DILMA, A DONA DO PODER

A Folha de S.Paulo revelou, ontem, que a ministra da Casa Civil Dilma Rousseff interveio no processo de investigação realizado pela Secretaria da Receita Federal contra o empresário Fernando Sarney. Abaixo, transcrevo partes da matéria. Volto depois.

A ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira diz que, em um encontro a sós no final do ano passado, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) pediu a ela que a investigação realizada pelo órgão nas empresas da família Sarney fosse concluída rapidamente.
A Folha obteve há três semanas a informação sobre o encontro e o pedido. Procurada pela reportagem, a ex-secretária confirmou. Ressaltou que não poderia dar detalhes sobre a auditoria, em respeito ao sigilo fiscal previsto no Código Tributário Nacional. Mas aceitou contar como teria sido a conversa com a ministra e pré-candidata à Presidência da República.

A assessoria de Dilma diz que o encontro nunca ocorreu.
“Falamos sobre amenidades e, então, ela me perguntou se eu podia agilizar a fiscalização do filho do Sarney.” A ex-secretária disse que entendeu como um recado “para encerrar” a investigação, o que se recusou a fazer. “Fui embora e não dei retorno. Acho que eles não queriam problema com o Sarney.”

Segundo Lina, o pedido de Dilma ocorreu cerca de dois meses após o fisco ter recebido ordem judicial para devassar as empresas da família Sarney. Auditores da Receita ouvidos pela Folha dizem que uma fiscalização como essa pode levar anos. Encerrá-la abruptamente seria o mesmo que “aliviar” para os alvos da investigação.

Além do sigilo fiscal, inerente a todas as ações da Receita, a auditoria sobre o clã Sarney estava sob segredo de Justiça.
No final do ano, o Palácio do Planalto cuidava das articulações para a eleição à Presidência do Senado. Em público, Sarney negava a intenção de concorrer, embora se movesse nos bastidores. A candidatura foi anunciada em janeiro e, apoiada por Lula, acabou vitoriosa.
Sarney enfrenta hoje uma série de acusações de quebra de decoro por ter usado a máquina do Congresso em favor de parentes e aliados. Continua no cargo com o apoio de Lula.

A Folha contatou a Casa Civil quatro vezes para saber se a ministra Dilma confirmava o teor da conversa com Lina Vieira. Sua assessoria de imprensa, em conversas telefônicas e por e-mail, declarou que ela “jamais pediu qualquer coisa desse tipo à secretária da Receita” e, mais, que a ministra “não se encontrou com ela”. “Não houve a alegada reunião”, escreveu a assessoria. Lina, por sua vez, diz se lembrar de detalhes: do cafezinho que tomou na antessala e do xale que Dilma vestia.

Conforme a Folha publicou no dia 25 de julho, a recusa de Lina em atender pedidos de políticos foi um dos fatores que levaram à sua demissão no dia 9. O motivo mais divulgado foi a divergência em público sobre a mudança de regime tributário feita pela Petrobras.

Lina ficou apenas 11 meses e 10 dias no comando do fisco. Ela disse à Folha que o ministro Guido Mantega (Fazenda) avisou-a que a ordem para tirá-la do cargo “veio de cima”.

A Receita começou a vasculhar o clã Sarney em setembro de 2007. Num desdobramento da Operação Boi Barrica da Polícia Federal, o juiz Ney Bello Filho (1ª Vara Federal do Maranhão) determinou a fiscalização sobre Fernando Sarney, a mulher dele, Teresa Murad, e em três empresas da família: Gráfica Escolar, TV Mirante e São Luís Factoring.

Na ocasião, o secretário do fisco era Jorge Rachid. Um ano depois, em setembro de 2008, o juiz, insatisfeito com o resultado do trabalho dos fiscais, expediu novo ofício à Receita, determinando a ampliação da investigação, sob pena de prisão de dirigentes do órgão. Esse segundo despacho judicial ocorreu já na gestão de Lina, que assumira dois meses antes.

Em outubro, a Receita começou a montar um grupo especial de auditores de fora do Maranhão. Conforme a Folha revelou na semana passada, 24 pessoas físicas e jurídicas ligadas direta e indiretamente a Sarney estão sob investigação pelo fisco. No inquérito policial, Fernando Sarney já foi indiciado sob a acusação de formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Segundo Lina, semanas depois do início da segunda etapa da fiscalização, a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, foi até a Receita falar com ela. Disse que a ministra queria ter uma conversa pessoal com Lina, mas não sabia dizer sobre qual assunto.

Erenice é o braço direito de Dilma. Ficou conhecida no começo do ano passado, após a Folha ter revelado que partiu dela a ordem para a elaboração, por funcionários da Casa Civil, de um dossiê com gastos pessoais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A ex-secretária da Receita disse se lembrar que o encontro ocorreu no final do ano passado, mas não da data exata. Prometeu localizar suas agendas, mas afirmou que não conseguiu encontrá-las, pois muitos de seus pertences já estão embalados para a mudança de volta para o Rio Grande do Norte, sua terra natal. A Folha pesquisou todos os dias da agenda oficial de Dilma. Não consta nenhuma audiência com Lina.

Na data combinada, Lina disse que foi ao Planalto, que foi recebida por Erenice e que aguardou alguns minutos até ser chamada por Dilma.

A Casa Civil não tem nenhuma ingerência formal sobre a Receita, subordinada ao Ministério da Fazenda

Voltei

Se nosso Senado não estivesse mergulhado em uma profunda crise existencial, caberia à Casa um convite formal para que Dilma Rousseff fosse se explicar. O que uma ministra da Casa Civil tem a ver com uma investigação que ocorre sob segredo de Justiça na Secretaria da Receita Federal? Tecnicamente, nada. A intromissão de Dilma em um processo de investigão que está fora da alçada de sua atuação configura algo extremamente grave, inaceitável sob qualquer ponto de vista —  a não ser do ponto de vista petista. É mais uma ameaça à independência dos órgãos institucionalmente instalados e mais uma tentativa de calar quem tenta fazer justiça. É a fenda na xícara de chá, como já dizia Auden. (“And the crack in the-cup opens/ A lane to the land oh the dead”). A fenda está para Dilma assim como a terra dos mortos está para a podridão de nossa política. Fica a já conhecida expressão: cui bono.

O modo PT de governar é capaz de nos surpreender não pelos meios aos quais recorrem para ter privilégios – ou garanti-los a quem for de seu interesse –, mas, sim, pelo o tamanho do proselitismo e da forma descarada como é praticado. Quando o PT era oposição, se, porventura, o governo colocasse sob análise a hipótese de interferir em uma investigação, pronto: o Deus-nos-acuda e o diabo-que-os-carregue seriam imediatamente instalados. Mas, agora, não. Tudo é diferente. O discurso mudou. A moral mudou. Agora pode. Antes, era feio, agora, faz parte do jogo.

O desdém que petistas têm pelas instituições só não é maior do que a picaretagem que carregam no lombo. Em nome da camaradagem, renunciam àquilo que nunca tiveram: o caráter. Como mencionado na matéria acima, Fernando Sarney é um criminoso, bandido da melhor qualidade: é formador de quadrilha, pratica falsidade ideológica, é acusado de gestão financeira irregular e lavagem de dinheiro. E ninguém menos do que Dilma Rousseff surge para defendê-lo. E tudo pra quê: para consolidar aliança com José Sarney.

O pedido de Dilma enquanto ministra da Casa Civil à Lina Vieira nos deixa algumas susceptíveis reflexões. Se enquanto ministra da Casa Civil Dilma já age com tamanha liberdade intimidando autoridades de outros órgãos de governo, como agirá caso seja eleita Presidente da República? Se no atual cargo a ministra já joga no lixo o bom senso e faz lobby a favor de um criminoso, como deverá proceder caso seja escolhida para ocupar o Planalto?

Lira Vieira foi demitida. É o preço que se paga quando se age corretamente em um governo repleto de petistas. Em nome da causa própria e do clientelismo nas relações políticas, essa raça se vale da influência inerente aos cargos que ocupam a fim de atropelar outras instituições. Sim, o PT tomou posse do poder. Só falta registrar em cartório. “Ah, mas não pode”. Sério?!?! Tudo bem. Nada que uma visitinha de Dilma Rouseff não revolva.

Conheçamos e prossigamos em conhecer o PT.

Anúncios
DILMA, A DONA DO PODER

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s