MENTIRINHAS DE DILMA

A ministra da Casa Civil Dilma Rousseff concedeu uma longa entrevista à revista Valor Especial, do jornal Valor Econômico; onde garante que em hipótese nenhuma o governo estuda reduzir investimentos no PAC. “Com a crise, o PAC passou a ter uma urgência ainda maior. Qualquer programa de investimento em grande escala, neste momento, é anticíclico”. “A crise não está prejudicando o PAC”, afirma Dilma.

Questionada se no atual momento econômico o orçamento público, crédito e investimento necessariamente não diminuem, a ministra responde que “diante da crise, só se corta investimento por necessidade, não por virtude”. Ainda sobre fonte de recursos para financiar as obras do PAC, Dilma parece ignorar os efeitos da queda de arrecadação de impostos. “Vai haver queda na arrecadação, mas, mesmo assim, privilegiaremos a manutenção do PAC porque temos uma situação fiscal sólida e estável”, garante.

Apesar de todo o, digamos, messianismo do palavrório de Dilma, vejam o que vai no Estadão de hoje.

O governo federal só investiu, até o dia 12 de março, uma parcela de R$ 1,23 bilhão, ou 5,2%, do total de R$ 20,7 bilhões de recursos autorizados do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Orçamento Geral da União (OGU) para 2009 (sem incluir os investimentos das estatais que também foram inseridos no PAC). O período até 12 de março corresponde a aproximadamente 20% do ano, o que contrasta com a parcela de apenas 5,2% do PAC no OGU que já foi efetivamente gasta.

O valor de gastos diários com o PAC em 2009 está em R$ 17,3 milhões, pouco mais da metade da média diária de R$ 31,1 milhões de 2008. “Se o ritmo atual for mantido ao longo do ano, os investimento do PAC serão 45% menores do que os de 2009″, diz o economista José Roberto Afonso, especialista em contas públicas da José Roberto Afonso & Colaboradores.

Afonso, que já colaborou com os tucanos, fez esses cálculos com base nos números do site Contas Abertas, dedicado às contas públicas. O economista observa que a economia brasileira produz algo como R$ 8,2 bilhões por dia, o que poderia ser visto como um “PIB diário”. O valor do PAC executado até agora, nota Afonso, corresponde a apenas 0,2% do PIB esperado para o período até 12 de março. Isso significa que o efeito anticíclico (isto é, de se contrapor à recessão) dos investimentos do PAC até agora é mínimo – a política anticíclica típica geralmente significa aumentar o investimento público em alguns pontos porcentuais do PIB.

O delírio não pára por aí: a perspicácia de certos setores do petismo é mesmo inacreditável. O jogo de mistificações presente nas entrelinhas de discursos dessa gente chega a ser de certa forma jocoso, se analisarmos friamente. De mau gosto mesmo.

Lembram-se da maneira como Lula tratou a crise econômica?

Lembram-se da “marolinha”?

E daquela história de que o País foi o último a entrar e será o último a sair da crise?

Pois bem. Na mesma entrevista à Valor Especial, Dilma Rousseff declara que “jamais minimizamos [Governo] a crise”. E ela se supera: “o Brasil tem uma vantagem construída pelo atual Governo”.

Interessante a opinião da ministra. É curiosa porque tal afirmação contradiz uma publicidade veiculada pelo Governo Federal na revista norte-americana Foreign Affairs, onde FHC recebe os devidos créditos pelas condições favoráveis criadas para seu sucessor – Lula. Leiam um trecho da propaganda – intitulada “Brasil, um gigante acorda”.

“Os bancos brasileiros são sólidos e lucrativos graças à estabilidade criada pelo antecessor de Lula, Fernando Henrique Cardoso. De maio de 1993 a abril de 1994, FHC (como ele é conhecido) foi ministro da Fazenda do Brasil e introduziu o Plano Real para acabar com a hiperinflação. Embalado pelo sucesso de seu plano, ele foi eleito presidente em 1994 e reeleito quatro anos mais tarde. Cardoso foi sucedido em 2003 por Lula, que também foi reeleito; o mandato atual de Lula vai terminar em 2011”.

Essa gente não liga de fazer proselitismo na cara larga. Mente-se com similar naturalidade de se fazer atividades fisiológicas.

Nota-se nessas horas a falta de preparo de setores da imprensa, que, parece-me, perdeu a virtude de questionar. A entrevista de Dilma é um exemplo clássico de como o PT se ocupou em fazer discursos chulos, onde prevalece a falácia e a avacalhação política. Admitem o sucesso das práticas do governo de FHC em revistas norte-americanas, mas achincalham-nas na imprensa nacional.

Anúncios
MENTIRINHAS DE DILMA

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s