MUITO ALARMISMO PRA POUCA COISA

A gripe suina – uma pseudopandemia com origem no México – tem ganhado uma repercussão com viés desmedido. O alarmismo imódico em torno da questão supervaloriza dados mínimos e despreza informações macros que servem de parâmetro para que uma comparação seja feita. Na intenção de informar, às vezes, a imprensa excede-se em seu papel e provoca uma crise inexistente ou um pânico infundado. Nunca é demais lembrar que a “ameaça global” da gripe aviária matou 200 pessoas no mundo todo. E esse número torna-se insignificante quando comparado ao total de habitantes no mundo: 6,5 bilhões.

O mesmo ocorre hodiernamente com a gripe suína. A Cidade do México – notem bem: falo apenas da capital do País, não do País inteiro – tem 20 milhões de habitantes. Esta é uma informação importantíssima quando se está fazendo um vendaval com míseras sete mortes. Não é meu objetivo menosprezar as pessoas que morreram, mas, sim, desmistificar dados que não são da relevância atribuída. Ontem, em uma entrevista coletiva, o ministro da Saúde do México confirmou que há 2.498 casos de hospitalização por pneumonia grave, não por gripe suína, conforme divulgado inicialmente. Como se vê, informações que podem despertar na população um sentimento de calamidade pública são tratadas de forma irresponsável.

E já começamos a assistir ao princípio da escatologia anunciada. Especialistas em espirros e em crianças-que-fungam-de-madrugada já começam a dar seus pitacos em tudo quanto é espaço que a imprensa lhes oferece. O infectologista Stefan Cunha Ujvari, por exemplo, já advertiu que “as medidas anunciadas pelo governo [brasileiro] são corretas, mas que mesmo assim é muito difícil que o vírus da gripe suína não chegue ao Brasil e, nesse caso, as filas nos hospitais públicos vão aumentar e não haverá leitos suficientes, não apenas para internação, mas também para isolar os pacientes”. E o cenário caótico de Ujvari vai além: “os estoques de medicamentos no país não devem ser suficientes no caso de uma epidemia”. Viram? As profecias do valente são todas fundadas em hipóteses. E essas hipóteses, por sua vez, são todas hiperdimensionadas.

O Egito já partiu para a ignorância. Nos próximos dias, 300 mil porcos deverão ser abatidos para “evitar contaminação humana”. Creio que medidas radicais não ficarão limitadas somente ao Egito.

Atualmente, no mundo, há 114 casos de gripe suína (repito: num mundo com 6,5 bilhões de habitantes). Realmente, é um dado espantoso! É para todo mundo sair de máscara nas ruas.

E, claro, alguns babacas fundamentalistas aproveitam-se do cenário para nos remeter à “volta de Cristo”. Sinto muito, mas Cristo tem mais o que fazer…

MUITO ALARMISMO PRA POUCA COISA

Deputados envolvidos em farra aérea preparam vingança contra MP

Do Correio Braziliense

Submersos em uma onda de denúncias, os deputados têm passado mais tempo criticando os que os acusam do que tentando encontrar argumentos que justifiquem suas práticas. Em mais um exemplo da disposição de buscar — e punir — culpados pelas acusações atribuídas a eles, um grupo de parlamentares opera nos bastidores a favor de um projeto de autoria do deputado Paulo Maluf (PP-SP), que condena autores de ações civis públicas, especialmente integrantes do Ministério Público, a pagarem multa no valor 10 vezes superior às custas dos processos e condenam os denunciantes a detenção, caso a Justiça entenda que foram movidos por má-fé, perseguição política ou promoção pessoal. 
O tema tem sido tratado discretamente pelos líderes, mas foi abordado nas duas últimas reuniões da cúpula da Câmara. No encontro realizado ontem, coube ao líder do PSC, Hugo Leal (RJ), destacar a necessidade de impor limites à atuação dos denunciantes. De acordo com alguns líderes, o parlamentar manifestou a ideia defendida pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), considerado influente dentro da bancada do Rio de Janeiro, da qual Leal é parte. 
Apesar da simpatia dos parlamentares à proposta de impor penalidades aos que os denunciam, poucos admitem a discussão. “Não vi isso. Quem contou?”, se sai Jovair Arantes (PTB-GO). “Alguém falou nesse assunto, mas não lembro quem foi. De qualquer forma, não acho que seja o momento para discutir essa pauta. É preciso rever o todo e encontrar as raízes desses problemas”, despista Mário Negromonte (PP-BA). 

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Câmara corta farra aérea, mas prepara reajuste

De O Estado de S.Paulo

Para encerrar ontem a discussão sobre a farra das passagens com um ato administrativo que tornou as regras mais rígidas, a Mesa Diretora da Câmara iniciou, ao mesmo tempo, o processo de uma reforma administrativa que abre caminho para aumento salarial dos deputados. A avaliação de líderes e de integrantes da Mesa é que haverá corte de benefícios, mas será inevitável a contrapartida de elevar a remuneração e equipará-la ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), hoje de R$ 24.500. Para evitar maior desgaste político, a ideia é aprovar o pacote agora, mas pôr em prática neste ano apenas os cortes de gastos. O salário mais alto ficaria para depois, provavelmente 2011, quando assumirão os novos deputados.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), anunciou a criação de uma comissão para, no prazo de 30 dias, apresentar uma proposta de reforma, depois da reunião da Mesa com os líderes partidários que recuou da decisão de votar no plenário um projeto que restringe o uso de passagem e adotou as medidas por meio de um instrumento administrativo. “Muitas vezes o recuo é para avançar”, disse Temer.
A preocupação dos integrantes da Mesa Diretora é construir uma reforma que adote medidas moralizadoras, mas não provoque nova rebelião no baixo clero, como são chamados os deputados de pouca expressão. A reação desses parlamentares contra as medidas disciplinadoras da cota de passagem aérea, especialmente por causa da proibição de viagens de parentes, fragilizou ainda mais a imagem da Câmara, já abalada pela série de denúncias de uso do recurso público para viagens a passeio, vendas de créditos excedentes no mercado paralelo e emissão de bilhetes em nome de parentes e amigos. No episódio das passagens, a revolta foi contida pelos líderes, mas os deputados ainda esperam uma compensação.

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Com dinheiro do Senado, Magno Malta e assessor aproveitam viagem à Índia para esticar quatro dias nos Emirados Árabes

Do Correio Braziliense

O senador Magno Malta (PR-ES) e o assessor José Augusto Santana passaram quatro dias de folga em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, numa viagem oficial autorizada apenas para a Índia. Presidente da CPI da Pedofilia, Magno Malta apresentou um requerimento no ano passado para viajar pelo Senado a Hyderabad, na Índia, onde participaria de um fórum sobre o combate à pornografia infantil entre 3 e 6 de dezembro. O senador e o servidor conseguiram autorização para receber diárias de 1 a 8 daquele mês. No total, R$ 7,2 mil foram depositados na conta de cada um. 
O Correio teve acesso aos bilhetes aéreos do senador e do assessor. No dia 6, os dois deixaram a Índia e deveriam fazer uma escala em Dubai, onde não tinham agenda oficial, para seguir no mesmo dia ao Brasil. Mas ficaram na cidade até o dia 10, quando regressaram no voo 261 em classe executiva pela empresa Emirates. À reportagem, Malta informou que só soube por seu assessor, durante a estadia na Índia, que não teria vaga num voo de Dubai para o Brasil no dia 6 por causa do atentado na Índia ocorrido 10 dias antes. “Eu sai de Hyderabad, fui informado pelo Augusto que estava faltando voo e fiquei em Dubai”, disse, garantindo que não tinha ciência desse cenário antes de deixar o Brasil. 
O problema é que um ofício, que repousa na Diretoria-Geral, revela que o servidor teria programado a esticada em Dubai com antecedência. A cidade é considerada hoje o principal ponto turístico do Oriente Médio. José Augusto Santana protocolou um ofício, de número 392/08, ao então diretor-geral, Agaciel Maia, em 25 de novembro, pedindo autorização para usar o telefone celular do Senado no fórum indiano entre 2 a 7 de dezembro e de “7 a 10 em Dubai/Emirados Árabes”. O senador afirma que se mostrou surpreso com a atitude do assessor. “Eu não sabia e não vou julgá-lo por isso.” O servidor não quis comentar o assunto. “Não tenho que dar satisfação.” 

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“A voz das ruas levou à condenação de Cristo”

De O Estado de S.Paulo

“A voz das ruas levou à condenação de Cristo, às fogueiras da inquisição, ao nazismo, ao circo romano”, declarou Dório Ferman, 64 anos – presidente do Banco Opportunity -, à saída da Polícia Federal.

Há 29 anos no comando da instituição, engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Pernambuco, pós-graduado em matemática pela Universidade Federal da Paraíba, com mestrado em economia pela FGV/RJ, administrador de clubes de investimentos, Ferman afirma não ter praticado os crimes que a Polícia Federal lhe imputa.

O sr. não poderia ter esclarecido tudo hoje (ontem), à PF?

Há o máximo interesse em esclarecer tudo, mas dentro da lei e do Estado de Direito. Desde a fundação, sou presidente e proprietário do Banco Opportunity. É uma instituição que nunca teve problema, de nenhuma espécie. São 25 anos sem nenhum processo administrativo no Banco Central, uma empresa correta, que paga os impostos em dia e cumpre a sua função social. Trabalha dentro da lei.

Por que o sr. é investigado?

Cabe a vocês (jornalistas) procurarem. A democracia brasileira depende muito de vocês. Meu poder é muito limitado. A voz das ruas levou à condenação de Cristo, às fogueiras da inquisição, ao nazismo, ao circo romano. Cabe a vocês esclarecerem e contribuírem para o bem do País. Minha função é administrar recursos e eu faço isso com muito cuidado e com muita dedicação, da melhor maneira possível. O meu caso é de sucesso. Se vocês virem o resultado, os clientes estão satisfeitos, os impostos pagos, os controles em dia. Não tem razão alguma para isso (indiciamento).

Não houve evasão?

Eu não tenho nenhuma dúvida de que nunca fizemos evasão. 

“A voz das ruas levou à condenação de Cristo”

Delegado indicia dois do MST por execuções

De O Estado de S.Paulo

Dois integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) foram indiciados por homicídio qualificado, concurso material, formação de quadrilha e porte ilegal de arma, no inquérito concluído ontem pela Polícia Civil. Eles são acusados da execução de quatro seguranças da Fazenda Consulta, em São Joaquim do Monte, no dia 21 de fevereiro. Outros quatro integrantes do MST foram citados por coautoria e formação de quadrilha.
Dos seis, três estão presos. Os três foragidos estão com pedido de prisão preventiva decretada. O inquérito também indiciou o segurança Donizete Oliveira Souza, único sobrevivente, por porte ilegal de arma. Ele não teve, porém, pedida sua prisão.
Os seguranças João Arnaldo da Silva, José Wedson da Silva, Rafael Erasmo da Silva e Vágner Luiz da Silva foram baleados na cabeça e no tronco. “As perfurações foram todas em regiões letais, o que indica crime de execução”, avalia o delegado Luciano Francisco Soares, que preside o inquérito. Os presos, apontados como coautores por terem ajudado os assassinos e dado cobertura na fuga, estão no presídio Juiz Plácido de Souza, em Caruaru. São eles: Aluciano Ferreira dos Santos, Paulo Alves Cursino e Severino Alves da 

A chacina ocorreu duas semanas depois da 11ª reintegração de posse da Fazenda Consulta, área reivindicada pelo MST há cerca de 10 anos. Despejados, os sem-terra se abrigaram nas proximidades da propriedade, com o objetivo de reocupá-la. Eles haviam tirado fotografias dos cinco seguranças da fazenda na operação de despejo. 

Ao tomar conhecimento das imagens, os seguranças foram atrás dos sem-terra. Houve bate-boca. Na sequência, Honorato e Homero dispararam contra os seguranças. Dois deles morreram na hora e três fugiram, mas foram perseguidos e alcançados. Somente Donizete conseguiu escapar com vida.

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Delegado indicia dois do MST por execuções

Lula e Dilma negam uso político de doença

Do Correio Braziliense

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, rechaçaram ontem a tese segundo a qual a “mãe do PAC” pode colher dividendos eleitorais graças ao tratamento contra câncer pelo qual ela passará nos próximos meses. Trata-se de uma reação a ministros e petistas que, desde sábado, afirmam que, ao enfrentar a doença, Dilma ganhará a solidariedade da população e terá condições de reforçar a imagem de mulher lutadora, a ser usada na próxima disputa presidencial. “Eu, sinceramente, não posso imaginar como é que alguém sai fortalecido porque teve um câncer. Eu só estou desejando a recuperação da Dilma. Ela certamente não tem mais nada”, declarou Lula, em Rio Branco (AC), depois de um encontro com o presidente peruano, Alan Garcia. 
“Não vi até agora nenhuma conduta exploratória da parte de ninguém. O tratamento está bastante respeitoso. Mas seria de muito mau gosto explorar no sentido negativo ou positivo a doença”, reforçou Dilma, em Manaus (AM), onde apresentou um balanço da execução do Programa de Aceleração do Crescimento na Região Norte.

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Lula e Dilma negam uso político de doença