ANJ vê intimidação a jornalistas por parte da Petrobras

De O Estado de S.Paulo

A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) divulgou nota ontem repudiando a criação do blog da Petrobrás, que tem servido para a divulgação na internet das perguntas enviadas por jornalistas à assessoria de imprensa da companhia antes de as reportagens em elaboração serem publicadas pelos veículos desses profissionais. Para a entidade, a atitude quebra o caráter confidencial que deve ter a correspondência entre os jornalistas e as fontes oficiais da empresa, revelando uma “canhestra tentativa de intimidar” a imprensa.
“Como se não bastasse essa prática contrária aos princípios universais de liberdade de imprensa, os e-mails de resposta da assessoria incluem ameaças de processo no caso de suas informações não receberem um ?tratamento adequado?”, diz um trecho da nota (veja box), assinada por seu vice-presidente, Júlio César Mesquita, responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão da entidade.
Em meio ao noticiário sobre ingerências políticas, suspeitas em contratos e mecanismos de licitação e a criação de uma comissão parlamentar de inquérito no Senado para investigar a Petrobrás, a companhia criou o Blog Fatos e Dados, no qual tem publicado listas de perguntas e respostas encaminhadas por jornais como o Estado, Folha de S. Paulo e O Globo antes da veiculação das reportagens. Na prática, a empresa dá publicidade às pautas dos veículos antes que eles as concretizem.
Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, a companhia pode encontrar outras formas de garantir a transparência e a publicação de suas posições em matérias jornalísticas sem quebrar o princípio de exclusividade, que faz parte da essência da atividade.
“Não há nada contrário a uma instituição criar um blog como fonte de informação de seu pensamento, é até recomendável. Porém, não é recomendável que se quebrem as cláusulas de exclusividade com os jornalistas. Há uma quebra dos princípios da boa convivência”, opinou Britto. Para o dirigente da OAB, a empresa pode não estar buscando desestimular a imprensa a investigá-la, mas produz esse efeito na prática. “Seria bom a Petrobrás rever esse procedimento. A partir do momento em que o jornal não tem a exclusividade, perde o interesse de divulgar como furo jornalístico algumas matérias. Acho que não é uma política correta.”
Já o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, atribui a atitude da Petrobrás a falhas recorrentes da imprensa ao contemplar o chamado “outro lado” em reportagens. “Acho que é uma forma de a empresa se proteger de distorções, se acautelar sobre suas respostas que, muitas vezes, são publicadas de forma deturpada. E aí o mal já está feito”, afirmou.
Azêdo disse que é preciso reconhecer que a imprensa tem flertado com o “denuncismo” e pode estar se deixando usar numa disputa política acirrada que envolve a estatal. “Acho legítimo que os responsáveis pela comunicação da Petrobrás se acautelem. A imprensa precisa ter mais transparência.

“Assinante, leia mais aqui

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