UÉ! OBAMA NÃO PODIA TUDO? POR QUE, ENTÃO, NÃO VAI CONSEGUIR FECHAR GUANTÁNAMO EM UM ANO, CONFORME PROMETERA?

Escrevam o que eu vou afirmar agora: Barack Obama ainda vai decepcionar a muitos. Em um pouco mais de sete meses de governo, ainda é muito cedo para avaliar suas ações de longo prazo. Mas, por ora, as ações de curto prazo vêm decepcionando. A primeira peripécia da política Obama foi testemunhada em seu primeiro projeto de teste de stress dos bancos, cujo objetivo era prever possíveis quebras e, como conseqüência, evitar que essas falências desencadeassem desgraças no mercado. Bem, tal tentativa mostrou-se pífia e o resultado colhido foi o contrário do que se esperava. Ao invés de dar segurança aos investidores, gerou mais insegurança. Quase todas as propostas eram dúbias e não apontavam com clareza a que vieram. Exemplo: se o governo detectasse uma possível quebra de um banco, o que deveria ser feito? E se falisse? Nada disso ficou bem claro. No dia seguintes, as bolsas despencaram.

Obama, como todos os governantes, é vicissitudinário. Mas ele parece ter ignorado isso. Pior: os eleitores, embalados pelo minueto fascinante da “mudança”, embarcaram num barco que, hoje, está parcialmente à deriva. O ônus da construção do mito Obama também pode – e deve – ser creditado à imprensa mundial. Com sua ajuda, Obama fez a campanha eleitoral mais barata da história, sendo tremendamente beneficiado por um conceito que é predominante em nossos dias: o de que as grandes soluções da humanidade devem vir de onde menos se espera. Já falei bastante sobre isso no post Sobre mídia, outsiders e mitos. Julgo ser um texto interessante para entendermos o porquê que certas coisas viram mitos.

Hoje, dia 22 de julho, encerra-se o prazo do grupo de trabalho criado por Obama para montar um relatório apontando soluções para Guantánamo. Isso porque logo na primeira semana de governo Obama prometeu fechar a prisão em um ano (em janeiro de 2010, então). Para aonde iriam os presos e como os processos como eles transcorreriam ainda eram incógnitas. Pois é… e vão continuar sendo. O relatório que deveria apontar essas soluções ainda não ficou pronto e o grupo de trabalho ganhou mais seis meses para prepará-lo – ou seja, até fevereiro de 2010. Corolário: Guantánamo não será fechada em um janeiro de 2010 por uma mera incongruência de calendários.

O bom de ser um pouco pessimista com esses fenômenos que surgem de épocas em épocas é que não nos decepcionamos quando suas pusilanimidades começam a aflorar. Sobre a onda Obama, bem, já fui vacinado.

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