser reduzida a pó. “Ah, mas a entrevista dele a O Estado de S.Paulo foi muito dura”. Sério? Santo Deus!!! Porventura ele disse alguma mentira?

E esse conselhozinho da Osesp, hein? O quê gente como Alberto Dines, Moreira Salles, Celso Lafer, Pedro Malan e companhia estão fazendo por lá? Qual a vivência dessa turma na área musical? Para se administrar uma fundação como a Osesp, creio, é, sim, indispensável saber pelo menos a diferença entre bemol e sustenido, entre clave de dó na terceira linha e clave de dó na quarta linha, a diferença entre melodia e harmonia, a diferença entre scherzo e adágio

Espero que a demissão de Neschling não seja o primeiro dia do resto da existência da Osesp.

E registro minha utopia: eu quero Lorin Maazel para suceder Neschling.

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Sobre Neschling. E uma utopia

10 pensamentos sobre “Sobre Neschling. E uma utopia

  1. Salonen diz:

    Realmente é triste a saida de John Neschling. Foram inumeras as realizações dele e fantastica a reestruturação que ele ocasionou na instituição. Todavia ele com certeza não foi o único a reerguer orquestra, nao esquecam que a orquestra não é a nada sem os músicos e eles continuarão lá mostrando que o Brasil pode ter sim uma orquestra de nivel internacional . E, nao se sabe o que os músicos acham da sua administração e da sua regência portanto acredito que a saida de JN deve ser vista com pesar mas tambem não como se fosse o fim do mundo. Tenho visto no orkut (comunidade OSESP) manifestações exageradas de tristeza pela saida do maestro. Eu mesmo já fui expulso dessa comunidade 3 vezes por não achar que a saida de JN é o fim do OSESP.
    Sejamos realistas … a OSESP é formada por muitas pessoas e não só por uma !!!

  2. Kelly da Silva diz:

    Infelizmente o Brasil não sabe reconhecer excelentes trabalhos que não sejam acompanhados por aparência, por um sobrenome conhecido ou por politicagem.
    E pior, apoiam uma demissão desrespeitosa como essa.
    Já não bastava excluir o maestro do processo de transição? Vamos pesquisar se algo irresponsável assim acontece nas melhores empresas do país!!!
    Por que não demitiram logo depois da entrevista? Ah, claro, é muito melhor fazer isso no período em que todos estão de férias, quando não há concerto para o público se expressar e quando a maioria já pagou as assinaturas pelo programa com John Neschling.

    Resta desejar a JN uma vida profissional maravilhosa, em um ambiente onde a cultura é respeitada pelos cidadãos e pelos políticos (pelo jeito só no exterior).

  3. Mauricio diz:

    Realmente quem aplaude a saída de John Neschling só pode desconhecer completamente o que representa hoje a Osesp. Quem diz que ela não se desenvolveu com “toda a infraestrutura” desconhece todo o trajeto de sucesso absolutamente inédito quando se fala de musica clássica no Brasil.
    A Osesp praticamente não existia antes de Neschling e durante a sua administração ela foi aclamada pelas mais importantes publicações no mundo. Suas gravações foram premiadas. Ele permitiu a redescoberta de Villa-Lobos no resto do mundo… de Cláudio Santoro… de Nepomuceno… de Francisco Mignone…
    O seu ultimo concerto a frente da orquestra, realizado em 31 de dezembro de 2008, transmitiu musica brasileira da melhor qualidade para todo o mundo.
    E mais importante… fez com que a musica clássica se movimentasse mais nos últimos 10 anos do que nos 50 que o antecederam…
    E ele foi demitido de modo lamentável… com uma carta… depois de todos os assinantes já terem renovado suas assinaturas… no meio de janeiro quando o publico está desmobilizado e sem condição de se manifestar. Não permitiram nem que ele que tornou tudo isso possivel de despedisse dignamente do seu publico. Um publico que se manifestou de todas as formas, que em sua maioria não desejava a sua saída… Basta ver o Video que está no Youtube do publico da Sala São Paulo gritando a uma só voz, Fica! Fica! Fica!

  4. Brenda diz:

    Já estava na hora deste maestro sair da OSESP.Fez uma reforma,mas tratava os músicos como escravos.O brasileiro precisa aprender a crescer e chegou a hora da orquestra viver uma nova fase e não deixar o nível cair,mas mostrar que não é com grosseria que se mantém o nível,mas com vontade de trabalhar.Quero ver o que vai acontecer agora com aqueles que se calaram durante o período de demissôes feitas a alguns anos.Estes músicos deviam sentir vergonha de não ter apoiado ao trompista Luiz Garcia entre outros.

  5. Mara Regina diz:

    Em principio não me causa surpresa a saida do maestro, há tempo sua imagem estava desgastada. Não podemos desconsiderar seu talento e que o mesmo fez pela OSESP, que hoje é uma orquestra mundialmente conhecida e respeita. Desejamos que os responsáveis deixem a “politicagem ” de lado e tenham a sensibilidade na escolha do novo maestro.

  6. Fabiano diz:

    Talvez nós devamos convidar o intelectual, acadêmico e petista Gilberto Gil para dirigir a orquestra sinfônica. Com sua insuspeita erudição, ele irá aposentar esses instrumentos europeus colonizadores (violinos, cellos e outras aberrações) e substituí-los por atabaques e tambores, estes sim verdadeiros elementos culturais nativos brasileiros.

  7. Paulo Tadeu diz:

    A Osesp tinha que acabar. E aquela Sala São Paulo? é uma concentração da elite. Pra que aquilo? Só dinheiro jogado fora…O cara ganhava R$ 100 mil?? Essa verba não seria mais bem aplicada se destinada a fins sociais?
    Demoro!
    Ele e todos os músicos tem mais é que cairem fora mesmo.
    Quem precisa de orquestra?

  8. Cecília diz:

    Tô chocada!!!!
    Eu não sabia que no conselhor de uma instituição como a Osesp tinha banqueiro, jurista, escritor, jornalista…
    tem que tirar essa gentinha de lá. o que eles sabem?

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