PMDB vence no Congresso e estabelece latifúndio no poder

Da Folha de S.Paulo

Depois de 16 anos e com o apoio do presidente Lula, o PMDB reconquistou as presidências da Câmara e do Senado. As vitórias dão ao partido poder extra para buscar mais espaço dentro do governo, no qual já atua com a indicação política de seis ministros.
Na Câmara, venceu o deputado Michel Temer (PMDB-SP). Ele teve 304 votos e superou seus dois adversários -Ciro Nogueira (PP-PI), que teve 129 apoios, e Aldo Rebelo (PC do B-SP), com 76 votos. A Câmara tem 513 deputados e o quórum ontem foi de 509.
No Senado, o vitorioso foi José Sarney (PMDB-AP). Ele havia passado os últimos dois meses tentando ser o candidato único. A estratégia não deu certo. Ele teve de ir para a disputa contra Tião Viana (PT-AC) -venceu por 49 a 32, totalizando as 81 cadeiras do Senado.
Essas vitórias de Temer e de Sarney conferem aos dois grande poder para influir no governo Lula, em especial na sucessão de 2010. A presidenciável Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, tentou desconversar ao comentar a eleição. “A base do governo foi vitoriosa”, disse.
Questionada sobre uma vaga de vice em sua eventual chapa, afirmou: “Estamos falando de 2009. E essa vitória é em 2009 e tem que ser vista como uma contribuição à governabilidade”. Sob a ótica da oposição, o presidenciável José Serra (PSDB-SP) tem em Temer um aliado potencial e em Sarney um desafeto.
Apesar desse poder, nem Sarney nem Temer tiveram os apoios que alardeavam.
No caso da Câmara, a aliança formada pelo peemedebista tinha 15 partidos e um total de 425 deputados -o maior bloco já criado dentro do Congresso. Desses, 121 (28,3%) acabaram traindo Temer na hora do voto.
No Senado, sarneyzistas começaram contando 58 votos, e o número final foi desidratado para 49. Muito da redução do apoio se deu em decorrência de uma decisão inusitada do PSDB, cujo apoio oficial foi para Viana. Como a votação é secreta, não se pode mapear com precisão as defecções.
A conquista de Temer se cristalizou apenas nas 72 horas anteriores à disputa. O peemedebista teve grande ajuda com a saída de Osmar Serraglio (PMDB-PR) do páreo, anteontem à noite. Primeiro, quase todos os seus votos migraram para Temer. Segundo, propagou-se um desânimo nas campanhas de Ciro e Aldo.
Temer, 68, e Sarney, 78, são veteranos no comando do Congresso. Ambos começaram ontem o seus terceiros mandatos nas presidências de Câmara e Senado. O deputado foi eleito pela primeira vez em 1997 e reeleito em 1999. O maranhense, que agora se elege pelo Amapá, teve sua primeira eleição para presidir o Senado em 1995 e a segunda em 2003.
O PMDB é descendente direto do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido de oposição consentida durante a ditadura militar (1964-1985). Na volta do país à democracia, a sigla comandou o Congresso inteiro por vários anos seguidos. Na década de 90, começou a entrar em decadência.

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