A ABOMINÁVEL VISITA DE AHMADINEJAD AO BRASIL

No dia seis de maio, o presidente Lula recebe o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.  A visita é oficial, o que implica todo o cerimonial inerente à recepção de um chefe de estado. Trocando em miúdos: o Palácio do Planalto vai receber um homem que, até onde se sabe, financia dois grupos terroristas. Aí as coisas já passam do limite do aceitável.

À época da convenção da ONU contra o racismo, o presidente iraniano fez uso de sua verborréia a fim de desmerecer o sofrimento pelo qual passou o povo judeu durante o holocausto. Sabiamente, as delegações de diversos países abandonaram a convenção de imediato. Devo lembrar que o Brasil, ao contrário da maioria, permaneceu lá com suas 35 pessoas dando crédito ao que falava Ahmadinejad. A comitiva em questão foi liderada por Edson Santos – um senhor que, à semelhança de Ahmadinejad, vocifera  preconceitos contra Israel e seu povo.

Esse tal de Edson Santos concedeu uma entrevista ao jornal Gazeta do Povo. Suas impressões sobre o encontro da ONU não nos deixam dúvidas com relação ao posicionamento ideológico do governo Lula sobre a questão judaica e – o que é mais espantoso – uma fração de alinhamento também ideológico com Ahmadinejad.

A entrevista segue em azul. Faço algumas intervenções em vermelho.

Como o senhor avalia a Cúpula até agora?
Houve divisão com o pronunciamento do presidente do Irã. Criou-se um ambiente de ameaça à conferência, que poderá não alcançar seu objetivo se disputas radicais forem a tônica.

Qual sua avaliação do discurso de Ahmadinejad?
Ele trouxe para o debate algo que não é próprio da agenda do evento. A situação palestina é algo relevante, mas deve ser tratada no Conselho de Segurança da ONU.

A forma como o tema foi tratado pelo Irã foi racista?
Não diria isso, acho que o fórum é que foi inadequado.

Omissão deslavada! O governo brasileiro sempre se omite e se recusa a repudiar posições políticas anti-semitas. O Itamaraty divulga nota de repúdio ao revide Israel, mas nega que a semente do mal começa da Palestina; Celso Amorim condena as mortes causadas pelos judeus, mas se recusa a condenar o uso de crianças palestinas como escudo-humano; nossa diplomacia adora fazer referência à desproporcionalidade das respostas de Israel em ataques de guerra, mas nunca emitiu nota oficial condenando o massacre promovido pelo Sudão em Darfur (com um saldo de 300 mil mortes desde 2003) e nem ao regime ditatorial em Cuba (com 100 mil mortos).

Como ficou o clima da audiência no momento do discurso?
Houve protesto de grupos judeus que tentaram jogar coisas em cima dele. Mas foi algo interessante para os dois lados. Para os judeus, que queriam dar visibilidade a sua causa, e para Ahmadinejad, que teve seu momento de glória.

Mentira! Mistificação! Que história é essa de os judeus darem visibilidade à sua causa? Os judeus, como é tradicional em sua história desde os tempos de perseguição no Egito, apenas manifestaram repúdio a um ataque desmedido. Quem deu início ao pandemônio foi Ahmadinejad. Então quer dizer que os demais países que abandonaram a convenção também queriam uma suposta visibilidade?

Sua delegação aplaudiu o discurso?
Nossa delegação assistiu respeitosamente a todos os discursos. Não manifestamos nossa opinião através de aplauso nem de vaia. E acho que deveria ser essa a postura da conferência.

Em uma convenção da ONU, onde diretrizes tangentes ao destino da humanidade são discutidas (ou pelo menos deveriam ser), pontos de discórdia podem – e devem – ser colocados em debate. Logo, manifestações e opiniões são elementos que agregam valor à causa em discussão. Ao optar pelo silêncio frente a ofensas ao estado de Israel, o Brasil mostra sua condescendência com conceitos condenáveis (e, como sabemos, o conceito do Irã com relação a Israel é só um: o fim dos judeus).

Como o senhor vê a atitude dos 23 países que saíram da sala?
Acho que é um exagero.

Exagero não, senhor ministro. Era o mínimo a ser feito.

Realça algo que deveria passar tranquilamente.

Um Estado pregando o fim de outro Estado não pode – nem nunca poderá – “passar tranqüilamente”. O desrespeito à memória do sofrimento judeu não pode “passar tranqüilamente”.

O Irã contribuiu para a construção do texto final do encontro. Nele não há agressão a Israel nem menção à Palestina. Embora assine o documento, Ahmadinejad decidiu vir aqui fazer uma fala ideológica. O direito dele de expressar sua opinião deve ser considerado e garantido.

E lamento que o Brasil não usou do direito de “expressar sua opinião” para repudiar as declarações de Ahmadinejad.

Por que o mundo se divide tanto em relação ao discurso anti-israelense?
Os judeus fazem questão de reverberar, dar eco a um discurso crítico à sua postura. Revela uma intolerância, uma grande incapacidade de absorver críticas.

Quando Ahmadinejad nega a existência do holocausto, não faz uma crítica, mas faz eco à escola que tem por doutrina eliminar o Estado de Israel do mapa. Edson Santos nos faz crer, pela sua resposta, que os judeus procuram chamar a atenção para eles mesmos com o objetivo de atrair as misericórdias do mundo. Pronto: agora, Israel não tem nem mais legitimidade para se defender como nação, pois, se o fizer, será interpretado como Estado egocêntrico. E que história é essa de “revela uma intolerância”? A intolerância, vale lembrar, é palestina. A intolerância é iraniana.

O que o texto final do evento trará de novo?
Há predisposição de consenso em torno de ações de combate ao racismo, promoção da igualdade racial e combate à xenofobia e intolerâncias.

Promoção da igualdade racial e combate à xenofobia em um evento onde Ahmadinejad nega a existência de um crime contra a humanidade? R-I-S-Í-V-E-L

A tolerância do governo Lula com regimes tiranos não data de hoje, mas de tempos. Em visita oficial ao Oriente Médio, nosso presidente não pisou no único país democrático existente por lá: Israel.

Vez por outra, quando o assunto é terrorismo islâmico – ou terrorismo colombiano (vistas às Farc) – o Brasil e sua diplomacia optam pelo neutralismo e envio de ajuda humanitária. O socorro humanitário é procedente, mas o silêncio é condenável. Terrorismo é crime contra humanidade. O Brasil limita-se sempre a pedir paz e o cessar-fogo das partes envolvidas, mas se nega a explicitar repúdio a ação dos terroristas. A visita de Ahmadinejad ao Brasil é uma excelente oportunidade para Lula condenar atos de terror e tudo o que lhe são inerentes – mas não o fará. Nossa diplomacia prefere receber assassinos e patrocinadores do horror com todas as honrarias da casa a condená-los de fato.

A tempo

Odeio e-mails de correntes. Mas recebi um que vale fazer repercutir.

MANIFESTAÇÃO NA PAULISTA
Em uma iniciativa da Juventude Judaica Organizada (JJO) — em parceria com grupos judaicos, evangélicos, homossexuais, bahais, de defesa dos direitos humanos e da mulher, com a participação de autoridades e políticos — será realizada, na Avenida Paulista, neste domingo, uma manifestação contra a vinda ao Brasil do presidente do Irã, Mahamud Ahmadinejad.
Um país democrático como o Brasil NÃO PODE receber um defensor do totalitarismo, da homofobia, do revisionismo histórico, da discriminação de mulheres e religiosa (bahais, evangélicos, judeus e outras minorias torturadas, massacradas e mortas no Irã) e da destruição de Israel.
DATA – 03 de maio, domingo;
HORA – às 11h00;
LOCAL DO ENCONTRO – Praça Marechal Cordeiro de Farias (Praça dos Arcos, na esquina da Avenida Angélica com a Avenida Paulista.

Estarei viajando e não poderei comparecer. Mas esse pessoal tem meu total apoio.

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A ABOMINÁVEL VISITA DE AHMADINEJAD AO BRASIL

10 pensamentos sobre “A ABOMINÁVEL VISITA DE AHMADINEJAD AO BRASIL

  1. Carlos Robson diz:

    Concordo com Gerson. A mídia paga pelo sionismo propaga falsas idéias como a que Ahmadinejad nega o holocausto, quando na verdade quem já o ouviu falar sobre o assunto, sabe que ele acusa Israel de usar o holocausto até hoje para justificar suas ações de violência, como que até hoje o mundo estivesse em dívida com os judeus vítimas do holocausto. Essa ideologia até hoje é usada astutamente contra os palestinos.

  2. jacqueline santos diz:

    Tenho vergonha de termos um governo que chegar a esse nível.
    Ahmadinejad é um fascista, , racista e terrorista! O Brasil esta preste a a ficar entre as maiores nação do mundo, não pode aceitar a intolerância e a falta de FALSOS VALORES.

  3. Gerson diz:

    Ahmadinejad é um grande líder. Merece nosso respeito e nossos aplausos pelo seu desassombro diante dos poderes ideológicos que oprimem todos os povos e todas as nações.

  4. Talles Pevinari diz:

    Da minha parte ele é bem-vindo. Sou contra israel, contra o sionismo e a favor do revisionismo histórico do holocausto. Também sou a favor da causa palestina, uma causa justa, pois luta contra a tirania, contra a violencia de israel.

    VIVA AHMADINEJAD!

  5. Rogério Aparecido Clemente diz:

    Ahmadinejad simplesmente fala a verdade. Ele tem coragem de falar o que é e o que faz esse tal de estado de israel (minúsculo propositalmente).

    A visita foi agendada, será realizada, mesmo que isso custe a insatisfação de israel, ou mesmo o rompimento das relações com israel ou até mesmo ser considerado uma ofensa por parte da comunidade judaica brasileira.

    A sociedade brasileira não se resume à comunidade judaica + os outros. E o Brasil não é colônia de israel, como foi de Portugal. Somos soberanos e não precisamos de permissão de ninguém para decidirmos nossas relações internacionais. Não devemos satisfação a israel por nossos atos.

    Protestar é um direito e é o máximo que farão. O interessante é que quem fez esse auê todo sobre a visita são justamente os sionistas. Se não fossem eles ficaria algo incógnito. Perderam uma bela oportunidade de ficarem calados. Sem perceber, fizeram propaganda de graça das idéias de Ahmadinejad. Isso vai gerar curiosidade e motivar pesquisas na internet. Daí muitos adeptos e fãs de Ahmadinejad surgirão.

  6. Você considerou o massacre de Israel sobre a Faixa de Gaza recentemente? Claro que não.
    Os judeus tem preconceito contra os muçulmanos, assim como os muçulmanos tem preconceitos contra os judeus, eu não diria preconceito, diria mais rancor. Nenhum povo vai ficar feliz de ser retirado de suas terras e terem que ceder a outro povo.
    Acho que o Brasil deve receber muito bem o presidente do Irã, do mesmo modo que o presidente Lula seria bem recebido pelo Irã. Até onde sei, o presidente do Irã não é nenhum ditador, muito menos um tirano, ele apenas defende o seu povo, e tem seus argumentos que não se convém para a unanimidade. E o presidente do Irã não vai vir ao Brasil para discutir as relações e as guerras do oriente médio, vai discutir novas formas de comércio entre os dois países.
    De mais, aprecio muito o seu blog.

    1. julio Matos diz:

      -Diga para a esquerda esmagada do irã, morta na decada de 80 que o irã defende seu povo.
      -Diga aos milhares de homosexuais iranianos mortos enforcados, que ahmadinejad defende seu povo.
      -Diga aos jovens que foram chicoteados e mulheres apedrejadas por comemorar o dia internacional da mulher.
      -Diga aos Bahais que são presos, monitorados e humilhados.
      -Diga a oposição iraniana anti-negacionismo do holocausto.
      Diga aos evangelicos presos ou mortos que vivem no Irã que Ahmadinejad é defensor de seu povo.
      Alias, faça o favor e não seja racista: use tbm um pouco de seu tempo para defender os mais de “cem mil negros” muçulmanos massacrados, (isto sim é genocidio), por seus irmãos muçulmanos em Darfur, Argelia, Iraque e etc.
      porque será que ninguem questiona a postura dos multibilionarios arabes que nao dao a minima aos arabes africanos esmagados ?????
      -Não se esqueça que os petrodolares rodam o mundo e compram midia, politicos e times de futebol.

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