O FRACASSO DA UNASUL E A OMISSÃO DO DEBATE

A reunião da Unasul para discutir a instalação de bases militares americanas na Colômbia terminou sem acordo. Mas uma coisa ficou evidente: a disposição da América do Sul em se alinhar ideologicamente a uma política anti-americana. Tem sido quase sempre assim: a corja se reúne, debate, não chegam a nenhuma conclusão e cada presidente volta pra sua casa. É como se a perda de tempo fosse uma atividade diplomática obrigatória.

O que começa errado, geralmente, não termina muito bem. E o censurável nessa historia, que fique bem claro, não é a instalação das bases, mas a forma como a discussão foi provocada.

Chavez – sempre ele! –, em sua cega obstinação de declarar a independência da América Latina dos Estados Unidos, pegou o gancho do acordo Colômbia-Estados Unidos e jogou caroço no angu. Levantou sua velha retórica e condenou a instalação das bases americanas em território sul-americano, insinuando uma possível tentativa de intervenção dos EUA nos países da região. Pobre idiota! Qualquer cidadão minimamente informado sabe que as Forças Armadas americanas não dependem de instalação de base em canto nenhum das Américas se quiser intervir em algum país. Mas dane-se a lógica. Lula e Celso Amorim resolveram dançar o minueto do ridículo e embarcaram na nau de Chavez.

O espertalhão venezuelano vive um difícil momento em seu país. A Venezuela ainda amarga as conseqüências da crise econômica mundial, a inflação é alta e a violência emerge em Caracas se espalhando para os quatro cantos daquele país. Abalado internamente, Chavez vê na reunião da Unasul uma oportunidade de trazer o ensejo ao seu favor. E assim o fez. Em nome da própria causa, Chavez deu um pé nos fundilhos do bom senso e colou em si mesmo o rótulo de grande protetor da América do Sul. Reiterou exaustivamente que a soberania da região ficará seriamente comprometida com o pacto militar entre Colômbia e Estados Unidos e que em hipótese nenhuma isso seria tolerado. Se quisesse, Chavez poderia até mesmo recorrer a Marco Aurélio Garcia para defender sua indefensável tese. Em alusão à política do Grande Porrete, Marco Aurélio, enviesando a discussão, afirmou que “cachorro mordido por cobra tem medo de lingüiça”.

Nunca se surpreenda com Marco Aurélio e Celso Amorim. Eles sempre se superam.

Amaldiçoar os Estados Unidos virou púlpito. A esquerda bocó vê no discurso anti-EUA uma forma de se promover e culpar os americanos por qualquer desventura que a América Latina possa sofrer.

O encontro ocorrido em Bariloche, além de deixar mais claro como pensa o esquerdismo latino, também serviu para mostrar como um viés destorce pontos importantes de uma questão. Ficou evidente que os presidentes estavam mais preocupados em deixar claro suas preocupações com o aumento da presença norte-americana em vez de abordar as questões técnicas do assunto. Como funcionarão essas bases? Quais tipos de movimentação militar serão realizadas ali? NINGUÉM, EM NENUM MOMENTO, SE PREOCUPOU EM ELUCIDAR ESSAS QUESTÕES. Vamos lá:

1- A base aérea servirá apenas para receber aviões de inteligência, com radares equipamentos de rastreamento. A pista não será usada para movimentar aviões de guerra. Apenas isso.

2- A segunda base – a aeronaval – vejam só, já existe e os Estados Unidos já estão lá. A única diferença é que, fechado o acordo, a base passará a receber facilidades da base militar de Manta, no Equador. Internamente, essa base é chamada de “mini Pentágono”.

Outra questão que os líderes sul-americanos não debateram no encontro: o porquê da instalação das bases. E não o fizeram por um simples motivo: se debatessem a questão, toda a retórica contra a instalação das bases cairia por terra. E, pelo menos para a maioria dos líderes desse canto de mundo, não lhes interessa ver nos Estados Unidos um aliado importante e, dependendo do caso, creiam, indispensável.

O tráfico de drogas está crescendo na América Latina. Isso é fato. De mãos dadas com ele está o aumento da violência na região. O tráfico virou espécie de uma empresa. Já há até investimentos em tecnologia para produção de drogas. Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Guiana, Suriname e Venezuela não têm condições de investir em segurança e prevenção à fabricação de venda de drogas à mesma proporção do investimento dos narcotraficantes. Significa que eles têm mais dinheiro? Não, óbvio que não. Significa que eles têm mais competência mesmo.

O aparato militar dos EUA, ao contrário do que prega Chavez, não será usado para estabelecer domínio da região; mas, sim, para auxiliar no combate ao tráfico e produção de drogas. Os Estados Unidos têm um avião-espião capaz de captar através de sofisticados radares laboratórios de drogas instalados no subterrâneo. Que outro país-membro da Unasul tem tecnologia pra isso? Nenhum! Outros poderiam me perguntar: “Ah, mais não poderiam fazer esse monitoramente através de satélites?”. Sim, claro que sim. Dê o número de tua conta corrente para debitar as despesas com a compra de equipamentos que fica tudo certo.

Além de possibilitar aos países ações preventivas contra o tráfico, a monitoração previsto pelo pacto militar encarecerá a produção de drogas. Cercados por um aparato militar capaz de identificar e destruir campos de maconha, por exemplo, os produtores ver-se-ão obrigados e procurar novos meios para produzir suas “mercadorias”.

As questões acima não foram expostas na cúpula da Unasul. Para uma cambada que compõe a cúpula, é mais importante manter a insígnia da auto-suficiência da região a manter um acordo benéfico de cooperação com os Estados Unidos. E, claro, manterem-se omissos diante das façanhas do caudilho Hugo Chavez. Quais façanhas? Leiam o post abaixo.

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O FRACASSO DA UNASUL E A OMISSÃO DO DEBATE

O BRASIL, A UNASUL E HUGO CHAVEZ

A Unasul nada mais é do que uma tentativa da Venezuela e do Brasil de tentar criar uma cúpula para substituir a OEA. E é em prol disso que vemos, com notável freqüência, Celso Amorim vender suas ridicularias e envergonhar nossa diplomacia com invejável maestria.

Os países-membros da Unasul deveriam se ocupar menos em manter foco sobre o acordo Colômbia-Estados Unidos e direcionarem suas preocupações para o verdadeiro caudilho da região: Hugo Chavez.

Até hoje não vi a Unasul convocando assembléia extraordinária para debater o acordo militar entre a Venezuela e a Rússia. Cadê as garantias jurídicas de que os demais países da América do Sul não estão sob um perigo iminente em virtude dessa parceiria? A cúpula também se manteve omissa quando da revelação de que Hugo Chavez forneceu armamento sueco para as Farc. E como ficam os diálogos pra lá de suspeitos que também mantém com o Irã?

O Brasil, principal país da região, se manteve escandalosamente calado sobre todas as façanhas de Chavez. Preferiu minimizar a discussão e dar de ombros para o caso. Nunca é demais lembrar que para Honduras todo mundo pôs o dedo em riste. Semelhante braveza nunca se viu contra a Venezuela. O maior delinqüente das Américas e financiador astuto do terrorismo age com liberdade nas alianças da região. E o pior: atura-se tudo isso com mudez.

No dia 2 de agosto, o Estadão publicou um editorial incorrigível sobre a amizade Brasil-Venezuela. Segue trechos em azul.

É cada vez maior a subserviência do governo brasileiro aos projetos do caudilho Hugo Chávez. No início da semana, o compañero bolivariano estava em maus lençóis, tendo de explicar como vários lançadores de foguetes AT-4, comprados pela Venezuela da Suécia, em 1988, estavam em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc, um grupo guerrilheiro que surgiu há mais de 40 anos tentando implantar pelas armas uma ditadura maoista naquele país e hoje se dedica quase exclusivamente ao tráfico de drogas. Não apenas o governo de Bogotá exigia uma resposta. Estocolmo também queria saber por que o governo venezuelano não havia respeitado o compromisso de ser o usuário final daquele sistema de foguetes.

Como não tinha nenhuma explicação plausível a dar e não podia reconhecer publicamente que tanto ele como seu seguidor equatoriano Rafael Correa fazem o que podem para ajudar o bando armado que se sustenta do narcotráfico e do sequestro de civis, Hugo Chávez fez-se de ofendido. Repudiou qualquer tipo de interpelação, chamou de volta a Caracas o embaixador em Bogotá e congelou as relações diplomáticas e econômicas com a Colômbia. Mas isso era pouco. Passou para a ofensiva franca, cobrando satisfações do governo colombiano por este estar em negociações com Washington para ceder o uso de cinco bases militares às forças americanas – algumas centenas de soldados – que combatem as chamadas ameaças transnacionais, principalmente o narcotráfico. E, desde então, a concessão dessas bases passou a ser vista como uma ameaça real e imediata à segurança dos países sul-americanos.

O governo Lula comprou a briga do compañero Chávez e tentou dividir a conta com membros de governo estrangeiros que passavam por Brasília. O presidente Lula, depois de afirmar que “a mim não me agrada mais uma base na Colômbia”, fez a ressalva de que, assim como não gostaria que o presidente Álvaro Uribe desse “palpite nas coisas do Brasil”, ele também não daria palpite “nas coisas de Uribe” – mas tratou de pedir que o assunto fosse incluído na pauta da reunião da União de Nações Sul-Americanas do dia 10. A presidente do Chile, Michelle Bachelet, que estava em Brasília, agiu com grande correção diplomática, limitando-se a dizer que “nós respeitamos a soberania de cada país e as decisões que tomam”. Mas o chanceler espanhol Miguel Angel Moratinos deixou de lado a circunspecção, que deveria marcar o comportamento de um visitante, e pontificou, como se Madri ainda fosse a metrópole: “É preciso cuidado para evitar tensão e militarismo na América Latina. Essa não é a melhor resposta aos problemas da região.” E propôs articular reações da União Europeia contra a ampliação da presença militar dos Estados Unidos na Colômbia, muito convenientemente esquecido de que as forças americanas – e não só elas – têm livre trânsito nas bases espanholas que fazem parte da OTAN.

O chanceler Celso Amorim, por sua vez, instruiu o embaixador brasileiro em Washington a obter junto ao Departamento de Estado detalhes sobre o acordo de cessão das bases colombianas. Exigiu, ao que se informa, “transparência”. Não fez o mesmo – e muito menos revelou preocupações com a segurança do Brasil – quando, há meses, o caudilho Hugo Chávez colocou à disposição das forças armadas russas todos os portos e aeroportos venezuelanos. Muito menos quis saber publicamente de detalhes dos acordos de cooperação militar assinados esta semana entre Caracas e Moscou, que preveem inclusive a realização de manobras.

O Brasil prefere, como se nota, crer nas palavras das ditaduras. São-lhe simpáticas.

O BRASIL, A UNASUL E HUGO CHAVEZ

Volto na segunda-feira

Tenho abandonado vocês ultimamente. É a correria
Prometo voltar na segunda-feira.
Até lá.

Volto na segunda-feira

A (A)ÉTICA DE MERCADANTE E DO PT

Tentar enxergar um resquício de boa-coisa no PT é um exercício árduo – pior do que procurar um pouco de lirismo nas obras de Stephenie Meyer. Em um recente post aqui no blog (pesquisem aí), afirmei que Lula afundou o petismo para fundar o lulismo. Por incrível que pareça, conseguiu deixar o PT pior do que já era.

O senador Aluísio Mercadante (PT-SP), indignado com a decisão do arquivamento sumário de todas as representações contra o Sarney no Conselho de Ética, prometeu, ontem, deixar a liderança de seu partido. Era uma forma de mostrar seu descontentamento com os rumos (a)éticos tomados pelo PT. Cego-obstinado Mercadante! Depois de uma extensa reunião com Lula, voltou atrás em sua decisão e anunciou que não deixaria mais a liderança de sua bancada. Mais um ponto pro lulismo, um a menos pro PT e dois a mais pra patifaria.

Antes que me interpretem errado, logo aviso: não estou me compadecendo com Mercadante. Um político que decide renunciar seus próprios valores em nome do partidarismo e da, como é mesmo?, governabilidade,  não merece compaixão nem compadecimento alheios. Caráter sem tem – ou não – independente de Lula e PT. Se Mercadante resolve mandar seus princípios para o diabo em nome de uma causa menor, então é porque nunca os teve. E, cá entre nós, tentar justificar o injustificável não é pra qualquer Pilatos. Eis o que disse Mercadante: “Não tenho condições de dizer não [ao pedido do presidente Lula]. Não tenho, como não tive antes”.

Tamanha dedicação de Lula à causa Sarney põe-nos uma pulga atrás da orelha e nos motiva a questionar o porquê de tamanha relação de promiscuidade. Às vezes sou tomado por uma sensação de que o PT tem muito a esconder, o que leva o partido a formar qualquer aliança e com qualquer tipo de gente em nome da sucessão presidencial. Com Dilma no poder, se – enfatizo: SE – houver lixo embaixo do tapete, por lá permanecerá. Por que falo isso? Bem, o aparelhamento que Lula promoveu no Estado não é tão evidente à proporção que devia ser. Mas ele existe e é enorme. Conversando com um advogado especialista em Administração Pública e que respira os ares do Poder, fiquei sabendo que após a chegada do PT ao Planalto o sindicalismo se instalou em comissões de deliberações de vários ministérios. Para citar um exemplo, o advogado disse que, em visita a Brasília para tratar de uma deliberação no Conselho de Imigração, foi surpreendido com o corpo que compõe aquele colegiado. Além dos representantes inerentes à atuação da comissão (Ministérios do Trabalho, Relações Exteriores, Fazenda…), havia representantes da, pasmem, CUT e Força Sindical!!! O que justifica a presença sindical no Conselho de Imigração? NADA. Nunca essa gentalha deu as caras nesses conselhos. Mas Lula, às incúrias, instalou toda essa corja lá.

Adiante.

Mercadante não recorreu somente a Lula para justificar seu tropeço. Disse também que recebeu apelo da maioria dos senadores e de petistas ilustres para ficar no cargo. Ainda encurralado pelo último pingo de circunspecção que pulsava em algum canto de seu juízo, Mercadante usou a crise no PT e a saída dos senadores Marina Silva (AC) e Flávio Arns (PR) do partido para explicar seu devaneio. “Todos os senadores [da bancada] disseram: ‘Mercadante, não é esse o caminho. Você tem que continuar, tem que ficar’. Pediram que eu ficasse, especialmente neste momento difícil para a própria bancada. Porque a Marina não é um quadro qualquer. Tem uma história de 30 anos [no partido] e representa uma agenda importante para o Brasil. Uma agenda que existe dentro do meu partido”.

O time de primeira linha que pediu clemência a Mercadante ainda tem mais figurões ilustres:

– Dilma Rousseff (Casa Civil) – que interfere em investigações que nada têm a ver com sua alçada a fim de beneficiar aliados;

– Antonio Palocci (PT-SP) – que, segundo o caseiro Francenildo Costa, comanda a “mansão do lobby”;

– José Dirceu – aquele, apontado por Antônio Fernando de Souza (ex-procurador geral da República) como o chefe da quadrilha do mensalão.

E no topo da pirâmide, ele: Lula.

O PT sempre se superará em sua incrível capacidade de se auto-destruir. E não adianta criar esperanças naquela luzinha no fim do túnel. Não é a saída – e nem uma locomotiva. É o inferno mesmo.

A (A)ÉTICA DE MERCADANTE E DO PT

É PRECISO APARAR AS UNHAS DO PÉ DA GALINHA

A melhor propaganda antipetista é deixar um petista falar. Vamos esmiuçar o que disse a senadora Ideli Salvati (PT-SC) durante a sessão da Comissão de Constituição e Justiça ocorrida ontem – ocasião em que Lina Vieira prestou esclarecimentos sobre a interferência de Dilma Rousseff em um processo contra Fernando Sarney. Assim falou nossa Zaratustra: “da unha do pé da galinha virar canja toda hora, né?”. Mais profundo que isso, só mesmo um pires.

Já virou especialidade do petismo reduzir a pó qualquer denúncia que possa o partido ou um dos seus. Isso é norma.

Aluísio Mercadante, ontem, protagonizou uma das cenas mais lamentáveis do Congresso Nacional. Foi agressivo, estúpido e indecoroso com Lina Vieira. Tudo isso para tentar desqualificá-la (o que não conseguiu. Explico mais adiante). Só é uma pena assistir à tamanha macheza contra uma mulher indefesa – praticamente sozinha na tentativa de provar que Dilma e ela se encontraram – e não vermos similar braveza no trato com os petistas simpatizantes com Sarney. Se Lula fala, Mercadante põe o rabinho entre as pernas e lambe-lhe as botas. Se Lina fala, aí, sim, nosso Aquiles se manifesta. Não é mistério para nessuno que Mercadante discorda peremptoriamente do arquivamento sumário de todas as ações contra Sarney. Mas, não sei porque razão, falta-lhe a coragem de peitar seus pares assim como melindrou Lina Vieira.

Impassível, em nenhum momento Lina se deixou levar pelo o joguete dos governistas. No final das contas, foram os tocadores de tuba do Planalto que se viram em uma contradição. Antes, negavam a qualquer custo a possibilidade de o encontro entre Dilma e Lina ter ocorrido. Depois, passaram a considerar normal ter havido um encontro e o fato de Dilma ter pedido apenas mais agilidade no processo, mas sem pressionar Lina. Em suma, seria o “encontrou? Sim, e daí?”; “pediu mais rapidez? Sim, e daí? – mas não pressionou”. É o espetáculo do diz-desdiz.

Estranhamente, os senadores da base aliada trabalham para impedir uma possível acareação entre Dilma e Lina. Afirmando que se dispõe a ficar cara-a-cara com Dilma, Lina disse: “Não mudo a verdade no grito. Nem preciso de agenda [onde teria registrado o encontro] para dizer a verdade. A mentira não faz parte de minha biografia”.

Como recordar é viver, nunca é demais lembrar os imbróglios pelos quais Dilma Rousseff já passou.

– no início do ano passado, quando ministros de Lula foram apanhados pagando despesas privadas com verbas públicas, Dilma disse que o governo não apanharia calado. Dias depois, eis que surge um dossiê confeccionado dentro da Casa Civil contendo despesas do governo FHC. Para se justificar, Dilma afirmou que a planilha era um simples levantamento de gastos que seria encaminhado para a CPI dos Cartões Corporativos. Detalhe: a CPI ainda nem estava instalada.

– Dilma tinha um currículo onde afirmara que era doutora pela Unicamp. A faculdade não confirma que a ministra tenha esse título. Assim como se muda de roupa, Dilma alterou o currículo no site da Casa Civil. A explicação: possível invasão aos sistemas de internet da Casa Civil. Porém, como bem lembrou Lucia Hippolito em comentário na rádio CBN, nas duas vezes em que Dilma Rousseff compareceu ao programa Roda Viva (TV Cultura) – em 2004 e 2006 – ela ouviu o âncora ler seu currículo com as informações acadêmicas “incorretas”. Mesmo assim, Dilma permaneceu imóvel. Não contestou nada. Creu na própria quimera.

Se compararmos Lina Vieira com Dilma Rousseff, chegaremos à conclusão de que a ex-secretária da Receita é muito mais confiável que a ministra.

Lina não faz currículo falso. Dilma faz

Lina não muda de versão com a freqüência que se muda de roupas íntimas. Dilma muda.

Lina não ameaça ninguém afirmando que “não vai apanhar calada”. Dilma ameaça.

Eis aí as unhas do pé da galinha.

É PRECISO APARAR AS UNHAS DO PÉ DA GALINHA

O BESTEIROL. O GRANDE PUXADOR DE ORELHAS DO JORNALISMO

Ai, que preguiça!

Em um momento de insanidade, entrei no Observatório da Imprensa e dei de cara com um texto de Alberto Dines. Ele se acha o Castilho do jornalismo. Não sei porque razão, Dines se auto-conferiu competência para ser o grande puxador de orelhas da imprensa.

Abaixo, reproduzo o artigo desse gigante do jornalismo. No texto, vê-se uma pobre e vil tentativa de construir uma filosofia sobre a cobertura do caso Universal.

É de dar um dó (isso mesmo, no masculino).

Faço algumas intervenções em vermelho.

Novo round na guerra santa

Qualquer guerra é perversa, mas a guerra em nome de Deus é coisa do Diabo.

A dosagem de besteiras já começa por aqui. Exijo que Dines me aponte em que o Diabo esteve envolvido na queda das muralhas de Jericó, por exemplo. A tempo: sim, essa guerra era em nome de Deus.

Denunciar as eventuais falcatruas dos líderes de uma seita religiosa é uma obrigação das autoridades, também da imprensa, mas é impiedoso ignorar as convicções dos seus fiéis.

Em que momento a convicção religiosa de alguém foi ignorada? Em nenhum momento vi algum jornal criticando a santíssima trindade. Em nenhum momento vi apologia ao ateísmo ou crítica a quem professa qualquer tipo de fé.

Pobre dissertação!

Na terça-feira (11/8), a Folha de S.Paulo noticiou com grande destaque: “Universal é acusada de lavar dinheiro”. A pedido do Ministério Público de São Paulo, a Justiça abriu na véspera uma ação criminal por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha contra dez dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), entre eles o seu dirigente máximo, bispo Edir Macedo.

A IURD, enquanto confissão religiosa, não estava sendo denunciada, nem os seus oito milhões de devotos e crentes – a manchete da Folha foi formulada de maneira preconceituosa.

Pelo amor de Deus!!!

Se o líder máximo da igreja usa dinheiro da instituição para benefício próprio, a igreja, indiretamente, tem participação no processo. A manchete da Folha não foi preconceituosa, foi lógica.

Partindo do pensamento bocó de Dines, nenhum jornal mais poderá noticiar que o Banco Central reduz juros, uma vez que quem decide a política monetária são o presidente da instituição mais alguns diretores. Para Dines, o correto seria noticiar Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, mais conselho de diretores reduzem juros.

Naquela mesma noite, o Jornal Nacional da TV Globo dedicou 11 minutos – na TV, uma eternidade! – à repercussão do noticiário daquela manhã.

Da quarta-feira (12/8) até domingo (16), toda a grande mídia aderiu com gosto ao pesado bombardeio contra o bispo Macedo e o seu conglomerado que inclui 23 emissoras de TV, entre elas a Rede Record, 78 rádios (próprias e arrendadas), três jornais e outras 16 empresas em diversos segmentos.

O que seria “grande mídia”? Um disco de CD enorme? Um DVD virgem com cinco metros de diâmetro?

Por favor, grande mídia, não; grande imprensa, sim.

Não é a primeira vez que o grupo empresarial é alvo de investigações relacionadas com o recolhimento dos dízimos pagos pelos fiéis e indevidamente embolsados por Edir Macedo e seus parceiros, a maioria destacados dirigentes da Igreja Universal. Mas aqueles que freqüentam os templos, participam dos cultos e seguem a sua Teologia da Prosperidade não deveriam ser misturados às supostas trapaças de seus sacerdotes.

Aponte-me em que reportagem da TV Globo um fiel foi exposto indevidamente, arrolando-o no processo de falcatruas de Edir Macedo.

É preciso não esquecer que o grupo ligado à Igreja Universal criou um partido, o PRB (Partido Republicano Brasileiro; antes chamava-se PMR), cujo membro mais destacado é o vice-presidente da República, José Alencar. O PRB faz parte da base aliada do governo e todas as suas concessões de radiodifusão são tão legais – ou tão ilegais – quanto a maioria das outras. A religião é o ópio do povo, mas Karl Marx ao criar a máxima não diferenciou os credos.

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Sem transparência

A ofensiva contra a Igreja Universal do Reino de Deus não parece espontânea, sugere alguns indícios de orquestração. É certo que as evidências são gritantes, parece irrepreensível o trabalho investigativo do Ministério Público baseado na quebra do sigilo fiscal e bancário dos envolvidos. O que causa alguma estranheza é a rapidez da formação da bola de neve midiática.

Ah, não! Eu não li isso.

Dines sugere que a imprensa entrou em comum acordo afim de veicular simultaneamente reportagens sobre o escândalo da Universal.

É… Quando os argumentos faltam, sobra a ignorância.

Vamos, então, rememorar algumas recentes “bolas de neve midiáticas”.

– Favorecimento de familiares em cargos públicos pelo senador José Sarney

– Possível conversa de Dilma Rousseff com Lina Vieira afim de acelerar as investigações contra Fernando Sarney

– Atos secretos do Senado Federal

– Lei de exploração do pré-sal

– Aumento das taxas de concessão de crédito dos bancos públicos

Enfim, tudo “bola de neve”. Assuntos que foram repercutidos – e ainda são – em diversos veículos de comunicação. Se seguirmos o raciocínio de Dines, chegaremos à conclusão de que as coberturas citadas acima configuram uma “orquestração” da “grande mídia”.

A Folha tinha legitimas razões para vingar-se das 107 ações quase simultâneas impetradas por fieis da Universal contra um primoroso levantamento conduzido pela repórter Elvira Lobato

Os grupos Globo e Edir Macedo são inimigos históricos, seus conflitos transcendem o âmbito empresarial e situam-se também no explosivo terreno religioso.

Como assim? A família Marinho também é dona de alguma seita que faz concorrência à Record? Quero provas.

Mas o resto da veiculação foi com muita sede ao pote: não levou em conta os interesses dos anunciantes e do próprio público, ambos interessados em manter o atual leque de opções.

Como é que é? Alberto Dines está crucificando a Globo porque não levou em contra os interesses dos anunciantes ao veicular matérias sobre a Universal? Ora, meu senhor, rasgue seu diploma de jornalista –se é que o tem – e vai cursar marketing. Desde quando uma reportagem deve ser submetida a interesses de anunciantes para ser veiculada?

E arrogantemente desconsiderou o enorme rebanho evangélico ao qual não foi oferecida qualquer compensação informativa, como se os oito milhões de crentes não importassem já que não lêem jornalões, revistões e a mídia nacional.

Então quer dizer que nenhum veículo pode noticiar qualquer coisa sobre qualquer religião por causa dos fiéis?

Logo, não poderemos mais noticiar nada sobre a Chevrolet em respeito aos proprietários de Vectra!

Eis a lógica Dines.

A criação de um escândalo alternativo ao de José Sarney convém a muitos grupos políticos. E, como sabemos, a mídia não consegue manter duas ofensivas simultâneas. O caso de Edir Macedo tem mais apelo popular.

A imprensa pode, sim, manter dois – ou mais –assuntos em evidência. Vá catar coquinho, sr. Dines. Três assuntos dominam a pauta dos grandes jornais de forma simultânea: Sarney, Universal e gripe suína. Que história é essa de questionar a capacidade da imprensa de conciliar assuntos?

Há quanto tempo Dines não abre um jornal? Há quanto tempo não toma uma boa dose de bom senso?

O BESTEIROL. O GRANDE PUXADOR DE ORELHAS DO JORNALISMO

LULA COLOCA O PT ABAIXO DE ÓRGÃOS CUJO NOME O DECORO ME IMPEDE DE FALAR. ESSA REGIÃO É AQUELA LOGO ABAIXO DO RABO DO CÃO

O que Lula está fazendo contra o PT é um fenômeno inédito na história político-partidária do Brasil: humilha o próprio partido com a competência de fazer inveja ao PSDB e o DEM. Lula transformou o petismo em lulismo. Hoje, ninguém respira dentro do PT sem a anuência de sua maior estrela. Se o fizer, vai pra salinha e corre o risco de levar palmadinhas do barbudo.

Lula fez do PT a sua casa-da-mãe-Joana.

Ele manda.
Ele faz.
Ele quer.
Ele acontece.
Ele é o Altíssimo.
Ele é o Onipotente.
E, como sabemos, aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, a sombra do Onipotente descansará.

Mas como fica o partido que o ajudou a chegar à Presidência República?

Que se dane!
Que se lixe!
Que vá para o diabo!
Que caminhe no vale da sombra e da morte – e não conte com o cajado para guiar-lhe às águas tranqüilas!

Se os demais cumpanhêro de partido estão de acordo ou não, bem, isso é indiferente. Caso haja divergências, Lula as atropela e não faz a mínima questão de evitar constrangimentos. José Sarney encontrou em Lula seu maior escudo durante os atuais escarcéus no Senado. Mesmo encontrando resistências internas no próprio partido, Lula protege Sarney como um avô protege a neta (ou, se for caso, o namorado dela, arrumando-lhe uma sinecura custeada com verbas públicas).

Uma das principais vítimas do lulismo que acometeu o PT é o senador Aluísio Mercadante. Desde os surgimentos das possibilidades de enviar o caso Sarney para o Conselho de Ética, Mercadante foi enfático ao defender que era contra o arquivamento sumário de todas as ações. Coitado! Viu sua opinião de líder da bancada ser impiedosamente ignorada. Prevaleceu a vontade de Lula: todos com Sarney! Ontem, o senador chegou a confessar que não vislumbra novos horizontes como líder da bancada. E não é por menos. Leia trecho da reportagem de hoje na Folha de S.Paulo.

Na noite de ontem, o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (PT), foi até o gabinete de Sarney comunicá-lo da resistência em absolvê-lo. Os dois tiveram uma tensa discussão, presenciada pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC).

Sarney e Mercadante elevaram tanto o tom de voz que a discussão pôde ser ouvida por quem estava do lado de fora.

O peemedebista cobrou fidelidade dos petistas à aliança entre os partidos. Mercadante disse que não tinha condições de mudar de posição e continuaria defendendo a reabertura de pelo menos um dos processos contra o presidente do Senado -o que trata da nomeação do namorado de sua neta.

Após a reunião, segundo a Folha apurou, Mercadante chegou a confidenciar que não tinha apego ao cargo de líder da bancada e poderia entregá-lo caso o presidente Lula exija uma mudança de posição. Apesar do seu posicionamento, Mercadante não tinha segurança de que alguns senadores do PT irão seguir sua orientação.

Anteontem, Sarney e Renan conversaram, separadamente, com Lula. Disseram ao presidente que o PT precisa decidir de que lado está. Foi citado que os petistas não podem querer a aliança do PMDB na CPI da Petrobras e se aliar à oposição no Conselho de Ética.

Lula prometeu pressionar os senadores a mudar de posição e fechar com o PMDB pelo arquivamento definitivo de todos os processos contra Sarney. Lula voltará a insistir com os petistas que está em jogo a eleição de 2010, em que PT e PMDB devem fechar aliança para tentar eleger Dilma Rousseff sucessora do petista no Planalto.

Dois pontos merecem especial destaque, pois deixam em evidência o modo Lula de fazer política.

1- Lula prometeu pressionar senadores pelo arquivamento dos processos contra Sarney. Mais um sinal da ótima sociedade Lula-PT. O primeiro entra com o pé, o segundo com a bunda. A coação à qual o PT está submetida começa a gerar situações até então imprevistas. Ideli Salvati, Delcídio Amaral e João Pedro – os três cavaleiros do Planalto no Congresso – já pensam em se abster na votação no Conselho de Ética. Vão ajudar Sarney, mas não vão seguir à risca as determinações de Lula – votar (ou seja, nada de abstenção) pelo arquivamento. Até os petistas começam a ter senso do ridículo.

2- Lula vai insistir com petistas que está em jogo a eleição de 2010 e a aliança com o PMDB para eleger Dilma Rousseff. Eis aí mais um exponencial vexame sofrido pelo PT: a imposição de Lula para que Dilma seja a candidata à Presidência pelo PT. Lula assaltou o PT da vontade soberana que todo partido político tem: escolher um candidato para suceder o presidente da República. É uma bola de neve: o PT não quer livrar a cara de Sarney a toque-de-caixa, mas se vê coagido a fazê-lo em nome da candidatura de Dilma Rousseff – nome que o PT não quer na corrida pelo Planalto.

Já não devemos nos preocupar exclusivamente com os petistas. Surge o lulismo que, pelo jeito, é muito mais nocivo.

LULA COLOCA O PT ABAIXO DE ÓRGÃOS CUJO NOME O DECORO ME IMPEDE DE FALAR. ESSA REGIÃO É AQUELA LOGO ABAIXO DO RABO DO CÃO