O BRASIL, A UNASUL E HUGO CHAVEZ

A Unasul nada mais é do que uma tentativa da Venezuela e do Brasil de tentar criar uma cúpula para substituir a OEA. E é em prol disso que vemos, com notável freqüência, Celso Amorim vender suas ridicularias e envergonhar nossa diplomacia com invejável maestria.

Os países-membros da Unasul deveriam se ocupar menos em manter foco sobre o acordo Colômbia-Estados Unidos e direcionarem suas preocupações para o verdadeiro caudilho da região: Hugo Chavez.

Até hoje não vi a Unasul convocando assembléia extraordinária para debater o acordo militar entre a Venezuela e a Rússia. Cadê as garantias jurídicas de que os demais países da América do Sul não estão sob um perigo iminente em virtude dessa parceiria? A cúpula também se manteve omissa quando da revelação de que Hugo Chavez forneceu armamento sueco para as Farc. E como ficam os diálogos pra lá de suspeitos que também mantém com o Irã?

O Brasil, principal país da região, se manteve escandalosamente calado sobre todas as façanhas de Chavez. Preferiu minimizar a discussão e dar de ombros para o caso. Nunca é demais lembrar que para Honduras todo mundo pôs o dedo em riste. Semelhante braveza nunca se viu contra a Venezuela. O maior delinqüente das Américas e financiador astuto do terrorismo age com liberdade nas alianças da região. E o pior: atura-se tudo isso com mudez.

No dia 2 de agosto, o Estadão publicou um editorial incorrigível sobre a amizade Brasil-Venezuela. Segue trechos em azul.

É cada vez maior a subserviência do governo brasileiro aos projetos do caudilho Hugo Chávez. No início da semana, o compañero bolivariano estava em maus lençóis, tendo de explicar como vários lançadores de foguetes AT-4, comprados pela Venezuela da Suécia, em 1988, estavam em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc, um grupo guerrilheiro que surgiu há mais de 40 anos tentando implantar pelas armas uma ditadura maoista naquele país e hoje se dedica quase exclusivamente ao tráfico de drogas. Não apenas o governo de Bogotá exigia uma resposta. Estocolmo também queria saber por que o governo venezuelano não havia respeitado o compromisso de ser o usuário final daquele sistema de foguetes.

Como não tinha nenhuma explicação plausível a dar e não podia reconhecer publicamente que tanto ele como seu seguidor equatoriano Rafael Correa fazem o que podem para ajudar o bando armado que se sustenta do narcotráfico e do sequestro de civis, Hugo Chávez fez-se de ofendido. Repudiou qualquer tipo de interpelação, chamou de volta a Caracas o embaixador em Bogotá e congelou as relações diplomáticas e econômicas com a Colômbia. Mas isso era pouco. Passou para a ofensiva franca, cobrando satisfações do governo colombiano por este estar em negociações com Washington para ceder o uso de cinco bases militares às forças americanas – algumas centenas de soldados – que combatem as chamadas ameaças transnacionais, principalmente o narcotráfico. E, desde então, a concessão dessas bases passou a ser vista como uma ameaça real e imediata à segurança dos países sul-americanos.

O governo Lula comprou a briga do compañero Chávez e tentou dividir a conta com membros de governo estrangeiros que passavam por Brasília. O presidente Lula, depois de afirmar que “a mim não me agrada mais uma base na Colômbia”, fez a ressalva de que, assim como não gostaria que o presidente Álvaro Uribe desse “palpite nas coisas do Brasil”, ele também não daria palpite “nas coisas de Uribe” – mas tratou de pedir que o assunto fosse incluído na pauta da reunião da União de Nações Sul-Americanas do dia 10. A presidente do Chile, Michelle Bachelet, que estava em Brasília, agiu com grande correção diplomática, limitando-se a dizer que “nós respeitamos a soberania de cada país e as decisões que tomam”. Mas o chanceler espanhol Miguel Angel Moratinos deixou de lado a circunspecção, que deveria marcar o comportamento de um visitante, e pontificou, como se Madri ainda fosse a metrópole: “É preciso cuidado para evitar tensão e militarismo na América Latina. Essa não é a melhor resposta aos problemas da região.” E propôs articular reações da União Europeia contra a ampliação da presença militar dos Estados Unidos na Colômbia, muito convenientemente esquecido de que as forças americanas – e não só elas – têm livre trânsito nas bases espanholas que fazem parte da OTAN.

O chanceler Celso Amorim, por sua vez, instruiu o embaixador brasileiro em Washington a obter junto ao Departamento de Estado detalhes sobre o acordo de cessão das bases colombianas. Exigiu, ao que se informa, “transparência”. Não fez o mesmo – e muito menos revelou preocupações com a segurança do Brasil – quando, há meses, o caudilho Hugo Chávez colocou à disposição das forças armadas russas todos os portos e aeroportos venezuelanos. Muito menos quis saber publicamente de detalhes dos acordos de cooperação militar assinados esta semana entre Caracas e Moscou, que preveem inclusive a realização de manobras.

O Brasil prefere, como se nota, crer nas palavras das ditaduras. São-lhe simpáticas.

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