PARLAMENTARES CRIAM SISTEMA DE AUTO-COMPENSAÇÃO. O BRASIL QUE SE DANE.

O Congresso Nacional parecer viver eternamente atrás de um escândalo para chamar de seu. Sempre às sombras de um escarcéu e outro, nossos nobres parlamentares compõe um quadro crítico e emblemático do que se transformou a classe política brasileira: numa corja completamente descolada da realidade que criou seu próprio sistema de interesses; excluindo, para isso, o interesse que deveria ser o primordial: o povo e tudo que lhe é inerente.

Há tempos que deputados e senadores saíram da órbita da sociedade e entraram em um sistema de translação cujo centro deixou de ser o País. Agora, o que importa mesmo são as suas necessidades pessoais.

Os extremos dessa má fase permanente sempre existiram. Parlamentares sempre cederam suas cotas de passagens aéreas para familiares e amigos. Mas a imprensa ainda não sabia. Conseqüência clara: se a imprensa não sabe, a sociedade também não sabe.

Agora são de conhecimento geral as falcatruas das passagens, cujo custo é debitado diretamente das finanças do Congresso. Traduzindo em linguagem direta: é debitado diretamente do “contribuinte” (termo que não gosto muito, pois contribuinte é derivado de contribuição. E ninguém contribui com impostos, um vez que imposto, como o próprio nome diz, é “imposto”, obrigado. Como sabemos, contribuir não pode ser obrigatório, tem que ser espontâneo. Logo, onde lê-se contribuinte, leia-se “pagador de impostos”).

Esse mesmo pagador de impostos foi quem banco uma pequena fatura de conta de telefone celular do senador Tião Viana. Preocupado com a filha (que viajaria ao México), o senador lhe emprestou o celular do Senado. A conta chegou: R$ 14 mil.

Amor de pai é mesmo lindo, não?

E as benesses de nossos deputados e senadores não acabam aí. Vejam que beleza:

– cada parlamentar tem um salário de R$ 16.512,09;

– também contam com um pequeno auxílio-gabinete no valor de R$ 60 mil;

– mais verba para gráfica (impressão de discursos, cartões pessoais, apresentações, etc.): R$ 6 mil por ano;

– cota de R$ 4 mil em ligações telefônicas pra deputados e, para líderes e integrantes da Mesa Superior, R$ 5 mil;

– em tempos de internet e e-mail, nossos parlamentares não podem abrir mão da tecnologia de ponta da boa e velha correspondência. Sendo assim, parte dos R$ 4 mil para ligações telefônicas são destinados a custeio com cartas;

– para deputados e senadores que não moram em apartamentos funcionais: auxílio-moradia de R$ 3 mil;

– senadores – apenas eles – têm direito a auxílio-combustível. Não me pergunte o valor, pois não sei;

– há também a verba indenizatória de R$ 15 mil. Esse dinheiro é usado (ou deveria ser) para custear despesas com aluguel, segurança, manutenção de escritório, serviços terceirizados, TV a cabo, assinatura de jornais e revistas, transporte e hospedagens, etc;

– e, claro, passagens aéreas.

Somando todos os valores repassados a nossas excelências temos um saldo surpreendente: R$ 100 mil. Esse é o preço de cada parlamentar aos cofres públicos, recheados de dinheiro oriundos de impostos.

E a cereja do bolo fica por conta do Imposto de Renda pago pelos deputados e senadores. Apesar de receberem R$ 100 mil mensais, o I.R. pago por eles tem por base de cálculo somente os R$ 16.512,09.

O deputado federal Michel Temer, presidente da Câmara, propôs reunir todos os gastos dos parlamentares em apenas uma verba, que, por sua vez, seriam os responsáveis pela execução dos gastos. A prestação de contas seria ao feita Ministério Público. O modelo é idêntico ao sistema de repasses de verbas em vigência nos Estados Unidos.

Se a proposta de Temer for colocada em execução, os parlamentares passariam a pagar Imposto de Renda sobre os R$ 100 mil. Seria o fim de uma grande mamata.

Mas, voltando ao começo do texto, nossas excelências criaram um mundo a parte, onde os interesses individuais prevalecem e os interesses da sociedade sequer ficam em segundo plano; pois eles, creio, nem existem.

Parlamentares do PT já se demonstraram radicalmente contra a proposta de Temer. O motivo é simples: o dízimo pago pelos integrantes ao partido. Ao invés de pagarem 10% de R$ 16.512,09, passariam a pagar sobre R$ 100 mil.

Perceberam? Os petistas pouco se importam se o sistema de Temer trará mais regularidade às finanças dos parlamentares. Estão mais preocupados com o bolso próprio.

O Brasil que se dane.

A sociedade que se dane.

O dinheiro público que se dane.

A transparência que se dane.

Em vez de os petistas brigarem com o PT para que a cobrança de dízimo seja alterada, preferem continuar participando de um sistema errabundo de repasse de verbas. Claro, pois isso lhes interessa.

Entendo… O PT e seu dízimo são mais importantes que a clareza e o bom trato com recursos públicos.

Nossos parlamentares criaram um sistema de auto-compensação, onde se usufrui do cargo lhes dado pelo povo para que interesses próprios sejam difundidos.

E, claro, nunca é demais lembrar: o Brasil que se dane.

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PARLAMENTARES CRIAM SISTEMA DE AUTO-COMPENSAÇÃO. O BRASIL QUE SE DANE.

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