OS LIMITES DA IGREJA TÊM DE RESPEITAR OS LIMITES DA VIDA. INCLUSIVE NA MORTE

Quando se fala em ortotanásia e eutanásia é impossível ignorar a querela ética que vive na órbita dessas práticas. E, deixemos bem claro: enquanto a ortotanásia visa morte natural, a eutanásia tem por escopo o aceleramento da extenuação através de injeção de produtos químicos. A primeira prática é procedente; a segunda, condenável.

A Igreja Católica, bem como o pensamento político-religioso de Berlusconi, pensaram a morte de Eluana Englaro como um assassinato. Pura mentira! Eluana morreu há 17 anos atrás, quando suas limitações já eram iminentes e irreversíveis. Mantê-la viva artificialmente configuraria mantê-la morta naturalmente. Em um ser onde a tecnologia médica realiza funções de epítome acuidade para a continuação da vida, não se pode afirmar que há, nele, vida natural. Nem mesmo asseverar – até no campo hipotético – que a pessoa tem vontade própria. Depois de 17 anos vegetando, a essência da vida e de tudo o que lhe é inerente já não fazem mais sentido. A consciência de vida se perde. Flui, então, a consciência artificial: a máquina mantendo viva uma pessoa morta.

Os seguidores dos ditos contornos éticos intrínsecos ao que se chama de “o limite da vida” ocupam-se, agora, na intromissão, digamos, dialética da injustiça cometida contra a vida. O político direitista Umberto Bossi, do jaez de Berlusconi, afirmou que “não se pode deixar ninguém morrer de fome e sede. É algo primitivo, desumano e inaceitável”. Inaceitável, primitivo e desumano é prolongar um sofrimento irreversível. Inaceitável, primitivo e desumano é ignorar a vontade de familiares de um moribundo para fazer valer valores pessoais e religiosos.

O jornal Corriere della Serra, em reportagem, afirmou que Eluana já estava em um estado físico assombroso. Segundo o diário, ela estava com apenas 40 quilos, tinha braços e pernas atrofiados e só podia permanecer deitada de lado, pois, se ficasse com o ventre para cima, correria sério risco de se afogar com líquidos que saíam do próprio estômago, também já atrofiado. Em virtude de ter ficado tanto tempo em posição lateral, várias partes de seu corpo já estavam lesionadas, principalmente a pele. O rosto, segundo o jornal, também estaria muito lesionado. A isto que a Igreja Católica e Berlusconi queriam dar longevidade: a uma consternação que já durava irreversíveis 17 anos.

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