PARA A OEA, DEMOCRACIA É UM VALOR RELATIVO. E EXPLICO O PORQUÊ

Há um fato interessante na onda de reações desencadeadas pelo pseudo-golpe ocorrido em Honduras. Passou despercebido, quase ninguém deu bola, mas julgo ser um fator importante para entendermos o modo de fazer política dos nossos dias.

A Organização dos Estados Americanos, vulga OEA, apressadamente resolveu emitir pareceres sobre o novo governo hondurenho classificando-o de golpista. Nunca me canso de lembrar que o golpista de verdade é aquele tido por coitadinho: Zelaya. Quem queria usar a democracia para se perpetuar no poder e implantar o chavismo em Honduras era ele, não Roberto Micheletti; quem desejava usar as Forças Armadas para desrespeitar a Constituição do próprio país e às instituições consolidadas era Zelaya, não Micheletti; a eternidade no comando do país era alvo de Zelaya, não de Micheletti.

Mas a OEA parece ter virado seguidora contumaz de um mito censurável e insolente, aquele que dá a eleitos democraticamente uma espécie de regalia, uma carta-branca para que possam cometer aquilo que bem lhes aprouver. Para essa gente, o corolário disso seria o fortalecimento da democracia. Pobres patifes!!! O cabresto usado por essa turma é tamanho que são incapazes de distinguir quando esses eleitos resolvem tirar proveito dessa situação para implementar regimes de força e autoritários. Era isso que estava prestes a ocorrer em Honduras, mas as instituições daquele país não se permitiram converter a tal façanha. Sobre a atuação das Forças Armadas hondurenhas, apenas um reparo: erraram ao mandar Zelaya para a Costa Rica. O lugar dele era – e, na verdade, é – na cadeia.

Mas agora vamos ao tal fato interessante: a OEA, o governo norte-americano, os governos da América Latina e todos os demais vociferadores que condenam veementemente o “golpe” em Honduras são exatamente os mesmos que silenciam frente ao atentado contra a democracia que há anos ocorre na Venezuela. Ninguém condena os consecutivos atentados à liberdade de expressão da imprensa venezuelana promovidas pelo governo Chavez. A OEA e toda a gentalha que lhe faz coro maldizem os poderes Judiciário e Legislativo hondurenhos acusando-os de, em conjunto, usurpar o poder de Zelaya; mas ninguém põe o dedo em riste para denunciar o golpe que Hugo Chavez dá cotidianamente na Venezuela ao menosprezar a separação de poderes naquele país. Também ninguém faz referência à sua tentativa ferrenha de diminuir os poderes dos governadores e prefeitos oposicionistas através de decretos-leis. Por sinal, vale lembrar que Chavez tem poder de decretar o que lhe der na telha graças a um referendo similar ao que Zelaya queria realizar em Honduras.

É por isso que tudo o que essa gente fala “em nome da democracia” merece ser esmiuçado. Para eles, tudo o que envolve valores políticos é relativo. Mas tudo bem… O golpista é Micheletti, não é mesmo?

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PARA A OEA, DEMOCRACIA É UM VALOR RELATIVO. E EXPLICO O PORQUÊ

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