A (A)ÉTICA DE MERCADANTE E DO PT

Tentar enxergar um resquício de boa-coisa no PT é um exercício árduo – pior do que procurar um pouco de lirismo nas obras de Stephenie Meyer. Em um recente post aqui no blog (pesquisem aí), afirmei que Lula afundou o petismo para fundar o lulismo. Por incrível que pareça, conseguiu deixar o PT pior do que já era.

O senador Aluísio Mercadante (PT-SP), indignado com a decisão do arquivamento sumário de todas as representações contra o Sarney no Conselho de Ética, prometeu, ontem, deixar a liderança de seu partido. Era uma forma de mostrar seu descontentamento com os rumos (a)éticos tomados pelo PT. Cego-obstinado Mercadante! Depois de uma extensa reunião com Lula, voltou atrás em sua decisão e anunciou que não deixaria mais a liderança de sua bancada. Mais um ponto pro lulismo, um a menos pro PT e dois a mais pra patifaria.

Antes que me interpretem errado, logo aviso: não estou me compadecendo com Mercadante. Um político que decide renunciar seus próprios valores em nome do partidarismo e da, como é mesmo?, governabilidade,  não merece compaixão nem compadecimento alheios. Caráter sem tem – ou não – independente de Lula e PT. Se Mercadante resolve mandar seus princípios para o diabo em nome de uma causa menor, então é porque nunca os teve. E, cá entre nós, tentar justificar o injustificável não é pra qualquer Pilatos. Eis o que disse Mercadante: “Não tenho condições de dizer não [ao pedido do presidente Lula]. Não tenho, como não tive antes”.

Tamanha dedicação de Lula à causa Sarney põe-nos uma pulga atrás da orelha e nos motiva a questionar o porquê de tamanha relação de promiscuidade. Às vezes sou tomado por uma sensação de que o PT tem muito a esconder, o que leva o partido a formar qualquer aliança e com qualquer tipo de gente em nome da sucessão presidencial. Com Dilma no poder, se – enfatizo: SE – houver lixo embaixo do tapete, por lá permanecerá. Por que falo isso? Bem, o aparelhamento que Lula promoveu no Estado não é tão evidente à proporção que devia ser. Mas ele existe e é enorme. Conversando com um advogado especialista em Administração Pública e que respira os ares do Poder, fiquei sabendo que após a chegada do PT ao Planalto o sindicalismo se instalou em comissões de deliberações de vários ministérios. Para citar um exemplo, o advogado disse que, em visita a Brasília para tratar de uma deliberação no Conselho de Imigração, foi surpreendido com o corpo que compõe aquele colegiado. Além dos representantes inerentes à atuação da comissão (Ministérios do Trabalho, Relações Exteriores, Fazenda…), havia representantes da, pasmem, CUT e Força Sindical!!! O que justifica a presença sindical no Conselho de Imigração? NADA. Nunca essa gentalha deu as caras nesses conselhos. Mas Lula, às incúrias, instalou toda essa corja lá.

Adiante.

Mercadante não recorreu somente a Lula para justificar seu tropeço. Disse também que recebeu apelo da maioria dos senadores e de petistas ilustres para ficar no cargo. Ainda encurralado pelo último pingo de circunspecção que pulsava em algum canto de seu juízo, Mercadante usou a crise no PT e a saída dos senadores Marina Silva (AC) e Flávio Arns (PR) do partido para explicar seu devaneio. “Todos os senadores [da bancada] disseram: ‘Mercadante, não é esse o caminho. Você tem que continuar, tem que ficar’. Pediram que eu ficasse, especialmente neste momento difícil para a própria bancada. Porque a Marina não é um quadro qualquer. Tem uma história de 30 anos [no partido] e representa uma agenda importante para o Brasil. Uma agenda que existe dentro do meu partido”.

O time de primeira linha que pediu clemência a Mercadante ainda tem mais figurões ilustres:

– Dilma Rousseff (Casa Civil) – que interfere em investigações que nada têm a ver com sua alçada a fim de beneficiar aliados;

– Antonio Palocci (PT-SP) – que, segundo o caseiro Francenildo Costa, comanda a “mansão do lobby”;

– José Dirceu – aquele, apontado por Antônio Fernando de Souza (ex-procurador geral da República) como o chefe da quadrilha do mensalão.

E no topo da pirâmide, ele: Lula.

O PT sempre se superará em sua incrível capacidade de se auto-destruir. E não adianta criar esperanças naquela luzinha no fim do túnel. Não é a saída – e nem uma locomotiva. É o inferno mesmo.

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