Lula defende estatização dos bancos. E vai além… afirma que crise igualou pobres e ricos

De O Estado de S.Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou ontem seu discurso de abertura do Fórum Econômico Mundial na América Latina afirmando que a crise internacional acabou igualando pobres e ricos. “A verdade nua e crua é que entrou água no navio, e nesse momento não importa se estamos na primeira classe ou na quarta classe. Como quando o Titanic afundou, quem estava no barco pagou o preço.”

Em discurso comedido, uma parte seguindo o texto escrito por assessores e outra improvisada, Lula deixou escapar uma sensação de revanche ante os desdobramentos da crise internacional sobre as teses neoliberais. Lembrou sua bem-sucedida participação na reunião do G-20, em Londres, para sublinhar o que acredita ser o redirecionamento do mundo. “Passei metade da minha vida dizendo que era preciso construir uma nova ordem mundial e agora vi pessoas que nunca achei que chegaria perto delas dizendo que isso é preciso.”

A uma plateia de centenas de empresários e economistas, brasileiros e estrangeiros, o presidente criticou o protecionismo no comércio mundial, pediu a retomada das negociações multilaterais na Rodada Doha, defendeu o papel do Estado no desenvolvimento econômico e a estatização de bancos. Para ele, o Brasil será o primeiro país do mundo a deixar para trás a crise. “O Brasil, que entrou por último na crise, vai sair primeiro e mais fortalecido.”

Lula voltou a defender a estatização de bancos como forma de enfrentar a crise e lembrou a guinada da sua passagem de líder de protestos contra o Fundo Monetário Internacional (FMI) a credor da instituição.

O discurso parecia sintonizado no governo. Três horas depois, no mesmo evento, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, manteve o tom. “O Brasil entrou na crise crescendo e é importante que saia dela também crescendo forte.” Segundo ele, o País caminha para ser um dos principais destinos de investimento estrangeiro quando a crise acabar. “Um grande número de investidores e empresas dão indicações de que estão observando a oportunidade de voltar ao País”, disse Meirelles.

Para Lula, é preciso redimensionar o papel do Estado na economia para a retomada do crescimento mundial. “Não quero um Estado empresário, gerenciador, mas um Estado indutor, fiscalizador, que zele pelos interesses do povo e não de uma minoria”, disse, acrescentando que, “na hora em que os criadores da tese de que o Estado não vale nada apertaram o calo, perceberam que quem pode salvá-los é o Estado”.

Mostrando-se preocupado com o aumento do protecionismo como forma de reação de alguns países à crise, ele defendeu a reativação do comércio externo. “O protecionismo é uma droga que oferece alívio imediato e rapidamente lança a vítima em depressão”, disse ele, para quem é preciso retomar as negociações multilaterais, como a Rodada Doha.

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