LULA FAZ A ALEGRIA DE AHMADINEJAD, MAS AJUDA A FAZER A TRISTEZA DE MICHELETTI — SIM, UM DEMOCRATA DE VERDADE

Logo mais, no segundo semestre, Ahmadinejad deve finalmente visitar o Brasil. A visita, segundo consta até o momento, é para tratar de negócios, nada de política externa. Lula é um grande parceiro de Ahmadinejad. E isso não sou apenas eu quem digo. Na reunião anual da cúpula do G-8, em Áquila, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama chegou a pedir a Lula que use sua influência para tentar convencer o Irã a abandonar sua política de proliferação nuclear. Sim, nossas alianças com o tirano já são reconhecidas internacionalmente.

As recentes eleições iranianas deixaram muitas dúvidas sobre a legitimidade dos resultados apresentados. Indícios de fraudes surgiram de todos os lados. Um deles foi registrado na cidade onde nasceu Mousavi, adversário de Ahmadinejad e que contava com amplo apoio popular naquela região. Lá, 63% dos votos foram para… Ahamadinejad. Como? Não sei. Fraude? Possivelmente sim. Mas o que disse Lula? “O presidente [Ahmadinejad] teve uma votação de 62,7%. É [um número] muito grande para a gente imaginar que possa ter havido fraude”. Não contente, Lula resolveu contribuir ainda mais com o amigo. “Eu não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã. Não tem número, não tem prova. Por enquanto, é apenas uma coisa entre flamenguistas e vascaínos”. As falas de Lula sobre esse episódio já foram longamente tratadas por mim – leia aqui.

Enquanto o Brasil apóia a política ideológica suja de Ahmadinejad e fecha acordos comerciais com um regime de força, Lula, vejam que coisa, ordenou que todas as ajudas brasileiras a Honduras sejam interrompidas imediatamente. Dados obtidos pelo jornal O Estado de S.Paulo apontam que os seguintes projetos foram suspensos: apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ao desenvolvimento do sistema nacional de hemoderivados de Honduras, gestão de recursos hídricos, intercâmbio de experiências entre ministérios da Saúde, apoio técnico para a implementação de bancos de leite humano com o apoio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), capacitação em ciências agrárias e ainda outros projetos no setor de alimentos. A alegação: o governo atual é golpista!!!!

Já tratei exaustivamente sobre a crise política de Honduras. Em suma, não houve golpe, mas, sim, contragolpe. Zelaya queria promover um referendo inconstitucional ao arrepio da lei. Foi deposto democraticamente pelas instituições hondurenhas. Logo, o governo de fato é um governo constitucional, amparado pela Constituição. Com Micheletti, presidente em exercício de Honduras e que cumpre unicamente e lei de seu país, Lula não quer mais negócio. Mas com Ahmadinejad, vocês sabem, esse gigante democrata e grande respeitador  dos ritos de um processo democrático, aí sim, Lula quer parceria. O governo brasileiro acha inadmissível que Zelaya, um estuprador da lei, seja retirado do cargo pelas Forças Armadas – que, vale lembrar, estavam amparadas por decisão judicial –; mas não acha igualmente intolerável a atitude de Ahmadinejad quando usou o exército iraniano para massacrar a oposição que foi às ruas protestar contra as eleições.

Manter negócios com Irã é muito mais vantajoso do que manter negócios com Honduras. Mas o relativismo econômico não pode atingir o relativismo da moral política e ideológica que regem princípios de governo. A mesma veemência que o governo brasileiro mostra ao condenar o pseudo-golpe de Honduras não é vista quando se fala de Coréia do Norte e Irã. É claro que nossa proximidade geográfica com Honduras dá à nossa diplomacia atributos políticos mais legítimos para esboçar qualquer tipo de reação. Seria no mínimo desproporcional o Brasil liderar um levante mundial de sanções a Pyongyang ou a Teerã, eu sei. Mas no que é inerente a acordos comerciais, bem, aí nossa autonomia já dá conta do recado sozinha, sem precisar do sufrágio da comunidade internacional. O mesmo poder que Lula tem de interromper ajuda a Tegucigalpa também tem para interromper com o Irã. Da mesma maneira que Lula fez ser condicional a volta da ajuda do Brasil a Tegucigalpa, também poderia fazê-lo com o Irã. Mas não o fará.

Enquanto Lula faz a alegria de Ahmadinejad e seu regime de força contribuindo inclusive economicamente para isso, ajuda a instalar o caos contra o governo de Micheletti, um verdadeiro respeitador da leis de seus país e um democrata de verdade.

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