O FRACASSO DA UNASUL E A OMISSÃO DO DEBATE

A reunião da Unasul para discutir a instalação de bases militares americanas na Colômbia terminou sem acordo. Mas uma coisa ficou evidente: a disposição da América do Sul em se alinhar ideologicamente a uma política anti-americana. Tem sido quase sempre assim: a corja se reúne, debate, não chegam a nenhuma conclusão e cada presidente volta pra sua casa. É como se a perda de tempo fosse uma atividade diplomática obrigatória.

O que começa errado, geralmente, não termina muito bem. E o censurável nessa historia, que fique bem claro, não é a instalação das bases, mas a forma como a discussão foi provocada.

Chavez – sempre ele! –, em sua cega obstinação de declarar a independência da América Latina dos Estados Unidos, pegou o gancho do acordo Colômbia-Estados Unidos e jogou caroço no angu. Levantou sua velha retórica e condenou a instalação das bases americanas em território sul-americano, insinuando uma possível tentativa de intervenção dos EUA nos países da região. Pobre idiota! Qualquer cidadão minimamente informado sabe que as Forças Armadas americanas não dependem de instalação de base em canto nenhum das Américas se quiser intervir em algum país. Mas dane-se a lógica. Lula e Celso Amorim resolveram dançar o minueto do ridículo e embarcaram na nau de Chavez.

O espertalhão venezuelano vive um difícil momento em seu país. A Venezuela ainda amarga as conseqüências da crise econômica mundial, a inflação é alta e a violência emerge em Caracas se espalhando para os quatro cantos daquele país. Abalado internamente, Chavez vê na reunião da Unasul uma oportunidade de trazer o ensejo ao seu favor. E assim o fez. Em nome da própria causa, Chavez deu um pé nos fundilhos do bom senso e colou em si mesmo o rótulo de grande protetor da América do Sul. Reiterou exaustivamente que a soberania da região ficará seriamente comprometida com o pacto militar entre Colômbia e Estados Unidos e que em hipótese nenhuma isso seria tolerado. Se quisesse, Chavez poderia até mesmo recorrer a Marco Aurélio Garcia para defender sua indefensável tese. Em alusão à política do Grande Porrete, Marco Aurélio, enviesando a discussão, afirmou que “cachorro mordido por cobra tem medo de lingüiça”.

Nunca se surpreenda com Marco Aurélio e Celso Amorim. Eles sempre se superam.

Amaldiçoar os Estados Unidos virou púlpito. A esquerda bocó vê no discurso anti-EUA uma forma de se promover e culpar os americanos por qualquer desventura que a América Latina possa sofrer.

O encontro ocorrido em Bariloche, além de deixar mais claro como pensa o esquerdismo latino, também serviu para mostrar como um viés destorce pontos importantes de uma questão. Ficou evidente que os presidentes estavam mais preocupados em deixar claro suas preocupações com o aumento da presença norte-americana em vez de abordar as questões técnicas do assunto. Como funcionarão essas bases? Quais tipos de movimentação militar serão realizadas ali? NINGUÉM, EM NENUM MOMENTO, SE PREOCUPOU EM ELUCIDAR ESSAS QUESTÕES. Vamos lá:

1- A base aérea servirá apenas para receber aviões de inteligência, com radares equipamentos de rastreamento. A pista não será usada para movimentar aviões de guerra. Apenas isso.

2- A segunda base – a aeronaval – vejam só, já existe e os Estados Unidos já estão lá. A única diferença é que, fechado o acordo, a base passará a receber facilidades da base militar de Manta, no Equador. Internamente, essa base é chamada de “mini Pentágono”.

Outra questão que os líderes sul-americanos não debateram no encontro: o porquê da instalação das bases. E não o fizeram por um simples motivo: se debatessem a questão, toda a retórica contra a instalação das bases cairia por terra. E, pelo menos para a maioria dos líderes desse canto de mundo, não lhes interessa ver nos Estados Unidos um aliado importante e, dependendo do caso, creiam, indispensável.

O tráfico de drogas está crescendo na América Latina. Isso é fato. De mãos dadas com ele está o aumento da violência na região. O tráfico virou espécie de uma empresa. Já há até investimentos em tecnologia para produção de drogas. Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Guiana, Suriname e Venezuela não têm condições de investir em segurança e prevenção à fabricação de venda de drogas à mesma proporção do investimento dos narcotraficantes. Significa que eles têm mais dinheiro? Não, óbvio que não. Significa que eles têm mais competência mesmo.

O aparato militar dos EUA, ao contrário do que prega Chavez, não será usado para estabelecer domínio da região; mas, sim, para auxiliar no combate ao tráfico e produção de drogas. Os Estados Unidos têm um avião-espião capaz de captar através de sofisticados radares laboratórios de drogas instalados no subterrâneo. Que outro país-membro da Unasul tem tecnologia pra isso? Nenhum! Outros poderiam me perguntar: “Ah, mais não poderiam fazer esse monitoramente através de satélites?”. Sim, claro que sim. Dê o número de tua conta corrente para debitar as despesas com a compra de equipamentos que fica tudo certo.

Além de possibilitar aos países ações preventivas contra o tráfico, a monitoração previsto pelo pacto militar encarecerá a produção de drogas. Cercados por um aparato militar capaz de identificar e destruir campos de maconha, por exemplo, os produtores ver-se-ão obrigados e procurar novos meios para produzir suas “mercadorias”.

As questões acima não foram expostas na cúpula da Unasul. Para uma cambada que compõe a cúpula, é mais importante manter a insígnia da auto-suficiência da região a manter um acordo benéfico de cooperação com os Estados Unidos. E, claro, manterem-se omissos diante das façanhas do caudilho Hugo Chavez. Quais façanhas? Leiam o post abaixo.

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