Protógenes é aposta eleitoral do PSOL

Do Estado de S.Paulo

Para muitos, o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, ex-comandante da Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, está usando o PSOL para se salvar das acusações de ter bisbilhotado ilegalmente jornalistas, ministros e autoridades dos três Poderes. Mas o partido, que ganhou fôlego com o ingresso de dissidentes do PT após o escândalo do mensalão, enxerga no delegado a sua tábua de salvação. Em conversas com amigos, o próprio delegado tem superestimado seu potencial eleitoral.
Protógenes diz que foi convencido pelos líderes do PSOL de que, embalado na bandeira do combate à corrupção, alcançará a marca de 1,5 milhão de votos em uma eventual disputa por uma vaga deputado federal por São Paulo no ano que vem. O PSOL, por sua vez, aposta que o ex-chefe da Satiagraha, com a sua fama de “justiceiro”, alcance um desempenho duas vezes superior ao conquistado pelo ex-prefeito Paulo Maluf (PP-SP) na urnas em 2006. Na época, o ex-prefeito paulistano foi o deputado mais votado, em números absolutos, atingindo a marca de 739 mil votos.
Os problemas crescem em torno de Protógenes – ontem o Estado revelou que ele viajou com passagens aéreas do gabinete da deputada Luciana Genro (PSOL-RS), pagas pela Câmara. Outros parlamentares da legenda podem ter feito o mesmo, mas só Luciana admitiu, ressaltando não ver nenhuma irregularidade. Protógenes não atendeu à reportagem para explicar por que usou os bilhetes da parlamentar, justamente em meio ao escândalo da “farra das passagens” no Congresso.
Com dificuldades de seguir a sua carreira de delegado – na semana passada, foi afastado por tempo indeterminado de suas funções pela cúpula da PF -, Protógenes tem sido aconselhado a enveredar pelo caminho da política. A quem lhe aborde sobre suas pretensões, o delegado se apressa em negá-las. Apesar disso, sempre ressalva que não se pode desconhecer um desejo popular tão forte.
Seu comportamento também o desmente. Ele tem aparecido tanto no Congresso que até os seguranças do Senado e da Câmara já discutem como protegê-lo, caso ele venha a ser eleito. Além disso, o delegado prepara um livro biográfico – que, na verdade, vem sendo escrito por um jornalista amigo – como peça de campanha eleitoral.

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