MAIS UMA DE NOSSA DIPLOMACIA

Hugo Chávez é mesmo um prodígio da América Latina. Ele concentra tudo o que representa esse cantinho de mundo: atraso, feiúra e pobreza. Chávez faz da Venezuela sua casa. Recentemente, inventou de nacionalizar, de baciada, 60 empresas. Quando cisma, declara guerra à imprensa e fecha emissoras de TV.

No mundo todo, se colocarmos na ponta do lápis os países de aliança ferrenha com a Venezuela, encontraremos apenas um: o Brasil. Lula simpatiza com Chávez e tudo o que é inerente à sua política de governo. Certa vez, Nossa Alice declarou que a Venezuela é um país até “democrático demais”. Seria muito trágico se não fosse muito cômico. Mas tudo bem… Em se tratando de Lula, é só mais uma gota de insanidade num oceano de besteiras. Lula tem a capacidade de tornar insignificantes coisas fundamentais para o bom funcionamento de um País; entre elas, nota-se, a democracia.

Lula cobra os países ricos e o povo branco de olhos azuis pela crise econômica, mas  não cobra Chávez  pela miséria perpetuada na Venezuela. No campo diplomático a situação se arruína ainda mais. Em 2007, época em que estava na pauta de votação do Congresso brasileiro a entrada da Venezuela no Mercosul, Chávez teceu críticas ferrenhas ao nosso Poder Legislativo. “Nós temos dignidade, e não ficaremos nos arrastando nem implorando a ninguém”. “Caso a Venezuela não entre no Mercosul, será uma vitória do império, mas uma vitória com mais danos ao vencedor”, disse o valente. Foi mais longe: afirmou que o povo brasileiro “não merecia o Congresso que tem”.

Nosso Congresso não é dos melhores? Não, não é. Mas nem por isso o Brasil é obrigado a ficar ouvindo um ditador falando asneiras sobre um de nossos poderes.   Se não merecemos nosso Congresso, os venezuelanos não merecem Chávez.

À época, qual foi a reação de Lula? Simples: como sempre, recorreu à camaradagem e sustentou que “Chávez cuida da Venezuela; Bush, dos EUA, e eu [Lula], do Brasil”. Nossa posição oficial sobre as declarações limitou-se a esse palavrório estúpido e pueril. Antes, tivesse ficado calado. O silêncio, às vezes, é a melhor das virtudes.

Recentemente, Chávez convidou o genocida Omar Hassan Ahmad al Bashir para uma visita à América Latina. É o escancaro da piscada de olho para regimes sanguinários e tiranos cuja conquista deu-se depois de milhões de mortes e um mar de sangue. Amorim sustentou que se Hassan pisar no Brasil a decisão do Tribunal Penal Internacional será cumprida e o genocida irá pra cadeia.

Suficiente? Não, não é. A, digamos, macheza brasileira ainda está muito aquém. 

Repito: Chávez, agindo como se tivesse legitimidade para falar em nome do continente, convidou Hassam para uma visita à América Latina, e não somente à Venezuela. Lula, como chefe do maior e mais influente (pelo menos na teoria) estado do continente, deveria, publicamente, repudiar o convite e deixar claro o posicionamento do Brasil com relação ao tirano; e não apenas se limitar a uma declaração insignificante de ameaça de prisão.

Enquanto isso, continuamos inermes assistindo à falência de nossa diplomacia: os braços dados com Hugo Chávez, ferrenha defesa de Fidel Castro, associações escusas do PT, Foro São Paulo e Farc; nenhuma nota oficial contra o massacre em Darfur, concessão de propriedades da Petrobras à Bolívia, cabeça baixa nas negociações Brasil-Paraguai sobre Itaipu… 

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